O que este filme pode ensinar se comparado ao Evangelho da morte e ressurreição de Lázaro?

Não existe um brasileiro que não conheça ou nunca tenha ouvido falar em Turma da Mônica. Iniciando em 1959 como tirinhas de jornal, em 1970 se tornou uma revista de histórias em quadrinho, chegando a tantos lares brasileiros. Acredito que muitos adultos de hoje aprenderam a ler acompanhando as histórias da turminha do bairro do Limoeiro. Finalmente, em 2019, essa turminha foi para as telas com o filme intitulado “Turma da Mônica: Laços”. Pudemos, enfim, ver os personagens tão queridos agora interpretados por pessoas reais.

Sinopse do filme

Nesse filme, acompanhamos a turma – já há muito conhecida do público brasileiro – num processo de amadurecimento. Floquinho, o cachorro do Cebolinha desaparece, e ele parte em uma aventura junto com Mônica, Cascão e Magali à procura de seu animalzinho de estimação. Passando pelo bosque, tendo alguns encontros inusitados, a turma descobre que Floquinho foi sequestrado para ser usado na criação de um tônico capilar. Mesmo que o grande objetivo de vida do Cebolinha sempre tenha sido roubar o coelho Sansão da Mônica, no momento de dificuldade a turma toda se une para ajudar na busca pelo bosque desconhecido. Aí, eles enfrentam grandes desafios em nome da amizade.

Cascão, que tem medo de água, encontra-se diante de um rio para atravessar e de uma casa cheia de goteiras; Magali, comilona impulsiva, precisa aprender a se controlar; Mônica, que sempre foi durona, passa por num momento de fragilidade; Cebolinha, mestre dos “planos infalíveis”, percebe que seus planos sempre dão errados. Todos eles passam por suas dificuldades pessoais, mas, estando unidos, encontram forças para enfrentar tudo.

A ressurreição de Lázaro

Também no Evangelho dessa semana percebemos um momento de grande fragilidade humana na vida de uma família. Marta e Maria chamam seu amigo Jesus para visitar Lázaro, que estava doente. É sabido que esse trio de irmãos tinha uma amizade muito íntima com o Jesus e por diversas vezes o Evangelho nos diz que aquela família era amada por ele. Dessa vez, vemos a família enfrentando o luto pelo falecimento de Lázaro. Muitos da comunidade estão consolando as irmãs Maria e Marta quando Jesus chega.

Que cena tão humana o evangelho nos apresenta! Marta corre ao encontro de Jesus e briga com ele, mostrando toda a dor de um coração que sofre. Quem já enfrentou a dor de um luto consegue entender essa atitude de Marta. Por outro lado, temos também a dor do luto de Maria: ela permanece em casa, chorando e sendo consolada pelos vizinhos, sofrendo em silêncio. Quando Maria encontra Jesus, em lágrimas ela também cobra a presença do amigo, e comove o coração de nosso Deus. Cada uma das irmãs tinha o seu jeito de vivenciar a dor. Também Jesus chorou diante da morte do amigo, uma das cenas mais lindas e cheias de amor do Evangelho.

Mas foi em meio a toda essa dor e lágrimas que Jesus revoluciona e apresenta-se como Ressurreição e Vida. Ele não nos fala de uma promessa futura, de um ideal de busca. A Vida e a Ressurreição que buscamos é uma pessoa real, com sentimentos e coração. E para que todos creiam nisso, ele traz novamente Lázaro à vida. Mesmo que Marta tivesse apontado o dedo e brigado com Jesus, mesmo que Maria chorasse a morte do irmão, ainda assim Jesus não deixou aqueles corações sem resposta. Ele também se apresenta para o nosso coração, tantas vezes ferido, dizendo que “aquele que crê em mim não morrerá jamais”.

Filme X Evangelho

No filme da Turma da Mônica Laços, uma das grandes cenas onde a turma entende os laços que os unem, Mônica também chora. Foi preciso isso para que a turminha se aproximasse mais e conseguisse vencer o medo e recuperar o Floquinho. Assim como foi preciso o desabafo do coração de Marta e Maria para que elas fizessem a experiência de fé e declarassem que Jesus é realmente o Messias.

Nossas dores não são um castigo divino. Nossas dificuldades não são fruto de um afastamento de Deus em nossas vidas. Elas existem, fazem parte da natureza humana, mas o que o Evangelho da semana nos ensina é que Deus está ao nosso lado, sofre conosco nossas dores e se compadece de nós. Se acreditarmos nas promessas de Deus e criarmos também laços de intimidade com Ele, sairemos vencedores, pois já estaremos na Vida e na Ressurreição.

Deus os abençoe!

Pe. Tiago Felipe Polonha