Escuta Solidária por telefone tem contribuído para levar paz a pessoas que sentem o peso do isolamento

A Arquidiocese de Curitiba mantém em funcionamento desde abril deste ano um serviço telefônico voltado para ouvir o próximo nos momentos de dificuldades

phone_mobile_phone_mobile_communication_connection_call_telephone_apparatus-645095
Pessoas que sentem o peso do isolamento social, que sentem-se sós ou abaladas podem ligar para o telefone (41) 3550-0003. Do outro lado da linha estará um voluntário participante de serviços pastorais de paróquias que Curitiba, preparado para ouvir e acolher a ligação de todos que queiram desabafar. “Após mais de 100 dias de isolamento social, as pessoas vão enfrentando mais dificuldades de lidar com o que lhes incomoda. Não oferecemos um aconselhamento, mas sim uma escuta solidária, um ouvido amigo, para as pessoas poderem retirar um pouco o peso que sentem neste momento e perceberem que todos somos especiais”, comenta a psicóloga Mara Avelino, uma das coordenadoras do serviço.

O serviço passou a atender nas primeiras semanas uma média de 50 ligações por dia, segundo relatos dos voluntários. As ligações chegam não apenas de Curitiba mas também de outras localidades do Brasil. “A gente percebe que muitas pessoas querem realmente desabafar, comentar sobre situações que lhe trazem sofrimento. Falam da pandemia, das incertezas familiares, incertezas financeiras e não são apenas idosos, como costumamos imaginar, mas pessoas de várias idades. Nossos voluntários escutam e acolhem a todos”.

São cerca de 70 voluntários, incluindo pessoas que já participavam de serviços pastorais de acolhida nas paróquias e também os voluntários da Província Marista Centro-Sul, parceira no projeto. “Os voluntários maristas são pessoas que já frequentam os cursos de Acompanhamento Espiritual e que aceitaram o convite para ingressarem na escala de atendimento da Escuta Solidária, participando do treinamento com a coordenação”, explica Flávia Rodrigues Lopes, integrante da coordenação de missão e vocação da Província.

Flávia Rodrigues, voluntária marista na Escuta Solidária
Flávia Rodrigues, voluntária marista na Escuta Solidária

As situações atendidas são diversas, mas sigilosas justamente para dar confiança a quem precisa falar sobre assuntos que lhes afligem. “Apesar de lidar com assuntos muitas vezes delicados, o que predomina entre os voluntários é o grande contentamento em fazer parte de algo tão sutil, mas tão importante para as pessoas, que é ouvir o próximo”, comenta Mara Avelino, acrescentando: “Muitos voluntários dizem que jamais imaginariam ser essa ponte capaz de levar paz para quem está tão distante fisicamente”. Para ela, o grande mérito do serviço de escuta solidária está em ser instrumento de tranquilidade e paz. “As pessoas que ligam agradecem muito ao final, sabendo oque encontraram um lugar para desabafar”.

Para o coordenador da Comissão de Comunicação da Arquidiocese de Curitiba, padre Luiz Kleina, é justamente no sentimento de empatia e de solidariedade ao próximo que está fundamentada essa escuta: “apesar da distância física, o projeto demonstra que é possível estabelecer relações de proximidade e confiança a partir da escuta ativa e que é possível ser solidário e fazer gestos de amor ao próximo, mesmo sem ver a quem”.

O contentamento em ouvir o próximo é compartilhado entre todos que atuam no projeto, como diz a representante dos maristas, Flávia, que também é voluntária na escuta: “Fazer o acompanhamento através da escuta é deixar marcado no outro a convicção de que sua vida é importante e tem sentido. É despertar nele a certeza de que ele é um tesouro e que se ainda não foi descoberto, vamos descobrir juntos. É uma atitude evangélica que nos faz muito felizes!”

Escuta Solidária
Acolhimento por telefone neste período de isolamento social:
(41) 3550-0003
Todos os dias das 6h às 22h30.

Curta Nosso Facebook
Comissões Pastorais

Boletim Informativo