Como preparar sua casa para o Natal do Senhor

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Dom Amilton Manoel da Silva, CP

Bispo Auxiliar de Curitiba

 

O Ano litúrgico, na Igreja, tem início com o período do Advento que corresponde às quatro semanas que antecedem ao Santo Natal. Este tempo de preparação para o nascimento do Filho de Deus, que veio habitar entre nós, nos convida a preparar os corações e rever a nossa vida cristã.

Uma forma de externar aquilo que acontece no nosso íntimo é a utilização dos símbolos natalinos. Se por um lado, a sociedade de consumo tem utilizado vários deles, para fins lucrativos e interesse próprio, podemos reverter esse quadro, dando um significado litúrgico, sobretudo, àqueles que mais expressam o mistério que se dá a conhecer. Um desses símbolos é o PRESÉPIO.

São Francisco de Assis foi o grande idealizador do presépio. Conta-se que ele, voltando da Terra Santa, no período do Natal, depois da tentativa de conciliar cristãos e mulçumanos, encontrou uma gruta na região de Greccio e teve a inspiração de ali representar a cena de Belém.

Tomou, então, alguns animais e algumas pessoas e com eles fez a representação dos acontecimentos narrados no evangelho de Lucas, sobre o nascimento de Jesus Cristo. Desde então, o presépio vem sendo difundido por todo o mundo, elaborado de distintas formas e tem assumido características culturais diversas.

 

Ao montar o presépio não perca de vista estes temas:

 Um símbolo mistagógico. Porque possibilita às pessoas e, sobretudo, aos cristãos, não apenas visualizarem um fato histórico do passado, mas vivenciarem o mistério da salvação, cuja centralidade é Jesus Cristo, Deus humanado.

A manifestação do pleno amor: Pois, “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho único…” (Jo 3,16). O amor do Pai se tornou visível na Encarnação do Filho. Deus se dá como amor e espera uma resposta amorosa.

Uma profissão de fé: Num Deus onipotente, mas que também se faz dependente, frágil, necessitado do carinho e do cuidado de pessoas humanas, reduzido à condição de “mendigar o nosso amor”.

A vitória da luz sobre as trevas: Num mundo envolto nas trevas do ódio, da violência, das injustiças, da exclusão, etc. A luz vem ao mundo: Cristo, e quer iluminar todos os homens e mulheres, para dar-lhes um sentido de viver e arrancar o mundo da escuridão.

A elevação do ser humano. Deus se fez solidário com a nossa natureza humana. “Caiu o homem miseravelmente, desceu Deus misericordiosamente; caiu o homem pela soberba, desceu Deus com sua graça. Nasceu no tempo para levar-nos até à eternidade do Pai. Deus fez-se homem para que o homem se fizesse Deus”. (Santo Agostinho)

A proclamação da vida. Aquele que nasceu, veio “para servir e não ser servido” (Mt 20,28), e este serviço é “para que todos tenham vida e vida em abundância”. (Jo 10,10)

A visibilidade da paz. O que era promessa se tornou factual! O Senhor da paz (2Ts 3,16) se fez visível, tocável e possível… “Quem acolhe esta Boa Nova, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação e de paz”. (Papa Francisco)

A linguagem dos pobres: Cada personagem fala por si mesmo: a Sagrada Família, o despojamento e a acolhida da Vontade Divina; os pastores, a alegria de receberem por primeiro a “boa nova da salvação” (Lc 4, 18); os magos, a pequenez do ser humano, que se inclina em total dependência da grandeza de Deus… Para uma Igreja em saída, o cenário dá a conhecer as periferias do mundo…

Natal/Páscoa. Natal é nascimento, Páscoa é ressurreição, tudo é vida; dois mistérios que indicam a mesma realidade ou um único mistério em duas formas de acolhimento e adoração. Nos últimos anos, os liturgistas tem sugerido que, na noite de Natal, a entrada da imagem do Menino Jesus seja acompanhada do Círio Pascal.

Natal permanente... O recém-nascido nos convoca a cuidar de cada criança que nasce e a protegê-las dos inimigos da inocência.

 

Pare diante do Presépio! Reze, lembrando-se das pessoas que ainda não conhecem Jesus Cristo ou que celebram o Natal como uma festa, entre outras, ou um feriado para o descanso.  Traga o planeta para dentro desse pequeno espaço que concentra o maior acontecimento da história humana. Junte cada povo, cada raça, cada cultura, à melodia universal, que um dia uniu o céu e a terra em uníssono para cantar: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e as mulheres de boa vontade”. (Lc 2,14)

Bom tempo de Advento!

Feliz e Santo Natal!