Natal do Senhor Jesus

 

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Por: DOM JOSÉ ANTÔNIO PERUZZO
Arcebispo da Arquidiocese de Curitiba

Ao final de cada ano é já costumeiro um certo número de manifestações sociais e culturais que já se tornaram cediços, isto é, já são lugar comum: felicitações natalinas; troca de presentes; votos de um ano novo repleto de realizações. O comércio faz seus balanços; nos diferentes setores da vida econômica fazem-se as avaliações, com novos planos de metas. No nosso país, espera-se, mais algum tempo e será possível reatar amizades rompidas em razões das fortes contraposições surgidas em função pleito eleitoral. Até mesmo famílias viveram amargos contrastes por este motivo. Enfim… chegou o final do ano e voltamos a falar em Natal.

O que nos dizem tantas vivências deste ano que se encaminha para o fim? Não se pode dizer que tenha sido um ano sereno. Violências, desempregos, divisões, confrontos… Estas eram as manchetes quotidianas. As redes sociais e os meios virtuais, tão poderosos que se tornaram, semearam muitas fúrias até então escondidas. Por meio delas é possível ofender e difamar conservando o anonimato. E quantos cristãos se serviram destes meios para expedientes ferinos! Sem dúvida, o ódio encontrou expressões criativas e cortantes.

Mesmo assim chegamos à data de celebrar o Natal do Senhor Jesus Cristo. Quando do seu nascimento o anúncio ressoou assim: “Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será também para todo o povo: Hoje nasceu para vós o Salvador… Glória a Deus… e na terra, paz a todos por ele amados” (Lc 2,10-14). Os ouvintes primeiros daquela “grande alegria” foram pastores das vizinhanças de Belém. À época, eles, os pastores, compunham um grupo social discriminado, desprezado, muito desacreditado. Eram mal vistos, pois portadores das muitas contradições do coração humano pecador.

Se tomadas em consideração as condições humanas, sociais e políticas da época, dificilmente se poderia vislumbrar algum tempo de esperança. Qualquer pessoa de retidão analítica teria muitas dúvidas sobre a presença de Deus na história. Nas aparências parecia lógico pensar mais em sua ausência do que presença. Afinal eram muitas, muitíssimas, as negações da verdade. Ganância, poder, revoltas e muita violência, prosperavam mais. Os sofrimentos e injustiças afiguravam-se difusos por todos os lados. Mesmo assim a “Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Por outro lado, no nosso tempo parece que muitos homens e mulheres não assumiram qualquer opção por Deus. Além do mais, muitos de nós que dizemos crer somos tentados a viver como se Ele não existisse. Seria algo muito semelhante à fé sem compromisso. Todavia, o que aconteceu em Belém, apesar de todas as negações dos comportamentos humanos, apesar de todos os males da história, revela a definitiva opção de Deus pela humanidade. Surpreendendo a lógica humana, o Filho de Deus nasceu entre nós, imergiu no mundo tão marcado tropeços e pecados. Tudo para propor, aos que nele crêem, a esperança dos humildes. Àqueles que querem se deixar amar por Ele, eis que lhes quer oferecer a sua paz: “Paz aos homens por Ele amados”.

Nossa história presente mostra uma cultura com muitas ansiedades pela informação, pela notícia, pela novidade. E afigura-se espontâneo constatar que as más notícias circulam mais do que as boas. Até a curiosidade frívola é suficiente para entorpecer as inteligências. E, talvez por isso, não percebamos tanto bem que se pratica. Para exemplificar, basta ir aos hospitais de Curitiba e observar o grande número de voluntários a oferecer sua gratuidade, sem nenhum outro interesse que não seja propagar a bondade. Se não nos maravilharmos com o bem praticado, é grande o risco de nos acostumarmos com o mal que se difunde.

Que neste Natal do Senhor Jesus sejamos inspirados, como os pastores, a nos maravilhar com os traços de Deus em meios aos seus.

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