Kung Fu Panda e o chamado que Deus tem para nós

Nessa semana da Oitava da Páscoa, vamos conversar sobre uma das minhas animações favoritas do cinema. Kung Fu Panda! Acabou de ser lançada no cinema, na semana passada, enquanto celebrávamos o Tríduo Pascal, a quarta parte dessa franquia de comédia e aventura, que acompanha a jornada do panda Po, se descobrindo um guerreiro, um mestre e um líder espiritual do Kung Fu.

O primeiro filme foi lançado em 2008 e nele, além de conhecer Po, esse panda desajeitado, que trabalha no restaurante de seu pai, conhecemos também o treinador mestre Shifu e os Cinco Furiosos – Tigresa, Macaco, Garça, Louva-a-Deus e Víbora – um grupo de mestres do Kung Fu que se preparam para que um deles se torne o Grande Dragão Guerreiro e receba o Pergaminho do Dragão, o segredo do poder ilimitado dessa arte marcial. De fato, há muito tempo a Vila da Paz esperava que algum mestre do Kung Fu pudesse receber esse artefato e se tornar o mais poderoso de todos. No dia da cerimônia em que o grão-mestre Oogway vai escolher qual dos Cinco Furiosos se tornaria o Grande Dragão Guerreiro, por obra do destino, a escolha acaba caindo sobre Po, que estava num carrinho vendendo macarrão aos espectadores. Acontece que Po era extremamente desajeitado e sem potencial para as artes marciais, porém, apaixonado pelo Kung Fu. A revolta dos Cinco Furiosos e do mestre Shifu é grande e eles tentam fazer de tudo para convencer Oogway que havia escolhido a pessoa errada.

Ainda assim, Po é acolhido entre os guerreiros e inicia seu treinamento. Acompanhamos, acima de tudo, a perseverança de Po e a aceitação dessa missão. Mesmo sem jeito nenhum, nosso panda não desiste de seu treinamento e sabe que se foi escolhido, ele precisa ser digno de receber o Pergaminho do Dragão. Aos poucos Po vai aprendendo tudo sobre a arte marcial, mas ao final de tudo, descobre que não existe um grande segredo para ser o Dragão Guerreiro. É a sua perseverança e dedicação que o tornam melhor e somente sendo ele mesmo, consegue oferecer a sua melhor versão.

No segundo filme, lançado em 2011, ainda numa jornada de autoconhecimento, o grande objetivo de Po, que agora é reconhecido como Dragão Guerreiro, é alcançar a paz interior. Porém, imagens de seu passado começam a retornar em seus pensamentos e aos poucos ele vai entendendo que é o único panda do Vale da Paz porque toda sua família foi exterminada quando ele ainda era bebê. Como alcançar a paz interior vendo seu vale ser ameaçado e sabendo de todas as feridas que carregava em seu coração? Seguindo essa história, Kung Fu Panda 3 conta a trajetória de Po para se reconectar com sua família, ao descobrir um vale secreto onde vivem outros pandas que sobreviveram ao extermínio. É assim, junto com sua família que Po vai perceber sua verdadeira essência, para conseguir enfim se tornar o maior mestre do Kung Fu e o verdadeiro Dragão Guerreiro. Por fim, nessa última semana, acaba de ser lançado Kung Fu Panda 4, quando Po se torna o líder espiritual de todo Vale e precisa escolher seu sucessor como Dragão Guerreiro, descobrindo o valor da amizade, do arrependimento e do perdão.

Apesar de ser extremamente engraçada, a história desse panda Po nos ensina valiosas lições que podemos usar também no nosso caminho espiritual. Enquanto os Cinco Furiosos e o mestre Shifu discutiam com Oogway sobre ter errado na escolha do Dragão Guerreiro, a tartaruga insistia que não existiam erros e tudo acontecia por uma razão. Ao longo dos outros filmes vamos descobrindo o coração puro e perseverante do panda e tudo vai se tornando claro para a gente do porque aconteceu como aconteceu. A nossa caminhada de fé também é assim. Temos um Deus tão misericordioso, que conhece nosso coração e consegue ver além. Muitas vezes não entendemos porque Deus nos chama, assim como Po não entendia porque era o escolhido. Mas se perseverarmos e formos obedientes ao Deus que nos chamou, Ele pode realizar em nós grandes obras.

E assim como o grande segredo do poder do Dragão Guerreiro sempre foi ser você mesmo, para nós, o grande segredo da nossa vida é apenas ter um coração aberto para acolher a vontade de Deus. Não existe uma fórmula mágica para a nossa Salvação. Ela foi oferecida gratuitamente por Deus. E nesse tempo que vivemos nossa Páscoa, essa deve ser a nossa certeza: temos um Deus que nos ama gratuitamente e que só espera de nós um coração disponível. Sem ideais impossíveis, sem invenções, mas apenas a confiança no Amor de Deus. É esse Deus Ressuscitado que nos guia e nos convida a sermos testemunhas de sua Ressurreição. Mesmo desajeitados, mesmo que nos pareça não possuirmos nenhum dom, tenhamos a certeza que Deus nos conhece e confia em nós. Confiemos também Nele. E apesar de sermos pecadores e muitas vezes errarmos, sempre temos a chance de voltar ao abraço do Pai e recomeçar nosso caminho.

Kung Fu Panda – série de filmes
John Stevenson, Mark Osborne, Alessandro Carloni, Jennifer Yuh Nelson, Mike Mitchell
Animação/Comédia

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Texto escrito pelo padre Tiago Felipe Polonha da Arquidiocese de Curitiba