Vocação à Santidade

“Com datação de 19 de março deste ano, dia de São José, foi publicada a exortação apostólica do Papa Francisco sob o título Gaudete et Exultate: “Alegrai-vos e exultai”. Ela lembra a Mt 5,12. Ao final das bem-aventuranças o Senhor, numa espécie de conclusão e de exortação, oferece aos discípulos o sentido conclusivo do caminho de quem quer ser bem-aventura: uma grande recompensa da parte de Deus.

Ao longo da história, muito se falou sobre a santidade. Com grande frequência, associou-se santidade com a perfeição de quem não erra. Mas também houve muitas e felizes correções, estas inspiradas nas bem-aventuranças. Santidade passou a ser compreendida como a “perfeição” de quem muito ama. E as bem-aventuranças retratam, com extraordinária simplicidade e profundidade, o caminho dos que se deixam modelar pelo Senhor Jesus. É o caminho da santidade recordado pelo Papa Francisco.

Em sua exortação, Francisco, bem ao seu estilo, expressa já ao início que não pretende ocupar-se das melhores definições de santidade, tampouco das formas mais completas de compreensão. Ele mesmo informa o que pretende com seu texto: “O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós ‘para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor’ (cf. Ef 1, 4).”

Sua intenção, como explica, é “fazer ressoar” um chamado. Pretende que a santidade faça parte do cotidiano. Francisco sabe que há desafios, que há riscos. Mas a grande causa é o Senhor e a disposição de fazer chegar o amor de Deus a todas as partes. Depreende-se, logo, que santo não é quem não erra. É quem leva o amor de Deus revelado em Jesus Cristo. Para amar, perdoar e levar a paz, não é preciso muita erudição ou ciência. Trata-se de vivência.

A santidade não se apresenta como uma temática entre as mais lembradas nas reflexões até mesmo de caráter pastoral. Sim, falamos de projetos evangelizadores, de meios, de métodos, de processos participativos… Quanto discurso. Sim, tudo isso é necessário. Tem sua relevância. Mas, escrevendo em um modo muito pessoal, Francisco coloca ante nossos olhos: “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir”. A este cotidiano esquecido, ele chamou de “santidade ao pé da porta”.

Para quem está todos os dias a se deparar com notícias amargas, quase sempre “devotadas” à violência e à corrupção, que fazem pensar que a história humana se avizinha do abismo, eis que Francisco, sem rumores, mas buscando exemplos entre realidades humildes da vida, lembra que as experiências de santidade podem ser vividas na conversa de vizinhas que se encontram no supermercado, ou na atenção singela da mãe pela sua criança. O pensamento não é novo, mas a reflexão assemelha-se ao ensino afetuoso de um bom vovô. Por isso mesmo, recomendo vivamente que leiamos a exortação apostólica do nosso querido Papa Francisco”.

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