SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 72 – 30/08/2026
22º Domingo do Tempo Comum
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
“Naquele tempo, 21 Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22 Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23 Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24 Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25 Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26 De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27 Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.
Mateus 16, 21-27
ENTENDENDO A CRUZ
Pedro havia confessado Jesus como o Cristo, mas ainda imagina um Messias marcado pela força, pelo êxito e pela vitória. Quando Jesus anuncia sofrimento, rejeição e morte, Pedro reage. Seria falta de fé? Não, na verdade, o apóstolo tinha uma imagem equivocada de Jesus. Pedro aceita o Messias, mas rejeita o caminho do Messias. Hoje, também podemos ter uma imagem falsa de Deus e de Jesus. No mundo da educação, precisamos rever imagens idealizadas de sucesso, competência e realização, ajudando os educandos a compreender que amadurecer inclui limites, frustrações e caminhos que nem sempre correspondem às expectativas iniciais.
Mas, cuidado: a cruz não é culto ao sofrimento! “Tomar a cruz” não significa procurar a dor e nem aceitar passivamente qualquer injustiça. A cruz aparece como consequência de opções fortes. Jesus chega à cruz porque vive uma existência entregue, fiel ao Reino, enfrentando aquilo que desumaniza as pessoas. O seguimento pode ter um preço, mas isso é muito diferente de transformar o sofrimento em valor por si mesmo. Também na educação é importante distinguir esforço de sofrimento inútil, exigência de opressão, perseverança de resignação. Muitas vezes, diz-se que o educador é um resignado, um sofredor. Isso não pode ser normalizado.
Então, o que é a cruz que Jesus nos pede para carregar? A cruz significa renunciar a si mesmo para encontrar a própria vida. Sem se anular ou negar os próprios dons, é preciso deixar de colocar o “próprio eu” como centro absoluto da existência. É nesse sentido que Jesus afirma que quem procura salvar a própria vida acaba perdendo-a, enquanto quem é capaz de entregá-la encontra-a. A vida cresce quando se torna dom, relação e abertura ao outro. No mundo da educação, tomar a cruz significa formar pessoas conscientes de seu valor e de seus talentos, mas também capazes de superar o individualismo tão presente em nossos dias, colocar suas capacidades a serviço dos outros e do bem comum. É preciso educar para a compreensão de que a vida é um dom!
QUESTÕES PARA REFLETIR
- Que imagem de sucesso, realização ou felicidade eu preciso rever à luz do caminho de Jesus?
- Que dificuldade estou vivendo hoje e como posso enfrentá-la com serenidade?
- Em que aspecto da minha vida estou excessivamente centrado em mim mesmo, gerando cansaço e deixando as minhas energias serem sugadas? Preciso confiar menos nas minhas próprias forças e fazer de minha vida um verdadeiro dom?
VIVÊNCIA PARA A SEMANA
Identificar uma expectativa excessiva de sucesso, desempenho ou perfeição que esteja pesando sobre você ou sobre alguém que você educa e relativizá-la conscientemente.