Papa Francisco entrega pálio a Dom Peruzzo

Dom José Antônio Peruzzo, é o único brasileiro entre os 46 arcebispos que receberam o pálio das mãos do papa Francisco, na tradicional missa presidida pelo pontífice na Basílica Vaticana, por ocasião da solenidade dos santos Pedro e Paulo.

A data é recordada pela Igreja na segunda-feira, 29.

Dom Peruzzo conversou com a Rádio Vaticano nesta segunda-feira, após a celebração da Solenidade de São Pedro e Paulo. O arcebispo falou sobre os momentos mais marcantes desta que para ele não foi uma simples ocasião solene da Igreja, mas um momento de reflexão pastoral profundo.

Dom Peruzzo: Como é que volto a Curitiba? Vou levar na minha memória aquela frase primeira do Papa quando esta manhã se dirigiu aos novos arcebispos: “recebam o pálio como se tivessem uma ovelha sobre seus ombros”. É um tema muito caro a ele: pastoreio, ovelhas, serviço, gratuidade. Eu vim para Roma para receber o pálio mais com as atenções voltadas para uma tradição que já tem uma longa história na Igreja e seria um momento solene, sem dúvida. Mas este tema, o do pálio associado às afeições do pastor por suas ovelhas, se ele fora outrora assim apresentado, eu não estou recordado. Mas volto consciente de que, de agora em diante, aquilo que me incumbia vai ter traços não apenas de administração de uma organização, e sim de pastoreio de um povo. É bem importante ter presente isso senão poderíamos nos fixar nas cúrias, administrando tudo aquilo que a organização demanda. E será preciso ter bem claro que, à toda forma administrativa na Igreja, se antepõe a evangelizadora e pastoral. Levo comigo essa recomendação singela do Papa. E, depois, ao final, quando ele disse: “ensinem a crer, crendo. Ensinem a orar, orando, e testemunhem vivendo”. Parece simples e óbvio este raciocínio, mas esta simplicidade empenha a inteireza da vida. São essas tipicidades de Francisco. Ouvi-lo é uma simpatia. Encontrar-se com ele, nunca se esquece, mas levar a sério sua palavra empenha inteireza da nossa própria existência. É assim o Papa Francisco. (RB)

Mudança

A pedido de Francisco, o rito tradicional do pálio terá uma mudança este ano. Por meio de carta enviada em janeiro, o mestre das celebrações pontifícias, monsenhor Guido Marini, informou que a partir de agora a faixa de lã branca será apenas entregue pelo papa, ao invés de colocada. A imposição do Pálio será realizada pelas mãos dos núncios apostólicos locais, nas respectivas dioceses.

Monsenhor Marini explicou que a intenção da mudança é dar maior evidência à relação dos bispos metropolitanos com suas Igrejas locais e, assim, também possibilitar que mais fiéis estejam presentes neste rito tão significativo. “Os bispos das dioceses sufragâneas, deste modo, poderão participar do momento da imposição. Neste sentido, mantém-se todo o significado da celebração de 29 de junho, que sublinha a relação de comunhão e também de comunhão hierárquica entre o papa e os novos arcebispos; ao mesmo tempo, a isto se acrescenta, com um gesto significativo, esta ligação com a Igreja local”, reforçou.

Apelo aos Arcebispos

“Amados Arcebispos que hoje recebestes o pálio! Este é o sinal que representa a ovelha que o pastor carrega aos seus ombros como Cristo, Bom Pastor”, disse o Papa, sublinhando o que a Igreja quer deles:

“A Igreja quer-vos homens de oração, mestres de oração”: que ensinam ao povo que a libertação de todas as prisões é apenas obra de Deus e fruto da oração; que Deus, no momento oportuno, envia o seu anjo para nos salvar das muitas escravidões e das inúmeras cadeias mundanas. “E sede vós também, para os mais necessitados, anjos e mensageiros da caridade!”

“A Igreja quer-vos homens de fé, mestres de fé: que ensinem os fiéis a não terem medo de tantos Herodes que afligem com perseguições, com cruzes de todo o gênero. Nenhum Herodes é capaz de apagar a luz da esperança daquele que crê em Cristo!”

“A Igreja quer-vos homens de testemunho: Não há testemunho sem uma vida coerente! Hoje sente-se necessidade não tanto de mestres, mas de testemunhas corajosas, que não se envergonham do Nome de Cristo e da sua Cruz perante as potências deste mundo.”

O motivo é muito simples, disse Francisco: “O testemunho mais eficaz e mais autêntico é aquele que não contradiz, com o comportamento e a vida, aquilo que se prega com a palavra. Ensinar a oração, orando; anunciar a fé, acreditando; testemunhar, vivendo!”

O Pálio

O pálio é símbolo do serviço e da promoção da comunhão na própria Província Eclesiástica e na sua comunhão com a Sé Apostólica. Nos primeiros séculos do Cristianismo, seu uso era exclusivo dos papas. A partir do século VI, passou a ser usado também pelos arcebispos metropolitanos, tradição que perdura até hoje.

O pálio é elaborado com lã branca, possui cerca de 5 centímetros de largura e dois apêndices, um na frente e outro nas costas. Possui também seis cruzes bordadas em lã preta. É confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecília, em Roma, utilizando a lã de dois cordeiros que são oferecidos ao papa no dia 21 de janeiro de cada ano, na Solenidade de Santa Inês.

Fotos: Pe. Fabiano Dias Pinto – Roma

Fonte: CNBB com informações da Rádio Vaticano.