O Senhor Ressuscitou…O que isso diz a mim?

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Reflexão sobre a Fé nesta época em que se aproxima a Páscoa do Senhor. Por Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo de Curitiba

Mais uma vez a Páscoa do Senhor Jesus Cristo nos alcança. O calendário é cíclico, retratando o movimento do tempo. Nele estamos inseridos. E vivemos em ritmo tão agitado que quase não atinamos para os grandes significados que as datas apontam. Se nós cristãos nos perguntássemos sobre os grandes influxos que a celebração pascal de 2018 desencadeou em nossa vida, provavelmente teríamos pouco a falar. Tudo foi tão rápido, também superficial, que a rotina se impôs, o tempo passou, e pouco conseguimos dizer sobre o que ele significou. Ainda menos teríamos a mencionar sobre o quanto influenciou.

Mas esta voragem pode ser rompida. Tratar-se-á, porém, de um projeto pessoal a assumir. E começa por uma indagação muito exigente, ainda que pareça bastante simples: em que grau a fé que professo incide nas minhas escolhas, nos meus critérios e nos meus comportamentos? É neste âmbito que a fé confere sentido à vida, às relações, ao tempo e às nossas opções decisivas. Uma pergunta assim leva-nos à busca de espiritualidade, move-nos a retomar os grandes valores que contam, inspira-nos a muitas revisões a partir da nossa interioridade. Seguindo ainda um novo passo, a reflexão concita-nos a perguntar sobre o que a Ressurreição de Jesus pode ressuscitar em nós. E pequenos projetos de vida podem surgir.

Para quase tudo se pedem projetos e metas. Se alcançadas, a pergunta seguinte versa sobre as possíveis melhoras. Se não alcançadas, a interrogação é pelas causas. Algo semelhante vale para a nossa relação com a pessoa de Jesus Cristo. Somo chamados a uma sincera e singela revisão se o nosso modo de crer tem efetividade em nosso quotidiano. Falando de outro modo, se crer nele interfere em nossa sensibilidade e reações ante o sofrimento dos outros; se seguir Jesus modela e modera nossas palavras; se a amizade com ele nos inspira a gestos de conversão, de reconciliação, de paz, de justiça. Não é tão desafiador cultivar uma forte religiosidade. Mas mudanças a partir de dentro de nós, isso só acontece em casos de conversão. A simples prática religiosa, por ela mesma, também pode entorpecer.

Por onde começar? O Papa Francisco tem algumas sugestões muito práticas. Sua exortação apostólica Gaudete et Exultate (“Alegrai-vos e Exultai”) recomenda-nos a partir de atitudes quotidianas: evitar a maledicência; exercer a cordialidade gratuita, especialmente com pessoas tidas por difíceis ou “chatas”; olhar para a dor do outro a partir do outro, sem pré-julgamentos; aprender a escutar. Aliás, os que passam a ouvir e compreender a voz de quem sofrem, passam a sentir muito mais “fome e sede de justiça”. É o discernimento das bem-aventuranças. A tais experiências Francisco chama de caminho para a santidade.

O comércio se prepara para a Páscoa; os turistas se programam para os “feriados” destes dias; os órgãos de segurança mobilizam seus aparatos; as praias e os centros de lazer estarão em grandes movimentos. E a nós, cristãos e católicos, o que a Páscoa do Senhor Jesus nos propõe? A pergunta não tem novidades. Mas a resposta requer caminhos de conversão. Afinal, não são os outros o grande empecilho para “ouvir a voz do Senhor”.

Dom José Antonio Peruzzo

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