Reunião de partilha dos participantes paranaenses na 1ª Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe

(Reportagem originalmente publicada em http://cnbbs2.org.br)

Na tarde dessa segunda-feira, 13 de dezembro, foi realizada uma reunião on-line com alguns participantes paranaenses da 1ª Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. Segundo a CNBB, do Paraná participaram 20 pessoas, entre bispos, padres, diácono, religiosos e leigos.

A Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe aconteceu nos dias 21 a 28 de novembro, na modalidade híbrida: presencial na Cidade do México, respeitando os protocolos de saúde estabelecidos para a pandemia da Covid-19; e virtual, que constituiu a grande maioria dos participantes, via plataforma digital. Ao todo, foram mais de mil participantes.

A reunião foi conduzida pelo arcebispo de Londrina e presidente do Regional Sul 2 da CNBB, Dom Geremias Steinmetz, desde a sede do Regional em Curitiba (PR), onde estava reunido com o arcebispo de Curitiba e vice-presidente do Regional Sul 2 da CNBB, Dom Jose Antonio Peruzzo, e o Presidente da Comissão Regional de Presbíteros (CRP), Padre Emerson Lipinski. Participaram on-line: o arcebispo de Maringá, Dom Severino Clasen; o bispo de Paranavaí, Dom Mário Spaki; os padres: Mário Roessler e Geraldino de Proença; e os leigos: Salete Bez, Jardel Lopes e João Paulo Angeli.

Dom Geremias motivou os participantes a partilharem como foi a experiência de participar dessa Assembleia inédita e de grande magnitude. Pediu que fossem destacados pontos positivos e negativos e também feitas proposições para ajudar a Igreja do Paraná a viver o que foi refletido e proposto na Assembleia.

Avaliação

Padre Geraldino, da diocese de Apucarana, que participou representando os padres do Paraná e também as CEBs, foi o primeiro a partilhar, dizendo ter sido um processo muito bonito. Ele destacou que as exposições, no geral, foram muito boas, porém sentiu falta da participação de mulheres nas reflexões. “As poucas falas de mulheres eram de religiosas, não leigas. Então, a participação das mulheres leigas ficou mais restrita à liturgia”, avaliou o padre. Outra questão que ele sentiu falta foi a de uma análise de conjuntura, da partilha da realidade eclesial e estrutural, social, política e econômica da América Latina. Para ele, os trabalhos de grupo também foram muito positivos, apesar da síntese nem sempre condizer com o que o grupo havia refletido.

Para Jardel Lopes, que atua na dimensão social da Igreja, o que foi refletido na Assembleia precisa ser trabalhado na Igreja do Brasil. Uma das questões mais importantes para ele é a sinodalidade. “Não encerrou a Assembleia, nós podemos contribuir mais a partir das contribuições que lá foram dadas”, afirmou.

O Padre Mário Roessler, Missionário do Sagrado Coração (MSC), participou da Assembleia a convite da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), e afirmou ter sido uma experiência gratificante. Para ele, a participação nos grupos foi muito positiva. “No grupo, eu me senti bem representado pelas várias áreas da Igreja: leigos, leigas, religiosos, religiosas, bispos, padres, jovens, idosos”, afirmou. Sobre o que poderia ter sido melhor, Padre Mário refletiu que poderia ter sido aprofundado mais a questão social, econômica e política da América Latina e também sobre como incluir aqueles que estão à margem na Igreja.

“É preciso dar atenção ao primeiro desafio pastoral levantado pela assembleia: o protagonismo dos jovens na Igreja e na sociedade. Depois, outras questões muito importantes foram levantadas, como a ecologia, a inclusão das mulheres, o problema do clericalismo, das divisões. Para mim, é muito difícil caminhar quando tenho lideranças na paróquia que estão contra o Papa, os bispos, a Campanha da Fraternidade. É preciso das graças do Espírito Santo para trabalhar a questão da unidade”, disse Padre Mário.

Dom Mário Spaki disse que a Assembleia foi um acontecimento de extrema importância para a Igreja, mesmo com algumas limitações. “As reflexões foram muito boas, especialmente nos grupos. No entanto, as questões a serem debatidas no grupo eram fechadas, sem a possibilidade do grupo apresentar outras à plenária. Entendo que uma Assembleia desse tamanho tenha esses limites”, disse o bispo.

Para João Paulo, presidente do Conselho Nacional de Leigos – CNBB Sul 2, a Assembleia deu a oportunidade de que os leigos, que são mais de 90% da Igreja, pudessem cobrar questões urgentes, como a participação e uma incidência maior das mulheres. “Outra coisa que me marcou foi perceber a capacidade da América Latina se expressar. Quando se tem o descontamento com algo, não se espera o amanhã, já se começa a lutar. As notas publicadas durante a Assembleia mostraram como a nossa Igreja não aceita mais essa perspectiva hierárquica, que não dialoga. Foi uma experiência única, a primeira que tivemos nesse momento e tornou-se pedagógica para nós”, disse João Paulo. Como leigo, ele concluiu sua fala dizendo que saiu da Assembleia maculado de sonhos. “Vamos fazer esses 12 desafios pastorais serem enfrentados e construir o sonho do Papa Francisco. Uma Igreja sinodal, com a valorização dos leigos, das mulheres, combatendo toda forma de abuso”, concluiu.

Indicada para participar da Assembleia pelas CEBs Nacional, Salete Bez, afirmou que saiu da Assembleia com o sentimento de gratidão. “Foi um momento ímpar, histórico de participação, principalmente para nós leigas, mulheres, foi uma experiência fantástica. No meu entendimento e com algumas pessoas que conversamos, esse parece ser um caminho sem volta: fazer esses processos como igreja, incluindo todos, é o caminhar juntos mesmo”, destacou Salete.

Dom Severino partilhou que a Assembleia trouxe lampejos de muita esperança, de uma Igreja mais aberta, dentro daquilo que o Papa Francisco pede. “Essa Assembleia foi um passo importante como Igreja. No meu grupo tinha uma grande força do laicato. O desafio está lançado, o mais importante é o daqui para frente. Trabalhar o problema do clericalismo, a questão da participação da mulher, a inclusão das minorias foram temas importantes mencionados, apesar da reflexão ainda ter ficado aquém do merecido, mas ao menos foram mostradas. O desafio é daqui para frente, como vamos fazer isso acontecer aqui no Paraná”, disse o arcebispo.

Padre Emerson, em sua partilha, mencionou que a sua angústia é que as luzes dessa Assembleia sejam apagadas. “Temos que ampliar essas reflexões nas paróquias e nas comunidades. Uma Igreja menos clerical, com a participação das mulheres, das minorias. É preciso, agora, que toda Igreja do Paraná tenha conhecimento do que foi refletido nessa Assembleia”, afirmou.

Proposições para a Igreja no Paraná

Na segunda parte da reunião, Dom Geremias motivou os participantes a fazerem proposições de como o que foi refletido e vivido nessa Assembleia pode ser trabalhado na Igreja do Paraná. Destacou que é preciso buscar formas para que aqueles 12 desafios pastorais, apresentados na conclusão da Assembleia, sejam enfrentados na realidade do Paraná.

Foram várias as propostas apresentadas pela equipe, todas destacando a necessidade de que o que foi refletido nessa semana de Assembleia chegue ao maior número possível de católicos, especialmente aqueles que estão em cargos de liderança.

Salete sugeriu a realização de seminários, presenciais e on-line, para aprofundar a questão dos desafios pastorais. “As pastorais, movimentos e organismos, em nível regional, precisam se debruçar sobre as questões dos desafios”, afirmou.

Não perder a oportunidade histórica de caminhar como povo de Deus, de fortalecer a sinodalidade, propôs João Paulo. “Precisamos continuar nos reunindo para refletir juntos: bispos, conselho de presbíteros, vida religiosa, leigos. Isso dá o caráter sinodal da Igreja, que visa o discernimento feito por todos”, afirmou. João Paulo destacou ainda que o documento para o discernimento comunitário também precisa ser aprofundado por mais pessoas, nas comunidades, e que isso precisa ser o logo.

Dom Mário sugeriu que se aproveite o período da Quaresma para promover encontros, seminários e momentos de escuta, convocando lideranças e agentes por feixes de pastoral. “Fazer lives, convocando grupos específicos para refletir e partilhar. Encontros com padres, diáconos, com cada pastoral, movimento e organismo. Acho que seria um repasse digno de tudo que vivemos”, sugeriu Dom Mário.

Padre Mário sugeriu que o Regional produza materiais, no modelo das novenas, com reflexão e oração, para ser espalhada nas comunidades. “Poderíamos motivar as comunidades a rezar esses desafios pastorais, refletir sobre eles e tomá-los como seus”, afirmou.

Dom Geremias concluiu a reunião, agradecendo a participação e a partilha de todos, disse que as reflexões e as proposições serão levadas aos bispos do Paraná, a fim de que como Igreja sejam desenvolvidos projetos e ações para vivenciar essa Assembleia, rumo ao Sínodo dos Bispos. O arcebispo disse também que conta com a colaboração de todos os que participaram dessa Assembleia para fazer chegar esses conteúdos aos cristãos católicos do Paraná.

(Karina de Carvalho – Assessora de Comunicação da CNBB Sul 2)

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