Ação da Arquidiocese de Curitiba reforça a missão de acolher e proteger os menores mais vulneráveis
O Dia 18 de maio marca, em todo o Brasil, uma data de reflexão e mobilização: é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Criada no ano 2000, a data chega à sua 25ª edição em 2025, chamando atenção para uma chaga que ainda fere profundamente a sociedade brasileira. Na Arquidiocese de Curitiba, a Igreja Católica se mobiliza por meio da Pastoral do Menor, coordenada pelo diácono Leonardo Silveira. Em entrevista ao podcast Voz da Igreja, conduzido por Dom Reginei Modolo, bispo auxiliar de Curitiba, o trabalho pastoral foi apresentado como uma verdadeira expressão do amor cristão em ação.
“A Pastoral do Menor é uma resposta concreta do Evangelho. Ela está onde Cristo está: junto dos pequenos, dos esquecidos, dos que mais sofrem”, afirmou Dom Reginei. “Precisamos apoiar e valorizar esse trabalho, porque ele revela o rosto misericordioso da Igreja”, destacou o bispo.
O trabalho da pastoral inclui visitas a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, contato com casas de acolhimento institucional e iniciativas de formação com jovens das comunidades paroquiais. A motivação pessoal do diácono Leonardo nasceu durante uma missão em Marabá (PA), onde conviveu com adolescentes em centros de socioeducação. “Toda quinta-feira à tarde eu visitava os meninos junto com a Pastoral Carcerária. Era um momento de troca. Eu levava esperança, mas saía de lá ainda mais esperançoso”, recorda.
Um episódio vivido nessa missão nunca saiu de sua memória. “Um adolescente me perguntou: ‘Quando o senhor olha para mim, o que o senhor vê?’. Ele tinha ido ao dentista e, por ser do sistema socioeducativo, foi obrigado a esperar na viatura. Ninguém o queria na sala de espera. Isso me marcou profundamente. Ele não se sentia igual aos outros. E nosso papel é lembrar: você é tão filho de Deus quanto eu”, relatou emocionado.
Hoje, a Pastoral do Menor em Curitiba atua com três frentes principais:
- Um grupo de 12 missionários realiza visitas aos centros de socioeducação da cidade;
- Cerca de 40 voluntários acompanham as casas de acolhimento infantil;
- Um núcleo reduzido planeja ações de formação e engajamento nas paróquias.
Para Leonardo, a missão vai além do voluntariado. “É uma resposta de fé. É porque cremos em Jesus que vamos ao encontro desses menores. Está no Evangelho: ‘Estive preso e fostes me visitar’.” Dom Reginei reforça que qualquer pessoa pode colaborar com a pastoral, mesmo que não consiga atuar diretamente nas unidades de acolhimento. “Talvez você não consiga entrar num centro socioeducativo, mas pode preparar um bolo, um lanche, ajudar numa celebração. É o amor que move tudo. Cada gesto conta.”
Para ele, o envolvimento da sociedade é fundamental. “Não podemos achar que esse é um problema só do Estado. A juventude é responsabilidade de todos nós. Ou a gente estende a mão, ou o crime o fará. A Igreja precisa ser presença amorosa e firme nesse momento crucial da vida desses adolescentes.”
A pastoral também sonha com novas parcerias. “Temos uma rede de ensino e de empresas muito forte na Arquidiocese. Quem sabe, no futuro, não conseguimos vagas de trabalho, estágios, oportunidades para esses adolescentes? Isso pode mudar vidas”, disse Leonardo. “Se não for o empresariado cristão a abrir portas para esses jovens, quem será? Eles não perderam a dignidade por seus erros. Continuam sendo filhos e filhas de Deus, merecem recomeçar”, finalizou o diácono.

Em nível estadual, a articulação da Pastoral do Menor também tem se fortalecido. Em março, o Seminário Arquidiocesano de Maringá sediou a reunião do Conselho da Pastoral do Menor do Paraná e o Encontro de Adolescentes da Escola de Cidadania. O evento reuniu representantes de diversas dioceses para momentos de espiritualidade, formação e planejamento estratégico, reafirmando o compromisso com a promoção da dignidade e dos direitos dos adolescentes. O próximo encontro está previsto para outubro de 2025, com o objetivo de partilhar os resultados alcançados pelas equipes em todo o estado.
A Pastoral do Menor está aberta a novos colaboradores. O contato pode ser feito pelo e-mail [email protected] ou pelo site da Arquidiocese de Curitiba.
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Por Luiz Fernando Hanysz, com informações da CNBB Regional Sul 2
Setor de Comunicação da Arquidiocese de Curitiba