Paulo e Elvia falam das experiências vividas no X Encontro Mundial das Famílias

De 22 a 26 de junho, Roma sediou o X Encontro Mundial das Famílias e o casal Paulo Honório dos Reis e Elvia Maria Batista Reis participaram das audiências representando a Arquidiocese de Curitiba. Eles são casados há quase 40 anos, têm três filhos e um neto, e já foram coordenadores da Pastoral Familiar por três anos. Atualmente, participam na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, como agentes da Pastoral Familiar atuando nos Encontros Personalizados de Noivos em Preparação ao Sacramento do Matrimônio.

Como eles ainda não retornaram ao Brasil, a equipe de comunicação da Arquidiocese fez uma entrevista em áudio com o casal. Confira!

Entrevista

“Olá irmãos e irmãs, ainda estamos digerindo todas as maravilhas e emoções vividas neste X Encontro Mundial das Famílias, mas vamos tentar repassar para vocês com fidelidade alguns desses momentos.”

Paulinho e Elvia

ARQ. Esse foi o primeiro Encontro Mundial das Famílias que vocês participaram. Como foi a experiência, já que  participam há tantos anos da Pastoral Familiar?

Com a nossa experiência em Pastoral Familiar achávamos que o encontro seria bom e que poderíamos aprender e evoluir. Mas ele foi muito além. Não era só um aprendizado profundo que estava por vir. Com o sopro do Espírito Santo, vieram também a companhia e a animação de pessoas abençoadas, amigas de Deus, que fizeram de sua vida a grande oração e serviço a Ele. Pessoas comuns, pessoas de verdade, pessoas com suas realidades particulares, suas histórias de vida. Que trouxeram consigo seu sorriso e sua alma… Clérigos, leigos, todos devotos, todos plenos de amor na promoção de uma generosa criação de Deus: a família. No fim, aceitar os caminhos de Deus é sempre lucrativo. A expectativa era de um encontro bem vivido. Os marinheiros novos, aprendendo a tocar o barco, ganharam muito mais. Acharam por assim dizer, outro precioso tesouro de Deus: a acolhida afetiva. Uma experiência única que só somou a tudo que já vivemos na Pastoral Familiar, reforçando e fortalecendo nossa fé e ardor missionário. Damos graças por tudo ter sido assim.

ARQ. Dos muitos testemunhos de família ouvidos ao longo desse encontro, qual foi o mais marcante?

O testemunho mais marcante para nós foi o do casal Daniel e Leila, da Austrália, com sete filhos. Em uma tarde, as crianças foram comprar sorvete, em uma rua tranquila. Um motorista bêbado e drogado, dirigindo um carro com velocidade três vezes acima da permitida, atropelou e matou quatro crianças. Entre elas, três filhos deste casal e a sobrinha. O pai foi o primeiro a chegar ao local do acidente e disse que parecia um cenário de guerra. A mãe chegou e, como uma sobrinha estava na ambulância precisando de cuidados urgentes, foi acompanhá-la ao hospital. Lá ficou sabendo da morte de seus filhos. Mesmo em choque, no dia seguinte, ela foi ao local do acidente e, em meio às flores que ali estavam, ela começou a rezar. Rapidamente o local encheu de gente. A imprensa também veio e foi entrevistá-la e ela disse que não tinha ódio do motorista e o perdoava, mas que o tribunal deveria ser justo. O pai demorou alguns dias para perdoar e depois eles ajudaram os filhos também a perdoar. Essa atitude teve enorme repercussão na Austrália e no mundo. As notícias eram mais sobre a fé e o perdão do que sobre a tragédia. No ano seguinte, o governo australiano instituiu o dia 1º de fevereiro como o Dia do Perdão e hoje, em vários países também. Ele disse uma frase para encerrar: ‘O perdão é o caminho da santidade, é muito mais gratificante para quem dá o perdão do que para quem o recebe.’

ARQ. O tema do encontro foi “Amor em família: vocação e caminho de santidade”. Como foi abordada essa questão de viver a santidade dentro do matrimônio?

Tomando posse da graça que contém o sacramento do matrimônio que muitas vezes não nos damos conta. Deixar o eu e incorporar o nós. Conforme o Dicastério, o Espírito Santo desce na relação de amor dos esposos para transformar a sua capacidade de amar até torná-los santos juntos. Já o Amoris Laetitia nos diz: ‘a comunhão familiar bem vivida é um verdadeiro caminho de santificação na vida ordinária. O caminho para a santidade está em reconhecer a Cristo nas nossas relações cotidianas – preocupações, aflições, doenças, decepções, alegrias – mantendo o olhar fixo em Deus.’ Para nortear, foram citadas práticas na família: Atender a necessidade do outro nas suas especificidades, em família; tempo específico; rezar em família, disciplina baseada no amor. Completando com o Dicastério para os Leigos: há uma diferença entre um casamento bom e um casamento santo. No casamento bom os esposos esforçam-se para se amarem. Já o casamento santo, os esposos põem os seus esforços nas mãos de Deus e assim o seus gestos vão além daquilo que sabem fazer mostrando o que Deus sabe fazer.

ARQ. Qual é o principal direcionamento do Papa Francisco, durante este encontro, que podemos aplicar em nossas paróquias da Arquidiocese?

O principal direcionamento apresentado pelo querido e abençoado Papa Francisco, chama a todos os cristãos, leigos e consagrados para a corresponsabilidade de cuidar uns dos outros conforme descrito e detalhado na mensagem de envio missionário das famílias:

‘Queridas famílias,
convido vocês a continuarem o caminho
escutando o Pai que chama vocês:
tornem-se missionários nos caminhos do mundo!
Não caminhem sozinhos!
Vocês, jovens famílias, busquem ser guiadas por quem conhece o caminho,
vocês que estão mais à frente, tornem-se companheiras de viagem para os outros.
Vocês que estão perdidos por causa das dificuldades,
não se deixem vencer pela tristeza,
confiem no amor que Deus colocou em vocês,
supliquem ao Espírito todos os dias para revivá-lo.
Anunciem com alegria a beleza de ser família!
Anunciem às crianças e aos jovens a graça do matrimônio cristão.
Deem esperança a quem não a tem.
Ajam como se tudo dependesse de vocês,
sabendo que tudo deve ser confiado a Deus.
São vocês a “costurar” o tecido da sociedade e de uma Igreja
sinodal, que cria relações, multiplicando o amor e a vida.
Sejam sinal do Cristo vivo,
não tenham medo do que o Senhor pede a vocês,
nem de serem generosos com Ele.
Abram-se a Cristo, ouçam-no no silêncio da oração.
Acompanhem os mais frágeis
cuidem dos solitários, refugiados, abandonados.
Sejam a semente de um mundo mais fraterno!
Sejam famílias com um coração grande!
Sejam o rosto acolhedor da Igreja!
E por favor, rezem, rezem sempre!
Que Maria, nossa Mãe, socorra vocês quando não houver mais vinho,
seja um companheira no tempo do silêncio e da provação,
ajude vocês a caminhar junto com seu Filho Ressuscitado.’

(Papa Francisco)

ARQ. Qual a mensagem que vocês dariam para quem se prepara para constituir uma família?

Queridos noivos, o sacramento do matrimônio é repleto da graça de Deus. Para que não a percamos e sendo um sacramento indissolúvel é necessário uma intensa, profunda e comprometida preparação que não pode ser realizada em poucos dias. Afinal, estamos falando de uma nova família a ser formada que buscará a santidade. E para se chegar a santidade os que Deus põe a nossa disposição são sempre os mesmos: oração, sacramentos, busca e entrega ao divino, gestos de caridade e de serviço ao próximo.

ARQ. Como os agentes pastorais que atuam diretamente com as famílias podem se preparar melhor para esta missão?

Uma percepção que nós tivemos é que 95% dos casais citaram a Amoris Laetitia. Isso significa que nós que estamos envolvidos com a Pastoral Familiar precisamos ter essa Exortação Apostólica como livro de cabeceira. Então essa é a dica, para que todos nós procuremos conhecer melhor, ler mais, dedicar-se ao que está escrito na Amoris Laetitia para ajudar as nossas famílias. Outro livro que foi indicado por eles é “A santidade nas famílias e no mundo”. Na parte de trás do livro está escrito assim: No intuito de oferecer a Pastoral Familiar um percurso que mostra a beleza da vocação ao matrimônio e à família como caminho de santidade. A sugestão é que as pastorais de cada paróquia possam comprar alguns exemplares para formação de seus agentes. Assim, vamos entendendo, cada dia mais que a santidade não é só para um ou para o outro, é para todos. Todos nós somos chamados a santidade. Um abraço e fiquem com Deus!

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Por

Setor de Comunicação da Arquidiocese de Curitiba

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