INICIAÇÃO Á VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

jesusProsseguimos nossa caminhada reflexiva, iniciada há alguns meses, sobre o tema Iniciação à Vida Cristã. Agora, temos dois elementos novos e fundamentais em nossa exposição: a realização e conclusão da assembleia dos Bispos do Brasil no mês passado e a aprovação do novo documento sobre a iniciação à vida cristã para a Igreja no Brasil.

Antes de abordarmos o tema comento, em breves palavras, o processo de aprovação do documento. Podemos afirmar que houve um processo participativo de todas as dioceses do Brasil. O texto embrionário foi enviado às dioceses para estudos, correções e considerações. Aproximadamente 721 emendas foram sugeridas à comissão, presidida por Dom José Antonio Peruzzo. Houve contribuições específicas de catequetas, liturgistas e biblistas. Também catequistas, coordenações diocesanas e ministros ordenados enviaram suas sugestões. Acolhidas as contribuições, revisou-se com dedicação e intensidade o texto. Em seguida, os bispos receberam previamente o texto revisado para uma leitura até a assembleia. Por fim, após intenso trabalho de reflexão e última revisão, aprovou-se o texto, por unanimidade, na última assembleia dos Bispos.

O novo documento da iniciação à vida cristã da Igreja no Brasil deseja consolidar a iniciação onde o processo existe e motivar as dioceses onde o processo não existe. É oficialmente o caminho da Igreja no Brasil que vai alavancar a renovação paroquial. A inspiração catecumenal não é meramente um novo método. É uma mística, um modo de ser, é o elemento central da iniciação à vida cristã.

Vamos agora mergulhar no último capítulo da versão final do documento. Este capítulo apresenta as proposições pastorais que se unem aos últimos dois documentos eclesiais: “Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia” (CNBB 100) e “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e Sociedade” (CNBB 107). É uma continuidade rumo à renovação pastoral. Este capítulo contempla os passos pastorais que uma diocese ou paróquia deve trilhar.

Catequese querigmática e mistagógica: Querigma e mistagogia são os elementos centrais da iniciação à vida cristã. O documento destaca que estas duas realidades perpassam todo e qualquer processo catequético. O querigma gera a experiência com o Senhor e desperta para o discipulado. Não é uma propaganda de Jesus ou um reavivamento religioso. A mistagogia celebra o discipulado assumido: progride-se no conhecimento mais profundo do Mistério Pascal e na vivência comunitária. O querigma e a mistagogia tornam a catequese mais celebrativa e menos escolástica.

O catecumenato e o espírito catecumenal são a proposta pastoral que mais evidencia a dimensão querigmática e mistagógica da iniciação à vida cristã. É um processo realizado por etapas e tempos, com ritos, exercícios, entregas, unções e escrutínios, que gera encontro e experiência orante com o Senhor. Não é um simples conhecimento de doutrina, mas o despertar ao seguimento comunitário e comprometedor.

Conversão Pastoral: o documento destaca a união inseparável entre formação, comunidade e sujeitos da iniciação à vida cristã. Frutifica, gradualmente, a renovação paroquial. A ação evangelizadora se renova com novos processos iniciáticos e catecumenais. A comunidade é a casa dos iniciados. Comunidade evangelizada torna-se comunidade evangelizadora. Ainda mais, é primordial investir na formação das famílias, adultos, adolescentes, jovens, crianças e demais lideranças de nossas comunidades. A formação básica e continuada é o espelho da conversão pastoral.

Por fim, estas duas proposições pastorais se completam. O processo de iniciação à vida cristã em inspiração catecumenal suscita conversão pastoral, desperta a comunidade e renova os ministérios e serviços eclesiais. É a Igreja sempre em movimento, em construção e em renovação.

“É necessário assumirmos a caminhada de construção da Iniciação à Vida Cristã” (Documento, 4ª versão, nº 246).