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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 62 – 21/06/2026

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 62 – 21/05/2026 12º Domingo do Tempo Comum Vicariato para a Educação

O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 62 – 21/06/2026

SEMEADOR

Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 62 – 21/05/2026

12º Domingo do Tempo Comum

Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos: 26 Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27 O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28 Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29 Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. 31 Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32 Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33 Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus

Mateus 10,26-33.

Não tenhais medo

As palavras de Jesus — “Não tenhais medo” — ecoam como um refrão libertador através dos Evangelhos, oferecendo um antídoto espiritual e prático contra a paralisia que o temor instala na existência humana. Para o educador, repetir esse apelo não é apenas repetir um consolo teórico; é assumir uma tarefa formativa decisiva: criar nas crianças, nos adolescentes e nos jovens — e em si mesmo — a coragem moral que permite enfrentar o futuro sem sucumbir à ansiedade, à resignação ou à tentativa de fuga. O medo, quando não reconhecido e trabalhado, produz conformismo, fechamento identitário, competição predatória e uma cultura do desempenho que reduz a pessoa a números. Por isso, o convite evangélico é profundamente pedagógico: liberta do cárcere do medo e abre para uma existência orientada pelo dom, pela responsabilidade e pela esperança ativa.

Educar ao “não tenhais medo” exige práticas intencionais. Significa construir um clima de confiança onde o erro é tratado como etapa de aprendizagem e não como sentença; significa assegurar que as exigências avaliativas estejam orientadas para o desenvolvimento e não para a humilhação; significa propiciar experiências reais de protagonismo — projetos, responsabilidades, trabalhos colaborativos — nas quais os estudantes experimentem que podem arriscar, errar e recompor-se. Também implica ensinar competências psicológicas e existenciais: regulação emocional, pensamento crítico, mudança de perspectiva, resiliência e sentido de propósito. Tudo isso torna palpável a promessa de que o futuro não é uma ameaça inevitável, mas um campo onde se pode atuar com responsabilidade e esperança.

Portanto, repetir o que nos ensina Jesus — “Não tenhais medo” — é convocar a uma pedagogia do risco fecundo: uma educação que forma cidadãos corajosos — não temerários —, capazes de assumir responsabilidades, de enfrentar injustiças, de jogar-se em tarefas coletivas e de ser sinais de esperança. Essa pedagogia não promete isenção de sofrimento; promete, isso sim, uma força humilde e perseverante para atravessá-lo, transformando-o em ocasião para crescimento pessoal e comunitário. E, nessa travessia, o educador é chamado a ser não apenas “instrutor”, mas “testemunha viva” de que a confiança, quando cultivada, gera liberdade para amar, servir e construir um mundo mais humano, como é o projeto de Deus para a humanidade, que Jesus gostava de chamar de “Reino de Deus”.

Para meditar ao longo da semana

  1. O que alimenta meus medos? De onde emergem as inseguranças que carrego — expectativas externas, fragilidades internas, memórias dolorosas, pressões institucionais? E, sobretudo, como essas fontes de medo têm moldado (ou limitado) minha maneira de educar, de acolher, de ousar?
  2. Minha presença gera coragem ou mais ansiedade? Quando entro em sala de aula ou encontro meus estudantes, minha presença — minha postura, meu tom de voz, meu silêncio — convida ao crescimento ou reforça inseguranças? Sou para eles alguém que encoraja a esperança, ou alguém que, mesmo sem querer, aumenta o peso das exigências e do medo do fracasso?
  3. Em que momentos concretos testemunhei que a coragem brota do serviço? Recordo situações em que, ao servir, ao me doar, ao optar pela verdade e pela justiça, experimentei uma força interior maior do que o medo? De que forma posso permitir que esses momentos se tornem memória espiritual e pedagógica capaz de renovar meu modo de educar?

Vivência concreta

  1. Seja presença serena: ofereça aos estudantes um olhar que acolhe e um gesto que acalma.
  2. Semeie coragem diariamente: elogie esforços, valorize pequenos progressos e transforme erros em aprendizagem.
  3. Pratique o bem de forma silenciosa: escolha, a cada dia, um gesto discreto de serviço que faça alguém respirar com mais esperança.

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