Semana Santa

No dia 29 de março, a Liturgia abre a Semana Santa com o Domingo de Ramos.

Entrada de Jesus em Jerusalém

O Domingo de Ramos recorda-nos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Cristo fez questão de entrar triunfalmente em Jerusalém para que o povo reconhecesse que Ele é o Filho de Deus, o Messias esperado pelos Profetas, o Salvador de todos os homens e mulheres. Foi Ele reconhecido como Filho de Deus, sendo acolhido, saudado por uma numerosa multidão, estendendo tapetes no caminho, cortando ramos de oliveiras, louvando a Cristo, cantando com alegria: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus”. (Mt. 21, 6-9; Mc. 11, 8-10; Lc. 19, 36-38; Jo 12, 12-13).

É preciso que Jesus entre triunfalmente em nossas cidades, vilas, comunidades paroquiais e dentro de nós mesmos.

Instituição da Eucaristia

Na Quinta-feira Santa, Jesus demonstrou seu amor por nós, instituindo a Eucaristia, que é o sacrifício de seu corpo crucificado e de seu sangue derramado na cruz para a salvação eterna de todos. Cristo, no fim da instituição da Eucaristia, deu a ordem a seus apóstolos transmitida a todos seus sucessores, os Bispos, e por extensão aos padres: “Fazei isto em memória de mim” (Lc. 22, 19 -20; I Cor. 11, 23-24).

A Eucaristia não é um sinal, um símbolo, uma figura ou representação de Cristo, mas é o mesmo sacrifício de Jesus, celebrado pelos Apóstolos e sacerdotes até hoje por mais de 400.000 padres e mais de 4.000 bispos, no mundo inteiro.

Meu caro leitor, agradeçamos continuamente o dom da Eucaristia e participemos com fé e amor desse mistério acessível a nós.

Lava-Pés

O evangelista São João descreve a cerimônia do Lava-Pés, hoje realizado em todas as paróquias do mundo. O Lava-Pés é o gesto de humildade de Cristo, que, encarnando-se, se tornou igual a qualquer homem, menos no pecado.

Aprendamos de Cristo o gesto de Cristo, lavando com humildade os pés de nossos irmãos quaisquer que sejam.

Paixão e Morte de Cristo

Na Sexta-feira, a Igreja comemora a Paixão e Morte de Cristo na cruz, numa oblação perfeita ao Pai para que todos sejam salvos.

Cristo foi traído por Judas, preso, julgado sumariamente, condenado sem ouvir quem o defendesse. Os próprios Apóstolos se dispersaram, abandonando-o, fugiram (Mt. 26, 56; Mc. 14, 56).

Nenhum dos Apóstolos o defendeu, nem Pedro que, pouco antes, disse: “Mesmo que tivesse de morrer contigo, não te negarei. O mesmo disseram todos os outros”. (Mt. 26, 35). Nenhum Apóstolo se ofereceu para ajudar Cristo a carregar a cruz ao Calvário. Foi requisitado Simão, pai de Rufo, este eleito do Senhor, na carta de S. Paulo aos Romanos, 16, 13, que carregou a cruz até o Calvário.

Maria acompanhou seu Filho ao Calvário no maior silêncio. Ouviu então as palavras de Jesus: “Mulher, eis aí teu filho”. (Jo. 19, 26).

Como somos nós hoje?

Ajudamos a carregar a cruz de tantos irmãos nossos condenados à morte pelas injustiças humanas, sem a coragem de ajudá-los. Não basta a emoção sentida nas encenações comoventes na Sexta-feira Santa.

A Paixão e Morte de Cristo nos ensinam tantas lições de condenação de morte de tantos irmãos nossos que morrem à míngua pelas injustiças sociais todos os dias. É só acompanhar os meios de comunicação para ver a frieza de quem deve implantar a justiça em nossa sociedade, não vivendo a Paixão de Cristo em nossos irmãos. É necessário ter coragem de denunciar tantas injustiças, corrupções em nossos dias e não ficarmos indiferentes diante de tantas mortes diárias de quem não tem um alimento sadio e suficiente, uma casa para morar, um emprego ou um salário justo e no fim da vida uma aposentadoria que não dá nem para os remédios.

Meditemos seriamente na Paixão e Morte de Cristo hoje.

Dom Pedro Marchetti Fedalto – Arcebispo Emérito de Curitiba

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