Médicos Católicos do Conselho de Leigos da Arquidiocese de Curitiba lançam nota contra a ADPF 442

NOTA DA REDE DE MÉDICOS CATÓLICOS DO CONSELHO DE LEIGOS DA ARQUIDIOCESE DE CURITIBA CONTRA A ADPF 442, QUE LIBERA O ABORTO ATÉ A 12ª SEMANA DE GESTAÇÃO

“Quando o lugar mais perigoso para um bebê é o ventre de sua mãe temos a prova da decadência de uma sociedade.”

Descriminalização do aborto até 12ª semana de gestação. Por que estamos debatendo este tema? O Brasil, enquanto nação, foi construído sob a sombra da Cruz de Cristo. Terra de Vera Cruz. É de amplo conhecimento a pintura da primeira Missa realizada no litoral baiano. Foi o primeiro ato Solene desta nação. Que valores então questionam atualmente essa identidade? O deus capital parece ditar as regras. Uma sociedade se formando não baseada na dignidade da vida, mas no que é capaz de consumir, onde aquilo (e aqueles) que se oponham ao niilista desejo de “autonomia absoluta” do indivíduo são tratados como descarte.

Quando inicia a vida humana? Há décadas a ciência não tem a menor dúvida sobre o momento em que a vida se inicia. É fato reconhecido pela ciência médica:

“A vida humana começa na fertilização, o processo durante o qual um gameta masculino, o espermatozoide, se une a um gameta feminino, ou oócito (óvulo), para formar uma única célula chamada zigoto. Essa célula totipotente, altamente especializada, marca o início de cada um de nós como um indivíduo único”. “Um zigoto é o início de um novo ser humano (isto é, um embrião)”. Keith L. Moore, The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, 7th edition. Philadelphia, PA: Saunders, 2003. pp. 16, 2.

“Naquela fração de segundo em que os cromossomos formam pares, o sexo da nova criança será determinado, características hereditárias recebidas de cada pai serão estabelecidas e uma nova vida terá início”. Kaluger, G., and Kaluger, M., Human Development: The Span of Life, page 28-29, The C.V. Mosby Co., St. Louis, 1974.

“A fertilização é um marco importante porque, em circunstâncias ordinárias, origina um novo organismo humano geneticamente distinto. (…) O zigoto é um embrião unicelular”. Human Embryology & Teratology, Ronan R. O’Rahilly, Fabiola Muller, (New York: Wiley-Liss, 1996), 5-55.

Ou seja, várias autoridades médicas reconhecem o começo da vida já na concepção. As duas células, gradual e graciosamente, se tornam uma. Esse é o momento da concepção, quando o DNA único de cada um é estabelecido: uma assinatura humana que nunca existiu antes nem será jamais repetida.

Mesmo diante deste fato, que as ciências biológicas nos elucidam, por que ainda questionamos a (des)criminalização de um ato em que a única certeza é a morte? O assassinato de um novo humano em sua mais frágil fase de desenvolvimento é um ato terrível à luz da razão e da fé!

Por isso, nós, médicos católicos do Conselho de Leigos da Arquidiocese de Curitiba, REPUDIAMOS a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, que pretende permitir livremente o aborto e assassinato de seres humanos até a 12ª semana de gestação, que está sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal.

Nestes dias, a nação brasileira deveria chorar, ‘rasgar suas vestes e cobrir-se de cinzas’, pois, seu mais alto tribunal julga a condenação à morte não apenas a vida de um inocente, mas o futuro desta nação.

Hoje choramos por ti, pátria amada Brasil.
REDE DE MÉDICOS CATÓLICOS DO CONSELHO DE LEIGOS DA ARQUIDIOCESE DE CURITIBA