Casal de leigos missionários na Guiné Bissau dá seu testemunho

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Somos da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, Comunidade Nossa Senhora de Fátima do Setor Pinheirinho. A experiência que estamos vivendo é testemunhar a nossa fé com o nosso simples gesto como um casal engajado na igreja. Aceitamos estar aqui à frente da Missão São Paulo VI, porque fizemos a experiência de amor com o Senhor Jesus. Fomos convidados por conta da nossa caminhada missionária no Regional Sul 2. “Quando o coração arde os pés partem”.

Estar aqui na África, no país de Guiné Bissau, é um presente de Deus e uma experiência magnífica, pois nos ajuda a crescer pessoal e espiritualmente. Viver com esse povo tão sofrido, mas um povo alegre, acolhedor e esperançoso. Aprendemos a viver a providência divina dia a dia. E temos no nosso coração: “Eles não têm nada, mas agradecem por tudo e nós temos tudo e reclamos por nada.”

A missão tem 3 eixos: Evangelização, Saúde e Educação. Hoje estamos em 5 missionários e cada um acompanha uma pastoral e ajuda em um dos 3 eixos. Não temos experiência na área de saúde e educação, mas sentíamos um grande anseio em ajudar. A partir daí entramos em oração para discernir onde poderíamos ajudar.

Numa tarde, fazendo uma visita no hospital, conversando com os enfermeiros eles contavam a dificuldade que tinham com as grávidas que moravam nas tabancas (pequenos vilarejos). Ouvimos deles que elas não iam até o hospital para as consultas de pré-natal por falta de transporte e eles não tinham recursos para ir até elas. Ouvimos todos. Voltando para casa continuamos com as orações e veio ao coração que tínhamos que fazer algo para chegar a saúde até as tabancas.

No dia seguinte, conversando com os missionários da casa, relatamos o que ouvimos dos enfermeiros e juntos tivemos uma decisão que deveríamos fazer uma parceria: ao invés de elas irem até o hospital o hospital é que iria até elas. Após essa conversa retornamos e fomos falar com o diretor da instituição, Dr. Albino. Explicamos o que havíamos conversado com os enfermeiros e apresentamos a ele a proposta de levar o hospital até as tabancas. Ele ficou contente ao ouvir a proposta. A partir dessa conversa a missão fez a parceria com o hospital, nós disponibilizamos o carro e o combustível e o hospital disponibiliza os enfermeiros, e juntos vamos até as tabancas.

Dessa forma, a Missão Católica São Paulo VI faz chegar a saúde em locais de difícil acesso. Esse atendimento é prestado todas as sextas-feiras. O projeto, que começou com o atendimento às grávidas, foi estendido para as crianças e todas as pessoas das tabancas.

Quando conversamos com algum amigo a primeira pergunta que ele nos faz é sempre a mesma: “Lá é pobreza extrema como os filmes e as reportagens mostram?” Nossa resposta é: Pobre somos nós, pois eles são pobres economicamente, mas ricos de alegria, partilha, acolhimento, o que nós já perdemos há muito tempo. Digo isto pelo que vou testemunhar para vocês: Toda quinta-feira na tabanca onde moramos (um vilarejo chamado Quebo) tem uma grande feira, e fomos até lá para comprar frutas e verduras. Chegamos em uma banca de frutas e compramos algumas maçãs. Ao pagar por elas acabamos dando mil francos a mais do seu valor. Saímos para outra banca de verduras e de repente alguém nos puxou pelo braço e devolveu os mil francos que pagamos a mais. Isto nos chamou muito a atenção, pois com os mil francos ela poderia comprar alimentos para uma refeição, mas preferiu devolver o dinheiro. Fica a pergunta: se fosse no Brasil a pessoa que recebeu devolveria? Por isso pensamos que pobres somos nós!

* Pércio e Márcia Vitória

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