Pastoral Carcerária Arquidiocesana retoma visitas às cadeias

Na última quinta-feira (28), uma equipe da Pastoral Carcerária da arquidiocese iniciou as visitas pastorais às pessoas presas na Cadeia Pública de Curitiba, no bairro Cidade Industrial (CIC). Os agentes de pastoral aguardavam a diminuição da gravidade da atual pandemia de COVID-19.

Devido às restrições impostas pela pandemia, a principal atividade da Pastoral Carcerária ficou suspensa por dois anos. Na Arquidiocese, este tempo foi aproveitado para formação on-line de novos agentes e atenção às famílias que convivem com o sistema de justiça, garantindo uma presença qualificada nas unidades prisionais e fortalecendo a solidariedade entre grupos de familiares, amigos e sobreviventes do sistema prisional. Em diálogo com os gestores da Cadeia Pública foi autorizada a entrada dos agentes de pastoral para visitar as pessoas presas na unidade.

Testemunhos dos agentes de pastoral

Leila comenta que em sua primeira visita teve uma experiência indescritível com os privados de liberdade, fruto de um verdadeiro chamado de Deus: “Iniciei a formação ao longo de 2 anos e ouvindo os relatos e experiência daqueles que já faziam parte desse trabalho, fui entendendo o sentido e a grandiosidade da Pastoral e ao mesmo tempo a necessidade de fazer alguma coisa, ainda que pequena, em prol dos privados de liberdade”.

O coordenador arquidiocesano, Lucas, destaca que “a Pastoral Carcerária quer estar presente em todas as unidades, escutando e vendo a pessoa presa como filho e filha de Deus, pois é Cristo que está preso e clama por liberdade”. Márcio, que escolheu esse serviço pastoral inspirado em São Luís Orione e pela primeira vez fez uma visita às pessoas presas, ficou impressionado com as condições desumanas de encarceramento: “as celas eram minúsculas, sem ventilação e luz solar e extrapolavam a capacidade de 12 pessoas para até 20 numa mesma cela”.

O trabalho da Pastoral Carcerária

A missão da pastoral é evangelização e promoção da dignidade humana por meio da presença da Igreja nos cárceres através das equipes de pastoral, na busca de um mundo sem cárceres. Na arquidiocese, a pastoral busca ser presença da Igreja nos cárceres e trazer a questão carcerária para dentro da Igreja, revitalizando a sensibilidade eclesial e social da fé para os problemas do encarceramento. Trabalha-se, também, em conjunto com a Diocese de São José dos Pinhais, onde se localiza o maior complexo prisional do estado, em Piraquara.

Agentes da Pastoral Carcerária: Márcio, Lucas e Leila, na Cadeia Pública de Curitiba (PR).
Agentes da Pastoral Carcerária: Márcio, Lucas e Leila, na Cadeia Pública de Curitiba (PR).

O território da arquidiocese possui três cadeias públicas – Colombo, Curitiba e Campo Largo – e duas unidades penais – CMP, em Pinhais, e CCC, na saída de Curitiba para Araucária. Além desta equipe na Cadeia Pública de Curitiba, há também agentes de pastoral na Paróquia Nossa Senhora do Amparo que visitam pessoas presas na Cadeia Pública de Rio Branco do Sul.

:: Saiba mais sobre a Pastoral Carcerária

Seja um(a) voluntário(a)

Para ser agente de Pastoral Carcerária a pessoa precisa ter mais de 18 anos, participar da formação inicial e frequentar as atividades realizadas ao longo do ano, como retiros, seminários, assembleias, etc. Pessoas interessadas podem entrar em contato pelo e-mail pastoralcarcerariacuritiba@gmail.com.

Além das visitas pastorais às pessoas presas, a Pastoral Carcerária também acolhe e acompanha familiares de pessoas presas e compõe a Frente Estadual pelo Desencarceramento do Paraná, movimento que reúne diversos coletivos e organizações ao redor dos 10 pontos da Agenda Nacional pelo Desencarceramento.

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Pastoral Carcerária Arquidiocesana