
SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 12 – 06/07/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 ‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós’. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo! 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”. 17 Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. (Lc 10,1-12.17-20).
“Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”
O Evangelho de Lucas 10, 1-20 é um convite profundo à reflexão sobre a missão do educador cristão. Assim como Jesus enviou os setenta e dois discípulos para anunciar o Reino de Deus, Ele também nos envia ao ambiente escolar, tornando nosso trabalho uma extensão da missão de Cristo. Ser educador cristão é reconhecer que cada dia na escola é um campo de missão, onde somos chamados a ser sinais de esperança, transformação e amor.
Jesus orienta seus discípulos a não levarem nada além do essencial, ensinando-os a depender da providência divina. O essencial é um coração generoso, disposto a escutar, acolher e sorrir. No cotidiano escolar, isso também significa enfrentar desafios com fé, sem se apoiar apenas em recursos materiais ou no reconhecimento humano, pois a confiança em Deus nos fortalece diante das dificuldades e nos inspira a seguir adiante, mesmo quando os resultados não são imediatos.
A principal mensagem que os discípulos deveriam levar era a paz. Para o educador cristão, isso se traduz em ser portador da paz de Cristo, mesmo diante de conflitos, críticas ou rejeições. Oferecer escuta, acolhimento, generosidade e um sorriso sincero são gestos concretos que manifestam o amor de Deus no ambiente escolar. Muitas vezes, as salas de aula não acolherão de imediato essa mensagem, mas é importante não perder de vista que a paz oferecida nunca se perde: quanto mais a multiplicamos, mais ela cresce, ao menos em nosso coração.
A educação está repleta de desafios: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Lc 10,2). De fato, poucos são os educadores dispostos a semear o Reino de Deus entre os alunos. Essa afirmação, porém, deve nos lembrar de manter o foco e a dedicação, sem nos deixarmos desanimar pela rotina ou pelos desafios diários. Cada novo ano, cada turma diferente, cada realidade inédita é uma oportunidade para semear a paz e o amor de Deus, e para acolher cada estudante como alguém único e precioso.
Frequentemente, o educador cristão se sentirá como “cordeiro entre lobos”; no entanto, ele não pode esquecer que esses “lobos” são, na maioria das vezes, jovens e crianças vulneráveis, desamparados, com medo e sofrimento. Na verdade, muitas vezes não são nem lobos, são apenas ovelhinhas perdidas, que se comportam como lobos para sobreviver no mundo selvagem e inseguro.
O educador cristão, como todo bom discípulo missionário, também enfrentará rejeições, críticas e até perseguições. O próprio Jesus nos alertou que nem todos receberiam bem sua mensagem. Nessas situações, é fundamental “sacudir a poeira” da negatividade e da desesperança, para que isso não nos desmotive nem nos impeça de continuar a missão. O importante é manter-se fiel ao chamado, sabendo que o serviço prestado ao Senhor não é em vão.
Quando, porém, o educador cristão encontrar turmas abertas e pessoas dispostas a ouvir, deve se dedicar ainda mais, pois o crescimento do outro é sempre sua maior recompensa.
Jesus envia seus discípulos para curar os doentes, missão que o educador cristão continua a cumprir ao restaurar, em seus educandos, a autoestima, a esperança e a capacidade de sonhar.
A maior alegria do discípulo, segundo Jesus, não está nos resultados visíveis, mas em saber que seu nome está escrito no céu. Não se quer dizer aqui que o educador não deva exigir salário digno nem condições de trabalho adequadas, afinal, “o trabalhador merece seu salário” (Lc 10,7), mas que o educador cristão também deve encontrar sua motivação e alegria na certeza do chamado e do amor de Deus, e não apenas no reconhecimento terreno.
Além disso, não podemos esquecer que Jesus enviou os discípulos de dois em dois, ensinando-nos sobre a importância do trabalho em equipe, do apoio mútuo e da partilha de experiências e dificuldades. Por isso, construir relações de fraternidade e colaboração com outros educadores cristãos fortalece a missão e torna o caminho mais leve.
Ao final de sua caminhada, o educador cristão poderá dizer com alegria que serviu ao Senhor e que seu nome está escrito não apenas no Reino dos Céus, mas também no coração de todos aqueles que passaram por seu caminho, pois cada gesto de paz, escuta e amor deixa marcas eternas na vida dos educandos.
Que possamos, como educadores cristãos, responder com generosidade e coragem a esse chamado, sendo semeadores da paz e do amor de Deus em cada sala de aula, em cada encontro, em cada vida.
Para meditar ao longo da semana
- Assim como Jesus enviou os setenta e dois discípulos, Ele também envia você ao ambiente escolar. Você reconhece sua missão como educar cristão? Seu trabalho está sendo uma extensão da missão de Cristo: anunciar o Reino de Deus e ser sinal de esperança e transformação no mundo da educação?
- Jesus instruiu os discípulos a não levarem nada além do necessário, ensinando a depender de Deus em todas as situações. No cotidiano, isso significa enfrentar desafios com fé, sem se apoiar apenas em recursos materiais ou reconhecimento humano. Você anda confiando também na providência divina, sobretudo naquelas situações que não exerce qualquer tipo de controle?
- A principal mensagem que os discípulos deveriam levar era a paz. No ambiente escolar, estou sendo seja um portador da paz de Cristo, mesmo diante de conflitos, críticas ou rejeições? Ofereço escuta, acolhimento e generosidade a meus alunos e colegas?
- Jesus fala da urgência da missão “a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos” e pede dedicação total. Isso inspira o educador cristão a não se distrair com desânimos ou rotinas, mas a manter viva a chama do serviço e do anúncio do Evangelho em cada oportunidade. Como você alimenta a chama viva do serviço diante dos desafios diários?
Vivência concreta
- Acolha a diversidade e os desafios. Pratique a escuta ativa. Reserve momentos para ouvir seus alunos, mostrando interesse genuíno por suas histórias e necessidades. Lembre-se também de adaptar suas estratégias, variando métodos de ensino para atender diferentes estilos de aprendizagem e realidades culturais readaptar sua aula de aula.
- Ofereça apoio emocional: Esteja atento a sinais de sofrimento ou vulnerabilidade e, quando necessário, encaminhe para ajuda especializada. Reconheça e celebre talentos, conquistas e progressos individuais, mesmo que pequenos.
- Mantenha uma postura resiliente: Diante de críticas ou indiferença, lembre-se de que o impacto do seu trabalho pode ser invisível no momento, mas é significativo a longo prazo.
- Ore e reflita: Busque força espiritual em momentos de dificuldade, renovando sua motivação no serviço a Deus.
- Compartilhe experiências: Dialogue com outros educadores cristãos sobre desafios enfrentados, buscando apoio e novas perspectivas. Compartilhe recursos e ideias, troque materiais, estratégias e experiências com colegas, promovendo um ambiente de colaboração. Esteja disponível para ajudar outros educadores e, quando precisar, não hesite em pedir ajuda.
- Celebre pequenas vitórias: Reconheça os avanços diários, mesmo que discretos, como sinais da presença de Deus em sua missão.
- Reforce sua vocação: Lembre-se, ao iniciar e encerrar cada dia, que sua identidade e valor vêm de Deus, e não apenas do reconhecimento externo.
- Pratique a gratidão: Cultive o hábito de agradecer a Deus pelas oportunidades de servir e pelas vidas alcançadas, mesmo nos dias difíceis.
- Participe de grupos e reuniões: Envolva-se em iniciativas da Pastoral da Educação, encontros de formação ou grupos de oração com outros professores.
Ao aplicar esses princípios, a rotina do educador cristão se transforma em um autêntico serviço missionário, pois cada gesto, palavra e atitude podem refletir o amor e a presença de Cristo no ambiente escolar.