Pastoral Operária do Paraná discute estímulos à economia popular

Pastoral Operária do Paraná se reuniu em Curitiba discute criação de uma nova Economia Popular
Pastoral Operária do Paraná se reuniu em Curitiba discute criação de uma nova Economia Popular
Pastoral Operária do Paraná se reuniu em Curitiba para discutir a criação de uma nova Economia Popular | Foto: Divulgação

Nos dias 15 e 16 de julho, a Pastoral Operária do Paraná se reuniu no Instituto Salette, em Curitiba, para discutir sobre o mundo do trabalho a partir da proposta do Papa Francisco de “realmar a economia”, ou seja, da Economia de Francisco. A atividade contou com a parceria da Casa de Francisco e Clara, do Cepat e da Rede Mandala (Economia Popular e Solidária). O seminário teve o apoio financeiro do Fundo Nacional de Solidariedade (CNBB). Participaram representantes da Arquidiocese de Curitiba, das Dioceses de União da Vitória, Campo Mourão e Paranaguá, da Diocese Anglicana de Curitiba e representantes do CEBI e do Serviço Pastoral dos Migrantes.

“A economia capitalista não funciona porque ela não é amiga nem dos humanos e nem dos não humanos”, destacou André Langer ao refletir sobre o modelo econômico que permite a existência da fome, de bolsões de pobreza, da devastação ambiental e da extinção da biodiversidade, que são de extrema importância para a vida humana. “Tudo está interligado” (Laudato Si, 91, 117, 138, 240), uma expressão cunhada e repetida várias vezes na Laudato Si, que soa para nós quase como um mandamento. Não dá mais para pensar a economia e o trabalho separadamente, bem como não é possível pensar a educação, a religião e a política de maneira separada.

Criação de uma “Nova Economia”

Com participação remota, Eduardo Brasileiro, da Articulação Brasileira de Francisco e Clara, enfatizou a necessidade da esperança para “superar esse modelo econômico”. A Economia de Francisco e Clara é chamada a criar espaços de conexão de ideias e experiências de uma economia para a vida. Por isso, as “Casas de Francisco e Clara” são experiências concretas, como laboratórios nos quais jovens estudantes, universitários e de comunidades podem discutir e fomentar uma “nova economia”. Neste sentido, o religioso Marista irmão José Augusto apresentou a experiência da Casa de Francisco e Clara em Curitiba, uma instituição que nasce inspirada na Economia de Francisco para fomentar entre os jovens universitários a construção de um mundo melhor.

A educadora popular Gisele Carneiro, da Rede Mandala, apresentou o caminho feito pela Economia Popular Solidária. Uma história feita em mutirão na comunidade, que toma vários espaços na sociedade. Desde o início, a Igreja apoiou a Economia Solidária. A Pastoral Operária fomenta grupos de Economia Popular Solidária pelo Brasil, a exemplo da Padaria Comunitária Santo Dias e a Oficina de Costura Solidariedade, na Vila das Torres, em Curitiba.

As experiências se complementam. A necessidade de “realmar a economia”, apontada pelo Papa Francisco, passa pela possibilidade de discutir o mundo do trabalho e o trabalho digno. O seminário não esgotou o assunto, longe disso – deixou um “gostinho de quero mais”. O mesmo tema será replicado também nas demais dioceses presentes. Para se aprofundar mais sobre o tema, destaca-se a leitura do livro “Realmar a Economia”, da Editora Paulus.

Para nos salvar desse caminho que tem como único destino possível o sofrimento e nossa extinção definitiva, o papa Francisco nos convida a repensar a forma com que cuidamos de nossa casa (Oikos), propondo uma economia refundada nos valores do cuidado e do amor: a Economia de Francisco e Clara.
Para nos salvar desse caminho que tem como único destino possível o sofrimento e nossa extinção definitiva, o papa Francisco nos convida a repensar a forma com que cuidamos de nossa casa, propondo uma economia refundada nos valores do cuidado e do amor: a Economia de Francisco e Clara.

O seminário foi um espaço de reflexão e esperança. “Avaliação”, “ponto de partida”, “esperança”, “iluminação para a ação”, são palavras fortes que foram destacadas pelos participantes. A linha condutora que teceu a rede do seminário foi a necessidade de refletir e construir uma economia “amiga dos humanos e dos não humanos”, a partir da compreensão da Casa Comum. Por isso, faz-se necessário o desinvestimento na economia de morte e valorizar a economia popular. Tendo isto em vista, é fundamental que as paróquias discutam sobre o fomento à economia popular na comunidade. Portanto, realmar a economia significa “juntar aquilo que o capitalismo separou na economia”.

 

Saiba mais sobre a Economia de Francisco e Clara, clicando aqui.

Saiba mais sobre a Casa de Francisco e Clara, no link da Cartilha.

Saiba mais sobre a Rede Mandala, no link do site.

 

Por Jardel Neves Lopes | Pastoral Operária