“Santos ao pé da porta”: a santidade cristã em sua simplicidade e profundidade

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Você já parou para pensar que, ao buscar seu filho na escola com amor, você está sendo santo? Que ao divulgar notícias boas pelas redes sociais, você está sendo santo? Que ao visitar um amigo, ao cuidar de um jardim com alegria, ou pegar um ônibus lotado com um sorriso no rosto, você está sendo santo? É desta santidade ao alcance de nossas mãos que o Papa Francisco nos fala no seu novo documento: Gaudete et Exsultate.

“A santidade se apresenta a nós como algo distante, porque os santos canonizados fizeram obras dignas de livros de heróis”.

Nesta última exortação apostólica, o Santo Padre nos mostrou como a santidade é algo que está sim ao alcance de todos os cristãos, inclusive você!  Talvez você esteja pensando agora: “Eu? Santo? Não quero morrer mártir como São Lourenço… Não me sinto chamado à vida enclausurada como Santa Teresinha… Nem me vejo missionário no estrangeiro como São Francisco Xavier… Tampouco me vejo como São Frederico Ozanan, fundando obras de caridade”. É muito comum a todos nós pensarmos deste modo! A santidade se apresenta a nós como algo distante, porque os santos canonizados fizeram obras dignas de livros de heróis.

Evidentemente que os santos apresentados pela Igreja como modelos – os que são canonizados – são os grandes baluartes! Porém, seus atos heroicos não devem nos assustar! Sua santidade grandiosa só foi possível de ser manifesta na radicalidade porque no seu dia a dia, em pequenos gestos, eles procuraram ser fiéis ao Senhor.

Os santos canonizados manifestaram no extremo a heroicidade. Por isso, destacam-se no meio do povo de Deus. Há, contudo, “uma grande multidão que ninguém pode contar, de toda nação, tribo, povo e língua” (Ap 7,9) que também participa da santidade de Deus, de modo escondido.

“Esta é muitas vezes a santidade ‘ao pé da porta’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus”.

Sobre estes, o Papa Francisco assim se expressou: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade ‘ao pé da porta’, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da ‘classe média da santidade’” (GE 7).

Sim: você pode já ser santo em diversos aspectos de sua vida e nem o saber! Esta é a beleza da vida cristã! Não estamos prontos. Somos um processo. Caminhamos! E no caminho, erramos muito, é verdade… Mas quantos acertos? Quanta riqueza na vida da Igreja, em nossas comunidades? Quanta beleza escondida no meio dos bancos de uma assembleia litúrgica? Quantas pessoas que, no seu dia a dia, mesmo sem coordenar nada em nossas paróquias, vivem os ideais do Evangelho?

Na verdade, só é possível ser santo porque Jesus Cristo é a santidade por excelência. N’Ele e por Ele, nós temos acesso ao caminho da verdadeira vida. Todos os demais santos e santas da vida da Igreja são expressão de um aspecto da vida de Jesus. Também nós, os santos do “dia a dia”, precisamos descobrir qual é a mensagem que nossa vida transmite. Somos únicos!

O Santo Padre nos diz: “Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão (…). Oxalá consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida. Deixa-te transformar, deixa-te renovar pelo Espírito para que isso seja possível, e assim a tua preciosa missão não fracassará.” (GE 23 e 24).

“Também nós, os santos do “dia a dia”, precisamos descobrir qual é a mensagem que nossa vida transmite. Somos únicos!”

Pode ser que, aos seus filhos, você seja a mensagem do amor de Deus que cuida de nós, anunciada tantas vezes por Jesus. Também no seu trabalho, você pode ser mensagem de comunhão e fraternidade com os seus colegas e superiores, como Jesus o fez entre os seus apóstolos. Na vida política, você pode ser mensagem de justiça e partilha, como Jesus o fez ao multiplicar os pães. Com os seus amigos, você pode ser mensagem de cuidado e delicadeza, como Jesus e sua Mãe o foram naquele casamento em Caná.

A santidade se dá nestes detalhes, nesta simplicidade e singeleza do dia a dia. E, se por acaso você for chamado a desafios maiores, o Espírito Santo de Deus não deixará lhe faltarem as forças!

 

Como viver a santidade no dia a dia?

Conversamos com algumas pessoas sobre como elas vivem com Deus no seu cotidiano.

 

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Deonizia de Lima, 68, agente de pastoral social e voluntária em todos eventos da Paróquia São Lucas – Xaxim

Para mim, ser santo é cumprir os mandamentos de Deus e servir ao próximo que precisa de ajuda. Visitar aos doentes, acolher as pessoas e perguntar como estão. Temos que ser abertos, humildes e mansos de coração, saber conversar com as pessoas quando estão fazendo algo  errado.

 

marleneMarlene F. de Oliveira, coordenadora da Pastoral do Povo de Rua

Para mim, a oração é o primeiro passo para viver a santidade no dia a dia. Devemos tirar um tempo para conhecer esse Deus maravilhoso que é amor e perdão, para então chegar à santidade.

 

 

maraMara Avelino, agente da pastoral familiar arquidiocesana coordenadora do SOS Família

Sinto que viver a Santidade no meu dia a dia é dar a Deus o lugar que é dEle em minha vida. Esta intimidade com o Pai encontro na oração, na Eucaristia, na vida da Palavra, na adoração e, principalmente, no encontro com o irmão. Peço ao Espírito Santo, quando acordo, que não me deixe em momento algum, que direcione o meu dia e me ajude sempre a recomeçar no amor. A cada gesto concreto de amor, sinto que me aproximno mais e mais de Deus.

 

mons-franciscoMons. Francisco Fabris, diretor espiritual no Seminário São José

Para nós cristãos, ser santo é viver nosso dia a dia na intimidade com Deus, cumprindo Sua vontade na vivência dos mandamentos, sobretudo do amor de Deus e do próximo e alimentando-nos com os sacramentos – de modo especial da Confissão, que nos restitui a graça quando pecamos, e da Eucaristia, que nos sustenta em nossa caminhada para o Céu.

 

anaAna Fogaça, 24 anos, coordenadora arquidiocesana do Ministério Jovem Curitiba

Eu acredito que santidade é dizer “sim” todos os dias ao amor que Deus nos dá. A santidade se dá nas pequenas coisas, porque Deus é muito simples. Também sou santo quando exerço bem a minha profissão, quando faço com zelo e com amor aquilo que me foi dado como um dom.

 

will_fotWilliam Michon, agente da pastoral do dízimo

A santidade se manifesta nas nossas atitudes cotidianas: na família, sendo mediador da compreensão, da serenidade e da dedicação; no trabalho, da disciplina e da fidelidade; no meio ambiente, da preservação dos biomas, do cuidado com o desperdício de água, do descarte de resíduos e lixo; no atendimento ao idoso, dando-lhe atenção e carinho; no acolhimento do necessitado, oferecendo palavras de incentivo, alimentos e agasalhos; no atendimento às famílias enlutadas, oferecendo apoio às suas inquietudes; no trânsito, quando obedecemos aos sinais e respeitamos o pedestre; no relacionamento com as pessoas, quando respeitamos sua individualidade.

 

irma-ritaIr. Rita Emilia Foggiatto – Irmãs Mensageiras do Amor Divino,  coordenadora da Casa de Retiros Nossa Senhora do Mossunguê

Nós não podemos ver a santidade apenas como caminho de “Beatificação e Canonização” após a morte, mas ela deve fazer parte do cotidiano da nossa vida, aqui e agora, não temendo os desafios do mundo. A prática do Evangelho nos torna pessoas melhores, felizes e santas.

 

raphael-nathan-teodoro-10-anos-paroquia-n-s-bom-conselhoRaphael Nathan Teodoro 10 anos,  coordenador de grupo da IAM na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho

Às vezes, as pessoas acham difícil ter uma vida santa e falar com Jesus, mas Ele nos dá muitas oportunidades, como a missa, grupos e até mesmo as redes sociais. Chame as pessoas que vivem perto de você e elas chamarão as que vivem longe. Assim, haverá cada vez mais santos e o mundo será um lugar melhor e com mais pessoas adorando a Deus.

 

lilian-carraroLilian Carraro, catequista batismal e agente de pastoral social da Paróquia São Benedito

O AMOR é a chave para a santidade! Tenho convicção de que o amor é o diferencial em tudo que realizamos no dia a dia da nossa vida. É o que há de mais próximo do céu aqui na terra! O caminho para a santidade não é fácil, está inevitavelmente cheio de desvios. Porém, nós temos um aliado importantíssimo: o Espírito Santo! É Ele que nos conforta, encoraja e nos faz seguir nesse rumo!

 

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Marluce Baião Bely

Vivo a santidade no meu dia a dia na Palavra celebrada, que me faz viver a comunhão com Deus e me leva a amá-Lo em cada irmão e irmã, nos momentos de cruz ou luz. Vivo também na família, no trabalho e na sociedade, buscando dar testemunho de alegria e serviço de forma pessoal e virtual.