Curitiba completa 125 anos da instalação de sua Diocese: “porção do povo de Deus”

Hoje, 30 de setembro de 2019, a Arquidiocese de Curitiba completa os 125 anos de sua instalação, à época como Diocese.

A posse de seu primeiro bispo, Dom José de Camargo Barros, foi realizada no dia 30 de dezembro de 1894, celebrada com procissão saindo da Igreja do Rosário em direção à então Igreja Matriz de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, tornada, a partir dessa data, Catedral Diocesana de Curitiba.

A imagem é da Catedral em sua inauguração, em 1893- um ano antes da posse do primeiro bispo. Acervo da Biblioteca Nacional
A imagem é da Catedral em sua inauguração, em 1893, um ano antes da posse do primeiro bispo. Acervo da Biblioteca Nacional
  • Para comemorar este importante marco na história da Igreja Católica no Paraná, o arcebispo, Dom José Antônio Peruzzo, celebrou missa no sábado, dia 28 de setembro, às 9 horas na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. A missa também marcou o encerramento do Ano Jubilar pelos 350 anos da primeira paróquia de Curitiba e foi o momento oficial de lançamento do Mês Missionário Extraordinário na Arquidiocese de Curitiba.

Sobre os 125 anos da Diocese:

A primeira igreja fundada em Curitiba foi a Paróquia Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em 1668, na Praça Tiradentes e sua história fez parte da fundação da própria cidade. No Paraná, a paróquia de Nossa Senhora do Rocio de Paranaguá já havia sido constituída em 5 de abril de 1655 e era então a paróquia mais ao Sul do Brasil. Desde essa época, a Igreja do Paraná esteve sob jurisdição canônica de outras dioceses, sendo de 1551 a 1575 da diocese de São Salvador; de 1575 a 1745, da Prelazia e depois diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro; e de 1745 a 1892 da diocese de São Paulo.

O contexto para a criação da diocese de Curitiba como a primeira do Paraná era de atraso na evangelização, devido, entre outros fatores, ao próprio crescimento populacional e a falta de novas paróquias e dioceses no Brasil. Um decreto do Papa Leão XIII de 27 de abril de 1892 criou então as Dioceses de Curitiba, Manaus, Paraíba e Niterói e elevou o Rio de Janeiro à Arquidiocese. O território da recém-criada Diocese de Curitiba abrangeria os estados do Paraná (desmembrado da Diocese de São Paulo) e de Santa Catarina (desmembrado da Arquidiocese do Rio de Janeiro). A Diocese de Curitiba teve sua instalação canônica somente em 30 de setembro de 1894, com a posse do primeiro bispo, Dom José de Camargo Barros.

Atualmente, a Arquidiocese de Curitiba é governada pelo seu oitavo bispo, Dom José Antônio Peruzzo – sexto arcebispo considerando a elevação da diocese à condição de Arquidiocese em 1926.

É composta por 143 paróquias, divididas entre 11 municípios (Curitiba, Almirante Tamandaré, Balsa Nova, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Itaperuçu, Palmeira, Pinhais, Porto Amazonas e Rio Branco do Sul) e conta, além do arcebispo, com dois bispos-auxiliares: Dom Amilton Manoel da Silva e Dom Francisco Cota de Oliveira.

BISPOS E ARCEBISPOS DA HISTÓRIA DA (ARQUI)DIOCESE DE CURITIBA

 

  • Dom José de Camargo Barros (1858-1906)dom-jose-de-camargo-barros
    • 1º Bispo (1894-1904)

Nasceu em Indaiatuba, São Paulo. Em 16 de janeiro de 1894 foi nomeado pelo papa Leão XIII como primeiro Bispo Diocesano de Curitiba, tendo sua ordenação episcopal acontecido em Roma em 24 de junho do mesmo ano. Assumindo e instalando a Diocese de Curitiba, teve por preocupação a criação do Seminário São José, para a formação dos sacerdotes, sobretudo tendo em vista a falta de padres em sua diocese (das 39 paróquias e curatos no Paraná, 12 estavam vagas; e das 39 paróquias/curatos em Santa Catarina, 24 estavam vagas). Em 1904 foi transferido como Bispo de São Paulo. Faleceu no dia 4 de agosto de 1906, em retorno de viagem a Roma, na altura do Cabo de Palos, na costa da Espanha, no naufrágio do “Sírio”, navio em que viajava.[1]

 

  • Dom Duarte Leopoldo e Silva (1867-1938)dom-duarte-leopoldo-e-silva
    • 2º Bispo (1904-1907)

Nascido em Taubaté, São Paulo, foi ordenado bispo para a Diocese de Curitiba em Roma, aos 22 de maio de 1904, nela empossado a 2 de outubro do mesmo ano. Tal qual seu antecessor, visitou com afinco as paróquias mais remotas do território diocesano e ajudou a organizar a criação da Diocese de Florianópolis. Em 1907, tomou posse da Diocese de São Paulo, sucedendo a Dom José de Camargo Barros, sendo seu primeiro Arcebispo Metropolitano a partir de 1908. Faleceu a 13 de novembro de 1938, e está sepultado na Catedral Metropolitana de São Paulo, por ele idealizada em 1912.[2]

 

  • Dom João Francisco Braga (1868-1937)dom-joao-francisco-braga
    • 3º Bispo (1908-1926) e 1º Arcebispo (1926-1935)

Nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Em 1902 foi nomeado Bispo de Petrópolis, sendo sua ordenação episcopal a 24 de agosto desse ano, em Porto Alegre. Em dezembro de 1907 foi nomeado terceiro bispo de Curitiba, empossado a 17 de fevereiro do ano seguinte. Aos 6 de setembro de 1909, oficiou a Solene Dedicação da Catedral. Ajudou a organizar os territórios das dioceses de Ponta Grossa e Jacarezinho e da Prelazia de Foz do Iguaçu, ao mesmo tempo em que, tornado Arcebispo Metropolitano em 1926, proclamou Curitiba “Arquidiocese de Maria”. Em 1931, mandou construir com recursos próprios a atual sede da Cúria Metropolitana, à época projetado como Palácio Arquiepiscopal. Adoentado, teve sua renúncia aceita em 1935, aos 67 anos. Faleceu em 1937, e foi sepultado no deambulatório da Catedral Diocesana de Petrópolis.[3]

 

  • Dom Áttico Eusébio da Rocha (1882-1950)dom-atico
    • 2º Arcebispo (1936-1950)

Natural de Inhambupe, Bahia, foi nomeado Bispo de Santa Maria em 1922, tendo sua ordenação episcopal acontecido a 15 de abril do ano seguinte em Salvador. Em 1929 foi transferido como primeiro bispo da Diocese de Cafelândia, e em 1935 foi nomeado segundo Arcebispo Metropolitano de Curitiba, empossado a 7 de março de 1936. Foi responsável pela construção do prédio anexo da Catedral em 1947-1948, depois que em 1945 o alargamento da Rua Barão do Serro Azul demoliu vários edifícios, entre eles a Casa Canônica. Construiu o Seminário São José no bairro do Seminário. Faleceu aos 11 de abril de 1950, jazendo na Capela do Santíssimo da Catedral Basílica.[4]

 

  • Dom Manuel da Silveira D’Elboux (1904-1970)dom-manuel-da-silveira-delboux
    • 3º Arcebispo (1950-1970)

Nascido em Itu, São Paulo, em 1940 foi nomeado Bispo Auxiliar de Ribeirão Preto, tendo sua ordenação episcopal acontecido a 31 de março daquele ano em São Paulo. Em 1950, foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Curitiba, empossado a 8 de dezembro desse ano. No primeiro ano de sua administração transformou a Igreja da Ordem em templo de adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento. Em 1952 empossou o Cabido Metropolitano. Convocou o Congresso Eucarístico Provincial do Paraná em 1953, para comemorar o Centenário da Emancipação Política do nosso estado, e foi o anfitrião do VII Congresso Eucarístico Nacional, em 1960. Em 1959, inaugurou a sede do Seminário São José em Orleans e a Universidade Católica, hoje Pontifícia, no Prado Velho. Faleceu a 5 de fevereiro de 1970, sendo sepultado junto de Dom Áttico na Catedral Basílica.[5]

 

  • Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto (1926)img-dom-pedro-fedalto
    • 4º Arcebispo (1971-2004)

Natural da Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, Paraná, realizou os estudos seminarísticos no Seminário São José de Curitiba, e foi ordenado sacerdote em 1953. Em 30 de maio de 1966 foi nomeado Bispo Auxiliar de Curitiba, ordenado a 28 de agosto do mesmo ano. Com a morte de Dom Manuel em 1970, foi nomeado Vigário Capitular, governando interinamente a Arquidiocese de Curitiba até 28 de dezembro de 1970, quando o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo Metropolitano; foi empossado a 28 de fevereiro seguinte. Solicitou a renúncia canônica em 2004 e hoje reside no Seminário São José em Orleans. Em seu governo, de mais de 33 anos, criou 76 novas paróquias, ordenou 167 sacerdotes, autorizou a abertura de 38 seminários religiosos, construiu a Casa Arquiepiscopal no Mossunguê, e recebeu o papa São João Paulo II nos dias 5 e 6 de julho de 1980.O mesmo papa conferiu o título de Basílica Menor à Catedral, em 6 de julho de 1993, tornando-se, a partir dessa data, Catedral Basílica de Curitiba; e em 8 de agosto de 1995, proclamou oficialmente Nossa Senhora da Luz Padroeira da cidade e Arquidiocese de Curitiba. Em 2016, celebrou o Jubileu de Ouro de sua Ordenação Episcopal.[6]

 

  • Dom Moacyr José Vitti, CSS (1940-2014)g_d_moacyr-vitti-foto-toledo25x38-031
    • 5º Arcebispo (2004-2014)

Natural de Piracicaba, São Paulo, pertencia à Congregação dos Estigmatinos. Foi eleito Bispo Auxiliar de Curitiba em 1987, e em maio de 2002 nomeado Bispo Diocesano de Piracicaba. Retornou à Curitiba em 18 de junho de 2004, nomeado como Arcebispo Metropolitano. Criou o Seminário Propedêutico, o Seminário para os alunos do quarto ano de Teologia e o Colégio Arquidiocesano, junto ao Seminário São José. Criou o Centro de Pastoral Nossa Senhora da Luz e o Centro Administrativo da Mitra, ambos juntos ao Palácio da Cúria Metropolitana. Organizou a Arquidiocese nas Comissões Pastorais e nos Setores Pastorais. Auxiliou na organização da Diocese de São José dos Pinhais e coordenou os trabalhos de restauração artística e arquitetônica da Catedral entre 2009 e 2013. Faleceu repentinamente aos 26 de junho de 2014, sendo sepultado na cripta da Catedral Basílica.[7]

 

  • Dom José Antônio Peruzzo (1960)img-dom-jose-antonio-peruzzo
    • 6º Arcebispo (2015)

Nascido em Cascavel, no Paraná, foi ordenado bispo aos 23 de novembro de 2005 para a Diocese de Palmas-Francisco Beltrão. Em 7 de janeiro de 2015 foi nomeado pelo Papa Francisco Arcebispo Metropolitano de Curitiba, empossado na Catedral Basílica a 19 de março seguinte, Solenidade de São José. Deu continuidade ao projeto de estado permanente de Missão idealizado por seu antecessor. Em sua gestão a Solenidade de Corpus Christi foi incluída nos calendários oficiais do estado do Paraná e do município de Curitiba, sendo celebrada por toda a Arquidiocese como “Festa da Unidade”.[8]

 

[1] FEDALTO, Dom Pedro. História da Igreja no Paraná. Curitiba: edição do autor, 2014, pp. 148-167.

[2] Ibidem, pp. 196-205.

[3] Ibidem, pp. 206-225.

[4] Ibidem, pp. 226-228.

[5] Ibidem, pp. 229-237.

[6] Ibidem, pp. 238-244; Idem. Reminiscências: 90 anos de idade – 50 anos de Bispo. Curitiba: edição do autor, 2017.

[7] Idem. História da Igreja…, pp. 245-248.

[8] Idem. Reminiscências…, pp. 224-225.

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