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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 47 – 08/03/2026

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 47 – 08/03/2026 3º Domingo da Quaresma Naquele tempo, 5 Jesus chegou

O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 47 – 08/03/2026

SEMEADOR

Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 47 – 08/03/2026

3º Domingo da Quaresma

Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber`, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 16 Disse-lhe Jesus: “Vai chamar teu marido e volta aqui”. 17 A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “Disseste bem, que não tens marido, 18 pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade”. 19 A mulher disse a Jesus: “Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21 Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26 Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. 27 Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: “Que desejas?” ou: “Por que falas com ela?” 28 Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: 29 “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?” 30 O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: “Mestre, come”. 32 Jesus, porém disse-lhes: “Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis”. 33 Os discípulos comentavam entre si: “Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?” 34 Disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35 Não dizeis vós: ‘Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!’ Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! 36 O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe’. 37 Pois é verdade o provérbio que diz: ‘Um é o que semeia e outro o que colhe’. 38 Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles”. 39 Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz”. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.

João 4,5-42

 

Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede

Na narrativa do diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, a água torna-se símbolo da vida plena: não apenas líquido que apaga uma necessidade física imediata, mas imagem daquelas alegrias, esperanças e sentidos que verdadeiramente saciam o coração humano.Comentando este texto, na Audiência de 23 de março de 2014, assim dizia o Papa Francisco: “A sede de Jesus não era tanto de água, quanto de encontrar a Samaritana para lhe abrir o coração: pede-lhe de beber para evidenciar a sede que havia nela mesma. A mulher comove-se com este encontro: dirige a Jesus aquelas perguntas profundas que todos temos dentro, mas que muitas vezes ignoramos. Também nós temos tantas perguntas para fazer, mas não encontramos a coragem de as dirigir a Jesus! A Quaresma, queridos irmãos e irmãs, é o tempo oportuno para olhar para dentro de nós, para fazer emergir as nossas necessidades espirituais mais verdadeiras, e pedir a ajuda do Senhor na oração. O exemplo da Samaritana convida-nos a expressar-nos do seguinte modo: ‘Jesus, dá-me aquela água que me saciará eternamente’”. 

Do ponto de vista pedagógico, a metáfora da água viva coloca um desafio radical: a escola não é apenas lugar de transmissão de conteúdos, mas de ativação de desejos autênticos e anseios profundos. O educador cristão (e, em sentido amplo, todo educador verdadeiramente humano) está chamado a ser fonte e canal dessa água, não para substituir a responsabilidade dos estudantes em buscarem sentido, mas para torná-los capazes de reconhecer, acolher e cultivar suas próprias sedes profundas. Oferecer água viva implica, portanto, três dimensões inseparáveis: reconhecimento (ver o aluno em sua singularidade e necessidade), acompanhamento (permanecer presente no caminho da sua busca) e proposição (oferecer práticas, narrativas e símbolos que abram horizontes de sentido).

Isto exige uma pedagogia da escuta e da coragem: escutar para além do que é dito, com sensibilidade para as perguntas silenciosas; ter coragem para perguntar ao aluno o que verdadeiramente deseja, sem substituí-lo; e humildade para admitir que a própria escola, como instituição, também pode estar sedenta — de sentido, de autenticidade, de justiça — e precisa ser renovada. A presença do educador transforma-se, então, num sacramento cotidiano: gesto capaz de revelar ao aluno que a sua vida tem valor intrínseco, que o erro não o define, e que existe uma promessa de inteireza que ultrapassa resultados avaliativos.

Para meditar ao longo da semana

  1. Tenho coragem de “escutar” a minha própria sede? Antes de oferecer água viva aos estudantes, preciso reconhecer as minhas próprias necessidades espirituais, emocionais e humanas. Quais são as sedes que ainda não nomeei? O que evito encarar? Onde preciso deixar Jesus tocar e iluminar meus vazios para que minha presença educativa seja mais autêntica e menos automática?
  2. Minha presença desperta perguntas profundas ou apenas transmite informações? Assim como Jesus provocou a Samaritana a olhar para dentro, minha presença junto aos estudantes instiga, inspira e mobiliza seus anseios mais verdadeiros? Ou fico preso ao cumprimento mecânico de tarefas e no simples “repasse” de conteúdos? De que forma posso me tornar, nesta semana, alguém que favorece encontros transformadores com meus alunos?
  3. Que tipo de “água” ofereço aos meus estudantes? O que transparece de mim no ambiente escolar: esperança ou cansaço? Sentido ou automatismo? Confiança ou desesperança? Minhas atitudes são fonte de vida ou, ao contrário, aumentam a sede? Como posso, concretamente, tornar meu modo de ensinar e conviver um sinal de que existe uma fonte mais profunda, capaz de sustentar o caminho de cada estudante?

Vivência concreta

  1. Ofereça cada dia cinco minutos de escuta verdadeira a um estudante que precise ser “visto” além do conteúdo e da rotina da sala de aula.
  2. Cultive um gesto diário de esperança, dizendo a alguém uma palavra que renove seu ânimo e inspire um novo sentido.
  3. Busque sua própria fonte, reservando um pequeno momento de silêncio para pedir a Deus a “água viva” que sustente sua missão como educador.

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