Artigo: A Adoração e a Festa de Corpus Christi – Dom Pedro Fedalto

No segundo artigo da série de Corpus Christi, nosso arcebispo emérito escreve sobre a origem da Adoração ao Santíssimo Sacramento e a Festa de Corpus Christi, trazendo também curiosidade sobre a instituição de adoração diária em Curitiba

A ADORAÇÃO E A FESTA DE CORPUS CHRISTI

Por Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, Arcebispo Emérito de Curitiba


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Depois de muitos discípulos abandonarem Cristo, diz o Evangelho: “Então disse Jesus aos Doze: Não quereis também partir? Simão Pedro respondeu-lhe: A quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos e reconhecemos que és o santo de Deus” (Jo. 6, 67-69).Este foi o primeiro gesto de Adoração a Jesus Cristo.

A Igreja Católica sempre adorou a hóstia consagrada na missa. A Igreja primitiva, até a Alta Idade Média conservava as hóstias consagradas na sacristia ou numa capela da igreja com a finalidade de serem levadas aos doentes no Sacramento da Unção dos Enfermos.

Origem da festa do Santíssimo Sacramento e Corpus Christi.

A origem da festa do Santíssimo Sacramento deve-se à Santa Juliana. Nascida na França, em 1193, aos quinze anos, em 1208, ingressou na Ordem Agostiniana Contemplativa. No ano seguinte, 1209, começou a ter visões, solicitando a festa do Santíssimo Sacramento. Em 1230, confiou estas visões ao Arcebispo de Liege, Dom Jacques Pantalêon, francês. A 29 de agosto de 1261, foi eleito Papa com o nome de Urbano IV. O Padre boemio Pedro de Praga, em Bolsena, Itália, duvidou da transubstanciação da hóstia e vinho, no corpo e sangue de Cristo. Ao partir a hóstia consagrada, saiu sangue, ensopando o Corporal. O Papa Urbano IV, tendo casa de verão, em Orvieto, encontrando-se ali, ordenou que o corporal com o sangue de Cristo fosse levado em procissão, até a Catedral de Orvieto. Foi a primeira procissão eucarística, a 19 de junho de 1264.

O Papa Urbano IV deu a esta procissão o nome de Corpus Christi. Com a Bula “Transiturus Hoc Mundo” instituiu a festa de Corpus Christi, a 08 de setembro de 1264. Ele mesmo incumbiu Frei Tomás de Aquino, dominicano e Frei Boaventura, franciscano, de escrever uma síntese sobre, a doutrina da Eucaristia. Coube a Frei Tomás de Aquino ler em primeiro lugar seu escrito sobre a Eucaristia. Terminada a leitura do escrito, chamado Pange Língua (cf i Vescovi de Roma, Urbano IV, página 197, 6ª Edizione, 1986) Frei Boaventura rasgou sua síntese.

Até hoje, a última parte, “Tantum ergo Sacramentum” (Tão Sublime Sacramento), é cantada, entes da Bênção do Santíssimo Sacramento. Os dois religiosos morreram no mesmo ano no Concilio de Lyon, França: Santo Tomás de Aquino, convidado para o Concilio, morreu na viagem, a 07 de março de 1274, com 42 anos e São Boaventura, durante o Concilio, a 14 de julho de 1274, com 52 anos. O IIº Concilio de Lyon, França, foi convocado pelo Papa Gregório X e presidido por ele. Começou a 07 de maio de 1274, com 500 Bispos, 60 Abades e terminou, a 17 de julho de 1274, com 31 Constituições aprovadas.

Há dioceses com igrejas, onde há adoração diária e noturna ao Santíssimo Sacramento.

Dom Manuel da Silveira D’Elboux, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, empossado, a 08 de dezembro de 1950, como um primeiro ato, instituiu a Adoração diária ao Santíssimo Sacramento, a 25 de março de 1951, na Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco das Chagas.

A 07 de novembro de 1965, estando na majestosa e artística Catedral de Orvieto, visitei a Capela do Santíssimo Sacramento com o Corporal e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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