SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 8 – 08/06/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20 Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22 E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. (Jo 20, 19-23).
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”
Neste trecho do Evangelho de João, encontramos os discípulos reunidos, trancados e com medo. Estão
cercados e completamente encerrados na escuridão da dúvida, do luto e da insegurança, uma vez que
ainda não absorveram a novidade do Senhor Ressuscitado. Eles viram o Mestre ser crucificado, e agora
temem que o mesmo destino, além de todo o sentimento de frustração, ou culpa por ter abandonado o
Mestre no momento em que Ele mais precisava. Estão paralisados, assim como por vezes nós ficamos
diante do sofrimento, das incertezas e das ameaças que a vida nos apresenta.
É justamente em todo esse cenário de medo, de culpa, e de tanto fechamento, que Jesus ressuscitado
entra e se aproxima com sua misericórdia, esperança e confiança. Não força as portas, não repreende,
não exige. Ele simplesmente se faz presente no meio deles e proclama: “A paz esteja convosco”. Essa
não é uma saudação qualquer. Na verdade, Jesus está lhes oferecendo algo novo, uma paz que não
vem do mundo (cf. Jo 14,27). É a paz que nasce da certeza da ressurreição, da vitória do amor sobre a
morte. Essa paz cura o medo, dissipa a angústia e renova a esperança.
O medo e toda situação de fechamento, a realidade de muitos educadores: os discípulos estavam com
medo, trancados, inseguros. Isso reflete muitas realidades vividas por educadores, o medo de não dar
conta, a insegurança diante de desafios sociais, a pressão dos resultados, a falta de valorização. É diante
do medo que Jesus entra, mesmo com as portas fechadas — o que bem nos lembra que a esperança, a
fé e a presença de Deus, ultrapassam nossos limites humanos. O medo é assim entendido como lugar
teológico, ou da presença de Deus.
É muito interessante verificar como antes de qualquer missão, ou antes de qualquer envio, Jesus nos
oferece a paz. E ao educador, cabe a missão de ser um mensageiro e construtor da paz, em meio a todos
os conflitos, tensões e desafios escolares. Todavia, a paz não seja passividade, mas uma força ativa de
profunda transformação, assim como um projeto de vida, entendido e traduzido na forma que lidamos
com as dificuldades e em como superemos os desafios, sempre com esperança.
A alegria do encontro com o Ressuscitado: “Os discípulos se alegraram por verem o Senhor”. A alegria
que vem do encontro com o Ressuscitado é grande combustível da missão. Para o educador, é essencial
renovar-se espiritualmente, manter vivo o sentido da vocação recebida, não como uma mera obrigação
profissional, mas como resposta alegre e consciente a um chamado, uma missão.
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Jesus envia os discípulos assim como foi enviado
pelo Pai, em prova de amor e para dar a vida pela humanidade. Jesus, revela-se para nós sempre com
compaixão, firmeza, escuta e amor. O educador é um enviado, um instrumento que forma, transforma
e toca vidas profundamente. Alguém tão bem inspirado por Deus, e por isso enviado, ou conduzido
pelo Espírito Santo, pelo o que é capaz de saber que em sua missão nunca estará só, pois se é enviado,
a bênção de Deus está com ele e, aí o educador, é mais uma vez chamado a assemelhar-se ao Mestre.
“A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”, eis a bela e paciente pedagogia de Jesus
que é profundamente marcada pelo perdão. O educador, entendido como um formador de pessoas,
precisa constantemente exercer a misericórdia: sempre recomeçar, acolher erros, dar segundas chances,
ajudar os alunos a reconstruírem-se, e também praticar essa misericórdia entre o próprio professorado,
bem como consigo mesmo, com a própria dor e as próprias feridas.
Para meditar ao longo da semana
1) Abrir as portas do coração para que Jesus entre com sua paz. Não importa qual seja o medo, a dor ou
a dúvida que nos tranca por dentro, ou que nos fecha. Ele vem com ternura, sem condenar, apenas
oferecendo sua presença e sua paz.
2) Reconhecer as marcas do Ressuscitado. Ele não nos promete uma fé sem cruz, mas sim uma cruz que
leva à vida. Eis que o Senhor se apresenta ressuscitado, sopra o Espírito Santo, mas com suas feridas.
As nossas feridas também podem se tornar sinais da graça, se forem trabalhadas e entregues a Ele.
3) Receber o Espírito Santo e assumir o perdão. Somos chamados a ser instrumentos de reconciliação –
na família, na comunidade e no trabalho, na educação. A missão que recebemos é divina e bela: levar
ao mundo a alegria da misericórdia, por isso uma educação integral.
Vivência concreta
1) Começarmos nossos dias, aulas e relacionamentos, com o coração pacificado. Só quem tem paz interior
pode transmiti-la aos outros.
2) Sua alegria contagia. A presença de Cristo no seu cotidiano é força que renova o entusiasmo e o amor
pelo que faz, assim como a presença do Espírito, que é combustível da missão.
3) Cabe ao educador pensar: minha missão é sagrada. É ensinar, e algo como um gesto de envio divino,
por participar e colaborar com a obra de Deus no mundo.
