Reflexão: A celebração dos Fiéis Defuntos

Por Pe. Mario Renato Barão Filho – Coordenador da Comissão Litúrgica

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O hábito cristão de guardar um dia para celebrar os seus falecidos remonta dos primeiros séculos. Já no século II os cristãos rezavam pelos falecidos; no século V, da mesma forma, recomendava-se um dia para rezar por aqueles pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava; o abade de Cluny, em 998, pedia aos monges que orassem pelos mortos, da mesma forma que muitos papas o faziam; somente no século XIII este dia passa a acontecer no dia 2 de novembro para toda a Igreja latina, tornando-se oficial.

Todos os sacramentos têm por finalidade a última páscoa do Filho de Deus, aquela que, pela morte, o fez entrar na vida do Reino. Agora se realiza o que o cristão confessa, na fé e na esperança: “Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir” (Símbolo Niceno-Constantinopolitano). O sentido cristão da morte é revelado à luz do mistério pascal da morte e ressurreição do Cristo, em que repousa nossa única esperança. O cristão que morre em Cristo “deixa este corpo para ir morar junto do Senhor” (2Cor 5,8).

A Igreja que, como mãe, trouxe sacramentalmente, em seu seio, o cristão durante sua peregrinação terrena, o acompanha ao final de sua caminhada, para entregá-lo às mãos do Pai; deposita na terra o germe do corpo que ressuscitará na glória. Dessa forma é importante salientar que o dia de Finados não é a exaltação da morte, mas declaração da memória daquele que se foi, oração para que a misericórdia divina complete aquilo que em vida faltou em virtude de suas misérias e um acontecimento que deve fazer ultrapassar as perspectivas deste mundo e levar os fiéis às verdadeiras perspectivas da fé em Cristo ressuscitado.

Numa cultura em que muitas vezes se nega a reflexão ou até a aceitação da morte a tendência é perceber este dia como triste e que deva ser evitado. A maneira mais adequada é compreender a vida na perspectiva da ressurreição em Cristo; agradecer pelos dons e virtudes daquele que já sei foi (celebrar sua memória); bem como suplicar a Deus misericórdia e perdão pelos pecados que porventura tenha cometido – a oração pelos defuntos é uma virtude, evite-se fazê-lo como superstição ou crendice popular vazia.

Em especial, todo dia 2 de novembro recomenda-se ir a um cemitério e rezar pelos defuntos, buscar a confissão, participar da Celebração Eucarística e comungar. Por fim, rezar nas intenções do Sumo Pontífice. Feitos estes passos a Igreja concede a Indulgência Plenária à alma pela qual rezarmos.

Luto: o período de luto é digno e natural. Estranho seria se não sentíssemos dor ou tristeza pela perda de um ente querido. Da parte da Igreja, que estejamos atentos a ir ao encontro das famílias em luto, ouvindo e apoiando a partir da esperança da vida eterna e celebrando também em comunidade. Em muitas comunidades já existem equipes organizadas para esta necessidade. É igualmente essencial a atenção dos ministros ordenados e extraordinários no atendimento constante das Exéquias. Neste momento a Igreja não pode estar ausente!

 

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