O escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto – Arcebispo Emérito de Curitiba

027No dia 16 de julho a Igreja Católica celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo, com a imposição do Escapulário. A devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo está profundamente arraigada no coração do povo. A origem da devoção remonta ao Monte Carmelo, na Palestina, hoje Israel.

Os Profetas Isaías e Jeremias cantam a grandeza e a beleza natural do Monte com as mais variedades de flores perfumadas da primavera. Um fato importante no Monte Carmelo é a vitória do Profeta Elias, derrotando os 450 falsos profetas do deus Baal pelo poder de Deus Javé (I Livro dos Reis, Capítulo 18, versículo 38).

Os próprios pagãos viam a sacralidade do Monte, como o sábio filósofo grego Pitágoras, Vespasiano, Suetônio, Tácito. Durante uma tremenda seca, Elias subiu ao Monte Carmelo. Pôs-se de joelhos pedindo a chuva. Pediu ao criado que fosse olhar para o lado do mar. Olhou e nada viu. Elias pediu-lhe que fosse ver sete vezes. Na sétima vez, trouxe uma resposta: vi uma nuvenzinha. Num instante, o céu escureceu e caiu forte chuva (I Livro Reis, 18, 42-45). Os biblistas explicam que a nuvem é a imagem de Maria.

Lá no Carmelo, depois de Cristo, um grupo de religiosos contemplativos veneravam a Virgem Maria. Por causa do Carmelo, tomaram o nome de Carmelitas.

Pelo ano de 1234, os maometanos, mulçumanos, invadiram o Monte Carmelo, matando uns religiosos. Outros conseguiram fugir. Ricardo Combiense, em 1240, irmão de Henrique II, Rei da Inglaterra, levou os refugiados para o Condado de Kent, Inglaterra. Não foram bem acolhidos.

O superior Simão Stok recorreu à proteção de Maria. A 16 de julho de 1251, numa noite, no meio de irradiante luz, apareceu-lhe Nossa Senhora entregando-lhe o Escapulário com a seguinte mensagem: “Recebe filho diletíssimo, o Escapulário, sinal de minha confraternidade para ti e todos os Carmelitas. Os que morrerem revestidos deste Escapulário não padecerão o fogo eterno. Eis o sinal de salvação, de aliança e de paz sempiterna”. Nossa Senhora retornou ao céu, São Simão Stok morreu.

O Escapulário permaneceu, difundiu-se no mundo inteiro. Continua ser o sinal de salvação. O primeiro sinal de salvação foi deixado pelo próprio Cristo ao prometer o Sacramento da Eucaristia. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6, 54). O Escapulário confirma o que Jesus prometeu na Eucaristia.

Sejamos bem sinceros: muitos fazem seguro de casa, propriedade, carro, de agricultura e até de sua vida para a saúde, médico, hospital. Por melhor que seja o seguro, cada um vai morrer. A maioria absoluta teme a morte. A melhor segurança para a vida eterna é a Eucaristia. O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo também o é. Está provado mil vezes que o Escapulário é seguro de vida eterna e seguro de vida em tantos perigos, acidentes.

Nossa Senhora do Carmo continua no Carmelo com os Carmelitas, na Terra Santa, recebendo milhares de devotos do mundo inteiro. O Escapulário está difundido no mundo inteiro.

Nossa Senhora do Carmo é a padroeira do Chile, de dioceses, de muitas paróquias e capelas. Em Curitiba, é a padroeira da paróquia-santuário de Nossa Senhora do Carmo, no bairro do Boqueirão, com 14 novenas às quartas feiras, sendo pároco o Pe. João Batista Chemin.

É a padroeira da Colônia Antônio Rebouças, desde sua fundação, a 11 de setembro de 1878 e da capela desde sua inauguração a 6 de agosto de 1888. Neste ano, em sua festa, o celebrante no dia 16 de julho é Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo Metropolitano de Curitiba.

Meu caro leitor, confie no poder do Escapulário. Sou testemunha disto, nos perigos morais e físicos sofridos. Espero que, morrendo com ele, me salve.

Curitiba

O Santuário Nossa Senhora do Carmo está em festa. No dia 16 Dom Celso Marchiori celebrará a missa solene da Padroeira às 10h e 18h.

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Neste dia, Dom José Antônio Peruzzo preside a celebração na Colônia Antônio Rebouças.