Museu de Arte Sacra é reaberto após restauro

foto: Daniel Castellano

Ao som de músicas sacras e natalinas, representação da anjos e boneco gigante de São Francisco de Assis, o Museu de Arte Sacra, no Centro Histórico de Curitiba, foi reaberto no final da tarde desta sexta-feira (8), com a presença do arcebispo metropolitano dom José Antonio Peruzzo e do prefeito Rafael Greca. O museu, integrado à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, ficou fechado por um ano para restauro.

foto: Daniel Castellano

“Quão denso de futuro é um passado bem cuidado, porque quem cuida de sua história nunca perde a memória”, disse dom Peruzzo. “Perceber Deus sem a arte, é percebê-lo pela metade”, acrescentou fazendo referência ao restauro do espaço e seu acervo, que inclui imagens, objetos de culto e mobiliários. “Que bom que dom Peruzzo entendeu a importância do legado da fé e deste prédio singular, datado de 1737”, destacou o prefeito Rafael Greca

foto: Daniel Castellano

“A proposta foi resgatar a origem do edifício e, além de recuperarmos pinturas e obras antigas, tivemos condições de tornar o museu dinâmico e interativo”, avaliou o arquiteto Tobias Machado, responsável pelo projeto de restauro do prédio. Ao lado do museu, segue a restauração da Igreja da Ordem, o templo religioso mais antigo da capital paranaense.

foto: Daniel Castellano

Greca e dom Peruzzo assinaram convênio de cooperação entre a Prefeitura e a Mitra Diocesana de Curitiba para administração e manutenção do museu. Presente à cerimônia, o arcebispo emérito dom Pedro Fedalto assinou o convênio como testemunha. O restauro do museu e da Igreja da Ordem, que segue curso, foi contratado pela Mitra e viabilizado por meio da venda de cotas de potencial construtivo.

História da Fé – O reitor da Igreja, padre Antonio Luciano de Lima, comemorou a reabertura do Museu de Arte Sacra, lembrando a importância histórica do edifício. “Acompanhei todas as etapas da obra, e é uma grande graça poder entregar o museu, porque aqui está a história da fé, a história da própria cidade”, disse padre Antonio. “Agora vamos seguir com a reforma da igreja, que deve ficar prontas até outubro de 2024”, completou.

“Aqui se pode dizer que a linguagem religiosa encontrou seu espaço da arte, mas a arte aqui expressa, outrora pintada, agora restaurada, é também a linguagem do apreço que temos não apenas pela história mas pelo modo como se viveu a fé aqui em Curitiba”, afirmou dom Peruzzo. “Aqui não se trata só de paredes a renovar, mas sim de maravilhas a renovar”, acrescentou.

Jardim e Mosaico – O Museu de Arte Sacra foi totalmente renovado e tornou-se tecnológico e interativo, com espaço para exposição permanente do acervo composto por mais de 1.500 peças. Há também espaço para exposições temporárias e uma área nova, o Jardim de São Francisco das Chagas, instalado onde antes era um depósito. O jardim recebeu uma belíssima imagem do presépio, feita em mosaico pela artista Patrícia Ono, e plantas como lavanda, sálvia, alecrim, bálsamo, festuca e ametista.

foto: Daniel Castellano

Mobiliário e segurança – Em termos de estrutura física, o Museu ganhou modernos equipamentos de climatização, iluminação, sonorização e segurança, mobiliário totalmente novo e meios digitais de acesso às informações. Muito elementos garantem a interatividade do público, o que é inovador em se tratando de museus de arte religiosa.

Em exposição estarão 230 peças entre as mais significativas do acervo. As obras e objetos sacros passaram por um processo de higienização e conservação preventiva, realizado por uma equipe de especialistas da Fundação Cultural de Curitiba. Para a ambientação, organização e apresentação do acervo foi contratada uma curadoria especial.

O espaço foi dividido em duas áreas expositivas: uma destinada à exposição permanente das obras do acervo e outra para as exposições temporárias. A exposição permanente, denominada “Sagrada Memória”, está subdividida em oito temas conforme a categoria das coleções de arte e objetos. O marco inicial é o “Histórico da Matriz”, com itens litúrgicos e devocionais ligados à Ordem Terceira de São Francisco.

Nesse ambiente, está exposta numa redoma central a réplica da imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. As outras coleções são “Os símbolos de fé” (que reúnem medalhas, pingentes e terços), “Santinhos e folhetos”, “Crucifixos”, “Os Santos”, “Padroeiros”, “Imaculadas” e “A Sacristia”. A primeira mostra no espaço de exposições temporárias, “Restauro e Memória”, traz o próprio processo de restauração da Igreja da Ordem e do museu.

Todas as peças em exposição possuem um QR Code, por meio do qual o visitante tem acesso a textos e áudios com informações sobre a obra. Em uma tela interativa, o espectador pode escolher conteúdos variados sobre a história da Igreja da Ordem, sobre o acervo e sobre o processo de restauro, entre outras informações.

Acervo – O acervo do Museu de Arte Sacra contém esculturas de santos, pinturas, livros, paramentos em tecido, cálices e outras peças em metal, crucifixos, medalhas, terços, santinhos de papel, entre outros elementos que, pelas suas características históricas, foram reunidos pela Mitra da Arquidiocese de Curitiba. Algumas peças foram incorporadas pela Fundação Cultural de Curitiba. Entre as peças de maior destaque está a imagem de Bom Jesus dos Pinhais em terracota, de fins do século XVII, a mais antiga do acervo.

Consta que a obra seria da mesma época da imagem primitiva de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, trazida pelos colonizadores e colocada na capela erguida pelos fundadores da cidade. Também é destaque a segunda imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (a primeira está no acervo do Museu Paranaense), trazida de Portugal para o altar-mor da antiga Igreja Matriz de Curitiba, em aproximadamente 1720. A terceira imagem da padroeira está na Catedral Basílica.

 SAIBA MAIS

A Igreja da Ordem é o mais antigo templo católico de Curitiba. A paróquia teve origem na Igreja Nossa Senhora do Terço, construída por imigrantes portugueses em 1737. Foi sede de um convento franciscano (1752-1783). A última restauração data de 1980 e foi concluída em dois anos.

O Museu de Arte Sacra foi inaugurado em 12 de maio de 1981 pelo então arcebispo Dom Pedro Fedalto, com recursos das “Festas da Igreja da Ordem”, Arquidiocese de Curitiba, Fundação Roberto Marinho e Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Mediante convênio com a Mitra, a FCC passou a ser responsável pela manutenção do acervo.

Serviço

Museu de Arte Sacra de Curitiba – Largo da Ordem (anexo à Igreja da Ordem)

Horários: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 14h.

Entrada gratuita

 

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Por Sandra Nassar

Pastoral da Comunicação