A solidária arrecadação de alimentos no Corpus Christi da arquidiocese

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A Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor – Corpus Christi, possui na arquidiocese de Curitiba um conjunto de significados que ultrapassa a riqueza litúrgica, agregando à vida das comunidades um grande e festivo dia de encontro ao redor do Santíssimo Sacramento. Paróquias, comunidades, pastorais, movimentos, famílias inteiras e fiéis de todas as regiões episcopais, reúnem-se em um ato público, celebrativo, alegre e eclesial, expressando a sincera adesão do povo católico aos apelos da eucaristia, pão de unidade e revelação de amor. Neste ano, toda comunidade é convidada a participar de um importantíssimo gesto que expressa a relação da eucaristia com a perspectiva sócio-transformadora da fé: a arrecadação de alimentos não perecíveis que serão distribuídos a entidades assistenciais.

A Eucaristia é Sacramento da Comunhão não apenas no que se refere diretamente ao pão e vinho consagrados, mas também comunhão com os irmãos e irmãs. Somos alimentados pelo Senhor enquanto povo eleito; comemos e bebemos num contexto de refeição, de convivialidade. Daí a beleza de uma arquidiocese que na festa da eucaristia, comunga do Senhor, mas também comunga da presença do irmão, solidário em suas demandas concretas. Dom Helder Câmara sempre dizia que nos pobres tocamos “o Cristo vivo”, passamos além dos símbolos e alcançamos o conteúdo da fé.

Celebrada na centralidade da experiência católica, a eucaristia não constitui apenas um momento da vivência eclesial, senão o ponto culminante dela. Embora algumas práticas religiosas ligadas à comunhão, vez ou outra estejam marcadas por uma visão desenraizada da realidade, é urgente redescobrir a dimensão social da eucaristia. Ela foi instituída como ceia pascal (Lc 22,15); alimento e bebida (Mt 26,26-27); sacramento escatológico (1Cor 11,26); remissão dos pecados (Mt 26,28); sacrifício (Lc 22,19-20); memorial (1Cor 11,24-25). Isso tudo implica forte envolvimento e conotação comunitária. Transversal à sua celebração, estão presentes os valores da solidariedade, da liberdade, da comunicação e da justiça. A sua força profética não pode, entretanto, ficar emparedada no tempo e espaço da celebração. Exige um desdobramento posterior que atinja a vida.

Ao longo da sua vida pública Jesus se compadeceu com a fome das pessoas. Foi sensível às necessidades do povo e comungou da vida das comunidades onde esteve. Provocou os discípulos a despertar no coração a mesma solicitude. Antes da multiplicação dos pães e dos peixes, diante de uma multidão com fome, interrogou seus apóstolos sobre o que fazer diante aquele drama concreto. A resposta deles foi evasiva, dizendo que a multidão deve ser dispersada para buscar alimento por si mesma. O desafio de Jesus, que atravessa os séculos e chega até nós é: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9,13).

Somos todos convidados a participar dessa grande mesa da solidariedade que é também o nosso sinal de coerência com a eucaristia que liturgicamente celebramos e piedosamente comungamos. Aos fiéis que participarão deste momento significativo da vida diocesana, fica o insistente convite: oferecer ao menos 1Kg de alimento não perecível (exceto sal). Caixas de leite longa vida também são bem vindas. Caso ache mais fácil, organize com a sua caravana e recolha com antecedência a doação. Ela poderá ser entregue à secretaria da dimensão social, na Mitra de Curitiba (Rua Jaime Reis 369). Aos que desejarem entregar a doação dos alimentos no dia da missa de Corpus Christi, basta ficar atento aos postos de coleta, distribuídos próximos à catedral e no Centro Cívico.

A Eucaristia é o Sacramento que nos faz sair do individualismo para viver comunitariamente o seguimento autêntico do Senhor, doação plena. Com ela experimentamos a “solidariedade de Deus” que se revela verdadeira comida e verdadeira bebida. Corpus Christi evoca esta mensagem solidária e nos faz acolher o convite à conversão e ao serviço, ao amor e ao perdão. Encoraja-nos a imitarmos, com a vida, aquilo que celebramos na liturgia. Seja a arrecadação dos alimentos, neste ano de 2019, um sinal visível dessa conversão eucarística.

* Pe. Danilo Pena – Assessor da Dimensão Social da Arquidiocese e Curitiba

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