Ainda estamos em uma mudança de época? O que precisamos compreender neste tempo presente?

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Parece que o tema já foi bem estudado e se tornou ultrapassado dentro de nosso contexto sociocultural e filosófico. Uma sociedade doente e cheia de solidão, como apontam os bispos da Igreja Católica no Brasil, através de suas diretrizes gerais. Nesse tempo nenhuma verdade é absoluta e perde-se todo o referencial da fé, o sentido próprio da religiosidade. A religião passa a ser light, como nossos produtos que se encontram nas prateleiras de nossos supermercados.

Uma sociedade fragmentada que perdeu a noção do todo, da coletividade, da vida em comunidade. Todos muito ocupados consigo mesmos. Percebe-se uma crise de sentido, na qual a fé não é mais transmitida de pais para filhos. A fé se torna ocasional e pode ser objeto de manipulação das vontades do ser humano.

Sim! É esta a realidade. Os bispos da América Latina, no Documento de Aparecida, que leva o nome da cidade em que foi escrito (foi seu secretário relator o Cardeal Bergoglio) já apontava em 2007 essa realidade. Dez anos se passaram após esta reflexão do agir pastoral no Brasil e quais consequências ainda vemos nessa desconstrução do que é comum a todos, do conceito de coletividade? Ou do desviar o olhar do passado e projetar um futuro?

O dano na sociedade cada vez é maior, uma concentração exagerada na ação do sujeito e um olhar excludente sobre o outro. O tempo presente faz todos pensarem em uma ideia falseada de felicidade, na qual não se aglutinam os laços em família, nem apegos pessoais. “As relações humanas estão sendo consideradas objetos de consumo, conduzindo a relações afetivas sem compromisso responsável e definitivo” (DAP 46).

Todas as verdades e compromissos definitivos causam medo e indiferença. O que importa é o presente e este de acordo com aquilo que necessito para o meu prazer, para meu bem estar. Nesse confuso olhar de várias setas, se percebe a busca por direitos subjetivos e foca-se somente neste olhar. Não temos mais a visão da coletividade e dignidade de todos, principalmente dos mais pobres e vulneráveis. É uma lógica pragmática, narcisista que coloca a vida como um espetáculo, onde o fim não preciso ouvir aplausos e opiniões de ninguém. Que consequências teremos diante desta realidade?

A Igreja Católica, em 1962, trouxe tantas novidades com o Concilio Vaticano II, e vem buscando entender o ser humano entre as suas angústias e alegrias. Para isso, já usou muito o termo ‘inculturação’, principalmente na América Latina. Mas depois vieram outros termos como ‘nova evangelização’, ou agora ‘conversão pastoral’. São palavras que expressam ideias de promover a adesão a Jesus Cristo, não ao seu pensamento somente, mas a seu modo de vida, de ver as pessoas, tocar nelas e transformá-las em testemunhas do seu amor. Uma adesão na radicalidade do amor, na totalidade de sua essência.

Creio que nossas comunidades precisam muito ainda amadurecer nessa missão. Dom Peruzzo, na última reunião geral do clero, abordava esse assunto com muita seriedade, provocando uma tomada de consciência com todos os padres reunidos. E alertava que agora, nesse tempo, ainda surge um novo conceito que vai se dissipando no meio da sociedade e do pensamento, que é a “pós-verdade”. Neste conceito os fatos objetivos não têm nenhuma influência, e não se moldam na emoção e nem na prática religiosa. O que faremos?

Para melhorarmos nosso mundo precisamos de ações concretas dentro de nossas paróquias, para ser comunidade de pessoas centradas na experiência de Jesus. E estas ajudem a superar a indiferença que encontramos, que cega e paralisa. São Paulo expressa atitudes de autêntica religiosidade e comprometimento em 1 Cor 9, 19-23. O que precisamos abraçar: mudança pessoal para um maior conhecimento de Jesus, nosso melhor modo de tratar as pessoas e compreendê-las. Que cada um e que cada comunidade possa cumprir bem sua missão e iluminar com a Luz que vem do Altíssimo as pessoas que sofrem na escuridão.

Pe. Rivael de Jesus Nacimento
Reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Lourdes – Campo Comprido

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