Comunicado aos padres sobre a Semana Santa na Arquidiocese de Curitiba

Diante da singularidade da situação de afastamento social que estamos vivendo em diversas localidades do mundo e também em nossa Arquidiocese, os bispos de Curitiba emitiram um comunicado aos padres com orientações para a Semana Santa, destacando que as celebrações pascais devem ser mantidas. Tornamos pública a seguir a mensagem enviada aos Párocos de nossa Arquidiocese:

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Caríssimo Padre,

Todos nós, bispos, presbíteros e diáconos e lideranças leigas estamos a nos indagar acerca das celebrações da Semana Santa e do Tríduo Pascal. Provavelmente nenhum de nós se deparou com situação semelhante ao que temos neste ano. A pandemia era conhecida apenas como um vocábulo. Agora estamos a perceber melhor o alcance ameaçador e a gravidade dos dramas que um pequeno COVID-19 pode desencadear. Vemos muitas pessoas ansiosas, inquietas, atemorizadas, buscando o socorro e a proximidade de Deus. De nossa parte cumpre-nos encontrar caminhos criativos e atitudes de pastores, próximos às comunidades e pessoas.

Como é de seu conhecimento, as celebrações pascais, por serem o coração do ano litúrgico, não podem ser cancelados, nem transferidas. Por outro lado, estamos desautorizados a quaisquer celebrações aglomerantes. Gostaria, pois, de lhe apontar algumas orientações face a singularidade da situação que estamos a viver. Tais indicações têm um caráter de referencial para os padres, para as paróquias e comunidades:

Missa do domingo de Ramos

  • Preparando o domingo de Ramos: Em comunhão com a Igreja no Brasil (CNBB) os padres recomendem aos fiéis colocar no portão ou na porta da residência, em lugar bem visível, alguns ramos. Em tempos confusos ou de provação os sinais identificadores têm força agregadora.
  • Seja celebrada em todas as igrejas paroquiais e, onde possível, também em seminários e comunidades religiosas. Se houver mais padres, queiram concelebrar, considerando as necessárias cautelas de proteção da saúde estabelecidas pelos órgãos civis competentes.
  • Nosso povo nutre grande sensibilidade religiosa pelos ramos bentos. Por isso mesmo, naqueles casos em que houver transmissão (TV, rádio, Internet), queira o celebrante convidar os que acompanham desde as casas a ter um ramo nas mãos. Pela sua participação ao vivo, também eles terão seus ramos bentos. (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1676).
  • Não se faça a procissão externa de ramos. Tudo seja feito dentro da igreja ou capela. Realiza-se a saudação como de costume, procede-se a benção dos ramos, lê-se o Evangelho da Entrada de Jesus em Jerusalém. Segue a Missa a partir da Oração do dia. Os padres impedidos de celebrar, bem como os diáconos, rezem as orações da Liturgia das Horas.
  • Acerca da Coleta do Domingo de Ramos, ou seja, aquela da Campanha da Fraternidade, ela será realizada em data a ser fixada pela CNBB. Não podemos nos eximir de participar. Sem aqueles recursos muitos pobres não terão a solidariedade da Igreja, inclusive em nossa Arquidiocese.

 

Missa Crismal e Renovação das Promessas Sacerdotais

  • As celebrações do Tríduo Pascal, a começar pela Missa Crismal ou Missa da Consagração dos Óleos, será na terça-feira (07/04), às 12.00hs, com a presença limitada aos bispos. Será na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Isso para ter transmissão televisiva. Em tempos tão restritivos não é possível contar com toda a equipe de funcionários para o transporte e geração de som e imagem desde a Catedral.
  • Apesar das limitações da situação, pareceu importante aos bispos, que houvesse entre nós, presbíteros, algum encontro que destacasse o caráter de presbiteralidade da nossa vocação e missão. Ademais, orar pelo povo de Deus é dimensão constitutiva da nossa identidade sacerdotal. Por isso vamos celebrar, em forma bastante distribuída, a Eucaristia com a Renovação das Promessas sacerdotais. Serão três celebrações em cada área pastoral nos mesmos dias e horários.
  • Eis um breve cronograma das celebrações e os locais:
  • Área Norte
    – N. Sra. da Conceição (Alm. Tamandaré):
    Quarta-f. (08.04) 09.30hs.
    – S. Terezinha de Lisieux
    (Colombo):
    Quarta-f. (08.04) 15:00hs
    – N.S. da Boa Esperança
    (Pinhais):
    Quinta-f. (09.04) 09:30hs.
  • Área Centro-oeste
    – Catedral N. S. da Luz
    Quarta-f. (08.04) 09.30hs.
    – Sto. Antonio (Orleans)
    Quarta-f. (08.04) 15:00hs.
    – N. S. Piedade (C. Largo)
    Quinta-f. (09.04) 09:30hs
  • Área Sul
    – Santuário São José
    (Capão Raso):
    Quarta-f. (08.04) 09.30hs.
    – Sant. Div. Misericórdia
    Quarta-f. (08.04) 15:00hs.
    – Sant. N. S. do Carmo Quinta-f. (09.04) 09:30hs
  1. Os participantes lá estarão em caráter representativo, ou seja, apenas um de cada paróquia (somente presbíteros). A idade não deverá ser superior a 65 anos, ou menos conforme as disposições de saúde. Celebraremos usando máscaras. Por isso mesmo não deverá transmitida. Guardaremos as necessárias distâncias físicas entre os presentes. Haverá locais para higiene das mãos, bem como álcool em gel à entrada das igrejas. Se alguém sentir insegurança quanto à saúde não se sinta pressionado a participar. Não está obrigado.
  2. Quanto à retirada dos Santos Óleos os padres deverão se dirigir à Cúria Metropolitana a partir do dia 08.04.

 

TRÍDUO PASCAL

  1. A Congregação para Liturgia e Disciplina dos Sacramentos determinou que bispos e presbíteros devem celebrar o tríduo pascal mesmo sem a presença imediata dos fiéis. Mas é importante que eles sejam comunicados sobre os horários. Sejam também convidados a estar em plena comunhão de oração. Onde é possível, sejam as celebrações transmitidas para que os interessados possam acompanhar ao vivo.
  2. Por razões já apontadas acima, o arcebispo celebrará no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe. Os outros bispos o farão em diferentes comunidades de suas respectivas áreas pastorais.
  3. Se algum catecúmeno adulto desejar realmente o batismo nestes dias pascais o padre pode avaliar o pedido com sensibilidade pastoral. Pode até fazer uma celebração batismal em separado, decidindo sobre o local e horário. Porém, sem aglomeração de pessoas.
  4. Quinta-feira Santa: Seja celebrada em cada paróquia a Missa da Ceia do Senhor. Omite-se o lava-pés. No final não se faz a procissão do translado do Santíssimo Sacramento. Ele deve ser guardado no Sacrário, como de costume. Os padres de uma mesma paróquia concelebrem. Os padres impedidos de celebrar esta Missa, bem como os diáconos, rezem a oração das Vésperas da Liturgia das Horas.
  5. Sexta-feira Santa: Celebre-se a Paixão do Senhor em cada paróquia. Na Oração Universal seja feita uma oração especial pelos doentes, pelos defuntos e pelos enlutados que sofrem perdas familiares. A mesma está transcrita abaixo.
  6. O rito solene da Adoração da Cruz, bem como a coleta para os “Lugares Santos” sejam transferidos para a Festa da “Exaltação da Santa Cruz, no dia 14 de setembro.
  7. Vigília Pascal: Celebre-se a Vigília Pascal em cada igreja paroquial. Não se proceda o rito do “fogo novo”. Apenas se acenda o Círio Pascal (o mesmo esteja já preparado com as incisões e cravos). Não se faça nenhuma procissão. Cante-se (ou reze-se) o “Exsultet”, seguindo-se para a Liturgia da Palavra.
  8. A Liturgia da Palavra segue o modo breve: 3 leituras do Antigo Testamento com os respectivos Salmos e orações; leitura da Epístola e o Evangelho correspondente. Na Liturgia batismal, somente se faça a renovação das promessas batismais, seguindo-se para a Liturgia Eucarística. Os padres de uma mesma paróquia concelebrem. Os padres impedidos de celebrar esta Missa, bem como os diáconos, rezem o Ofício das Leituras indicado para o Domingo de Páscoa.
  9. Os padres residentes nos Seminários ou casas religiosas podem celebrar o tríduo pascal segundo as orientações acima. Sigam-se em tudo os cuidados sanitários que a situação requer. Os que não puderem participar destas celebrações estejam em comunhão pela oração individual da Liturgia das Horas.
  10. Acréscimo para a Oração Universal (seguindo o esquema do Missal Romano, pg. 259, esta seria a oração XI): Para o nosso tempo. Oremos, irmãos e irmãs, a Deus Pai todo-poderoso, que neste tempo difícil de pandemia, sejamos confortados pela vossa infinita Misericórdia, os doentes encontrem o alívio de suas fragilidades, os que partiram sejam acolhidos na eternidade e as famílias enlutadas encontrem o conforto e a paz.

Reza-se em silêncio. Depois o sacerdote diz: Deus eterno e todo-poderoso, fonte da vida e salvação do mundo, concedei a todos enfrentar esse tempo de dificuldade, com o coração sereno, confiando na vossa infinita misericórdia, acolhei no vosso convívio os que partiram e consolai os que sofrem. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

 Dom José Antônio Peruzzo

Dom Francisco Cota de Oliveira

Dom Amilton Manoel da Silva, CP

 

Confira aqui a CARTA em PDF 

 

Em breve, mais informações.

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