Natal – Comunhão Familiar

Diácono Juares Celso Krum – Assessor Eclesiástico da Comissão Família e Vida

19-natal-2

Mais um ano se aproxima do final e traz com ele uma data que convida à reflexão do mistério da encarnação: 25 de dezembro – Natal. No natal celebra-se o Deus amor que vem ao encontro do homem e da mulher, que se faz sarx, que se faz “carne”, que se torna gente como a gente. “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Jesus assume a natureza humana em sua totalidade, menos o pecado, para redimir a todos.

Vários aspectos podem ser pensados, refletidos, aprofundados sobre o Natal do Senhor. Destaca-se aqui o tema da família, mais especificamente a comunhão familiar.

Todos os seres humanos foram criados por Deus para viver em comunhão. E o exemplo completo, total de vida em comunhão vem do próprio Deus: a Santíssima Trindade. Deus Pai vive em perfeita comunhão com o Filho e com o Espírito Santo.

A família tem todos os atributos para ser chamada imagem da Santíssima Trindade, seja por meio da individualidade de cada um dos seus membros ou do conjunto de todos eles. O Documento de Aparecida realça: “Cremos que ‘a família é imagem de Deus que em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família’. Na comunhão de amor das três Pessoas, nossas famílias têm sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e seu último destino” (DAp 434).

Comunhão vem da palavra de origem grega koinonia, termo muito comum entre os cristãos com o sentido de companheirismo, participação, partilha e contribuição com o próximo e com Deus. Com a tradução da bíblia hebraica para o grego, o termo koinonia foi inserido no Novo Testamento, aparecendo pela primeira vez no livro de Atos mostrando como a vida cristã era compartilhada em Jerusalém: “perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42).

Com base na Sagrada Escritura, no Magistério e com o sentido de koinonia, pelo menos três atitudes são imprescindíveis para a vivência da comunhão familiar: orar, dialogar e perdoar.

Orar
“Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá” (Mt 7, 7-8). A oração deve estar presente na família, primeiro, de forma individual, cada um dos membros da família deve estar em contato com Deus. Em seguida, a oração do casal, aproveitando todos os momentos do cotidiano para os pedidos e agradecimentos. Estando, portanto, já presente em cada cônjuge e no casal, reza-se em família junto com os filhos e, em alguns casos, com os pais. E isso pode e deve ser feito tanto em casa como na comunidade dos fiéis crentes. Assim, se amplia para a família das famílias – a paróquia – com a participação da assembleia reunida na celebração da Palavra ou principalmente da Eucaristia.

Dialogar
“O diálogo é uma modalidade privilegiada e indispensável para viver, exprimir e maturar o amor na vida matrimonial e familiar. Mas requer uma longa e diligente aprendizagem. […] O modo de perguntar, a forma de responder, o tom usado, o momento escolhido e muitos outros fatores podem condicionar a comunicação” (AL, n.136). Para que haja comunhão é preciso partilhar, compartilhar, comunicar-se com o outro. O diálogo tem que estar presente na vida do casal e da família. Mesmo que às vezes as condições para dialogar não sejam as mais adequadas, deve-se buscar um aprendizado de todos os membros da família, tanto entre o casal, como entre pais e filhos e filhos entre si. Aliás, se preciso, marque-se “hora” para dialogar. Não se esquecer que o diálogo exige a paciência da escuta, antes da fala.

Perdoar
“Então Pedro chega: ‘Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu-lhe: ‘Não te digo até sete, mas até setenta e sete vezes’” (Mt 18, 21-22). O perdão deve resultar de uma atitude de reconhecimento da fraqueza alheia, tanto para quem dá o perdão, com para quem o pede. Para que haja verdadeira comunhão, deve-se praticar o perdão tanto para as pequenas como grandes faltas que se cometam no relacionamento familiar.

Estas três atitudes se inter-relacionam e se fortalecem. Quem ora, tem mais facilidade para dialogar e perdoar. Para perdoar ou dialogar bem é preciso orar. As três ajudam a concretizar a comunhão familiar.

Curta Nosso Facebook
Comissões Pastorais

Boletim Informativo