SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 67 – 26/07/2026
17º Domingo do Tempo Comum
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 44 “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45 O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. 47 O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48 Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 49 Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, 50 e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. 51 Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. 52 Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Mateus 13, 44-52.
O TESOURO ESCONDIDO NA EDUCAÇÃO
Jesus compara o Reino dos Céus a um tesouro escondido no campo e a uma pérola de grande valor. Quem os encontra percebe que está diante de algo capaz de mudar toda a sua vida. Já não é possível continuar vivendo da mesma maneira, pois, quando descobrimos o que realmente importa, nossas escolhas e prioridades também mudam.
O Reino de Deus, porém, não aparece de maneira espetacular. O tesouro está escondido num campo. O Evangelho nos aponta que ele pode ser encontrado no cotidiano, nas relações, nos pequenos gestos e nas pessoas que facilmente passam despercebidas. Deus se revela na vida concreta, sendo necessário desenvolver um olhar capaz de reconhecer sua presença nas experiências mais simples.
Esta é também uma atitude profundamente educativa. Cada educando carrega um tesouro que ainda pode estar escondido: uma capacidade, uma sensibilidade, uma pergunta, um sonho, uma grandeza humana… Educar é olhar além das aparências, é acreditar que existe algo precioso em cada pessoa humana e ajudá-la a descobrir aquilo que traz dentro de si. Tesouros que se descobrem, que se desvelam…
A parábola da rede acrescenta outro ensinamento. Nela são recolhidos peixes de toda espécie, que depois precisam ser separados. Aqui também há uma lição educativa: educar exige discernimento. Nem tudo o que a sociedade oferece contribui para uma vida mais humana. Ideias, comportamentos, tecnologias e modelos de sucesso precisam ser reavaliados. Como afirma o Papa Leão XIV, “para um algoritmo, o erro é algo a corrigir; para uma pessoa, pode ser o início de uma mudança profunda. O futuro de uma pessoa não é calculável” (Magnifica Humanitas, n. 128). Nesse sentido, o educador não é conivente com o erro, pois acredita na liberdade, na conversão e na possibilidade de recomeçar.
O educador sábio, conclui Jesus, retira de seu tesouro coisas novas e antigas. Ele não despreza a experiência recebida, mas também não permanece preso ao passado. Conserva aquilo que continua gerando vida e abre-se ao novo. Educar é olhar o presente com serenidade, discernimento e esperança ativa, percebendo nele possibilidades para a construção do futuro. O passado não é um fóssil, nem o futuro é uma expectativa ingênua, mas uma oportunidade que nos é oferecida por Deus para que continuemos em marcha.
QUESTÕES PARA REFLETIR
- Qual é o verdadeiro tesouro que orienta minhas escolhas como educador?
- Consigo perceber os talentos escondidos nas pessoas que educo?
- O que preciso conservar e o que preciso renovar em minha prática educativa e nas outras esferas da minha vida?
VIVÊNCIA PARA A SEMANA
Fazer uma pausa e refletir: como foi este primeiro semestre? Onde estão os tesouros e os peixes bons? O que não foi construtivo e precisa ser jogado fora? Deste modo, você pode se preparar melhor para o semestre que se inicia.