Dona Maura: uma história de mais de 76 anos catequizando

“Não fui eu que escolhi, foi Jesus!” Conheça a história de Dona Maura, uma senhora de 85 anos desde que recebeu o Sacramento da Eucaristia, aos 9 anos, se encanta e se dedica à Catequese em Curitiba. 

* Texto escrito por Flavia Regina Silva,  coordenadora da Pastoral Catequética da Paróquia Sagrada Família – Curitiba

 

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Às seis e meia da tarde de uma segunda-feira de novembro chego à casa de Dona Maura, uma senhora de 85 anos. Ela está lá sentada na cozinha com a porta aberta, me esperando. Me recebe com um afetuoso beijo e me convida a entrar. Sobre a mesa da sala havia porta-retratos, álbuns de fotos, recortes de jornais e muitas cartinhas. Tudo cuidadosamente separado previamente por ela, para que não esquecesse de nenhum detalhe. Em uma estante, uma vela acesa, com várias imagens de Santos, fotos de seus pais e irmãos e alguns bibelôs. Em outro canto, sob uma pequena mesa, a Bíblia que ganhou das mãos de Dom Peruzzo durante uma homenagem na Concentração de Catequistas, em Campo Largo. Ela me contou que tinha muita vontade de conhecer e conversar pessoalmente com ele. Ficou muito feliz. Assim como eu fico muito feliz em contar sobre a sua trajetória. É o mínimo que devemos fazer para agradecer todo o amor que ela tem em catequizar:

 

Quem é Maura Borges da Silva:

Mais conhecida como Dona Maura. Nascida em Castro, Paraná, no ano de 1934. Família grande, 11 irmãos. Em Castro, na Paróquia Santa Ana, aos domingos, a família participava e ajudava nas Missas. D. Maura me conta que a primeira catequista foi sua mãe, que reunia os filhos ao redor dela para ensinar o catecismo, para lerem a Bíblia. Muito emocionada, fala com carinho dos momentos durante a Quaresma, momentos de muita oração e silêncio. Também da preparação durante o Advento, as novenas nas casas. Começou a frequentar os encontros das Irmãs de São José e em 1943, aos 9 anos, recebeu o Sacramento da Eucaristia. Foi assim que iniciou a sua trajetória dentro da Igreja e na Catequese.

76 anos catequizando! É surpreendente este número. D. Maura me conta que, após receber o Sacramento da Eucaristia, começou a catequisar em todos os lugares onde estava e isso acontece até hoje. Começou ensinando primeiro seus amigos a rezar, depois até mesmo os pais de seus amigos. Também acompanhava as Irmãs de São José, ajudando-as nos encontros de catequese.

Em 1957 se muda para Ponta Grossa e durante 3 anos dedica seu tempo a ajudar no Seminário, onde descobre um desejo imenso em dedicar-se às vocações. Decide que será missionária e que irá realizar missões em outros países. Durante um momento de oração, porém, é tocada por uma voz que diz a ela que aqui também precisamos de missionários. Ela obediente, entende o recado.

No ano de 1961, aos 27 anos, chega em Curitiba, junto com sua família. Na Paróquia Bom Jesus do Portão ela se dedica à Cruzada Eucarística, à Catequese e ao Apostolado da Oração. Logo descobre uma pequena comunidade e começa a ajudar neste novo lugar. A Paróquia é a Sagrada Família, que hoje pertence ao setor Portão, é o local onde desde 1969 segue com sua missão até hoje.

Para que pudesse catequizar em outros lugares fez a habilitação para dirigir, adquiriu o primeiro carro e para sua surpresa, como ela mesmo disse: “Meus braços travaram e eu não consegui dirigir. Entendi que Deus queria que eu catequizasse utilizando minhas pernas.” E usando suas pernas, quando iniciou a Devoção à Misericórdia Divina, nesta paróquia, visitou mais de 100 casas.

Entre seus cadernos, vejo as Chamadas da Missa. Dentro, encontro datas e nomes dos catequizandos que compareceram as Missas. Um capricho sem igual. Sempre na primeira folha dos cadernos, a abertura é uma imagem de Jesus Misericordioso, uma mensagem citada por Santos ou Papas e seu nome completo.

O local para catequizar nem sempre era o melhor, mas isso não a impedia. Uma parte do dinheiro que recebia, com seu trabalho, comprava materiais para seus catequizandos. Muitas vezes alimentava-os com bolachas e somente depois iniciava seu encontro. “Eles sentiam fome e se eu não desse essas bolachas, eles não iriam conseguir aprender.”

Quando leio algumas cartinhas, percebo o quanto ela foi generosa e amorosa. As cartinhas estão recheadas de agradecimento, de desejos de vida longa e desejos que um dia possam se conhecer. Pergunto se ela não conhece aquelas pessoas que escreveram as cartinhas, ela me diz que não conhece, que simplesmente sabe que algumas comunidades precisam de ajuda e ela envia materiais para eles e não espera nada em troca. Pergunto a ela porque escolheu a Catequese, rápida me responde: “Não fui eu que escolhi, foi Jesus!” “Deus me quis na Igreja e eu obedeci.”

Conheci D. Maura quando eu ainda criança. Minha mãe também era catequista. Ela faz algumas referências a minha mãe. Isso me emociona muito. Aprendi o verdadeiro valor de catequizar.

Pergunto que mensagem ela gostaria de deixar para os catequistas, ela me responde: “Rezem, cuidem dos catequizandos e de suas famílias e não desistam. E amem esse Jesus que ama vocês!”

 Que Deus nos abençoe nessa missão de catequizar e que nos dê esperança de sermos um pouquinho de D. Maura.

 

* Texto publicado na Revista Voz da Igreja – dez. 2019

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