SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 21 – 07/09/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
“Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!“.
Lucas 14, 25-33.
O discernimento como chave do educador
O Evangelho nos mostra o homem que se senta para calcular antes de construir ou ir à guerra. Esta atitude pode ser traduzida como discernimento – elemento essencial para a missão de educar. Para discernir bem, alguns elementos devem ser considerados. Vamos a eles!
1) Saber das nossas possibilidades reais. Assim como no Evangelho, também na educação não podemos começar algo sem avaliar nossas forças. Cada educador precisa reconhecer: quais são os meus dons? Até onde consigo chegar? O que me é possível realizar com o tempo, a energia, os recursos que tenho? Deus não pede de nós resultados inalcançáveis, mas fidelidade no pouco que conseguimos fazer.
2) Considerar a realidade como lugar que provoca. A sala de aula, a comunidade, a família — este é o “canteiro de obras” onde Deus nos pede fidelidade. Muitas vezes sonhamos com condições ideais, mas o discernimento cristão nos convida a olhar o chão concreto que pisamos: aquela turma difícil, os limites de recursos, aquelas crianças e jovens com as suas dificuldades familiares e psíquicas. É aí que Deus nos espera, ou seja, dentro da nossa realidade educativa.
3) Identificar os nossos desejos. O discernimento também passa pela escuta dos sonhos que Deus desperta em nós como professores. Perceber os desejos mais profundos que nos movem: o sonho de fazer diferença na vida de um aluno, o sonho de ver uma comunidade mais humana, o sonho de partilhar o saber com paixão e esperança. Esses sonhos, quando autênticos, são sinais da voz de Deus em nossa história. Se eles adormecem, a missão perde sabor; quando acordam, tornam-se caminho para descobrir a vontade de Deus na profissão docente.
Para meditar ao longo da semana
1) Como educador, tenho reconhecido meus limites e possibilidades reais, ou ainda me deixo levar pela ilusão de que preciso dar conta de tudo?
2) Tenho olhado para a sala de aula concreta, com suas alegrias e dificuldades, como o lugar onde Deus me chama a ser fiel, ou vivo esperando condições ideais que talvez nunca venham?
3) Quais são os sonhos que Deus acorda em meu coração de professor e que me ajudam a discernir o que Ele realmente quer de mim nesta missão?
Vivência concreta
1) Reconheça seus próprios limites como educador. Não queira abraçar tudo. Saiba dizer “não” quando necessário e foque no que está ao seu alcance. Isso também é carregar a sua cruz.
2) Leia a sala de aula como lugar de missão. Veja nos desafios diários não obstáculos, mas sinais de onde Deus pede fidelidade.
3) Acorde seus sonhos de educador. Pergunte-se: “o que me moveu a ser professor? O que ainda desperta paixão em mim?” Retome esses sonhos como fonte de motivação e como voz de Deus em sua existência.