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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 2 – 27/04/2025

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 2 – 27/04/2025 Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba 13

O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 2 – 27/04/2025

SEMEADOR

Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 2 – 27/04/2025

Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba

13 Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14 Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16 Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17 Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18 e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19 Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20 Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21 Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23 e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25 Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26 Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27 E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28 Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29 Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30 Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31 Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32 Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33 Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34 E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. (Lc 24,13-35).

O educador, agente de transformação e Misericórdia

Estamos vivenciando a Páscoa do Senhor, para os cristãos é o ponto alto, assim como o ápice de seu caminho religioso. Entretanto, esta data é muito mais que uma festa religiosa, mais do que uma mera efeméride de conotação religiosa em nossas agendas. Ocorre que a Páscoa, é na verdade um projeto de vida, experiência da vida nova, que em Cristo se renova.

No calendário litúrgico católico, o considerado 2º Domingo da Páscoa, é a Festa da Misericórdia, de tal forma o convite de hoje para nós educadores, que há muito tempo já nos percebemos enquanto agentes de transformação, é nos desafiarmos a também sermos agentes de Misericórdia, como o ressuscitado, Jesus de Nazaré. É encantador pensar, que Deus em sua força e grandeza, na pessoa de Jesus Cristo, revelou-se Misericórdia, que uma vez assumida por nós, ressignifica nossa atuação como educadores, levando a bem assumirmos nossa tarefa de formar para a vida: pessoas que se sintam bem, amadas e acolhidas, para assim tornar o mundo um lugar melhor, justo e mais humano.

Nesse domingo celebramos nossa fé a partir de um dos Evangelhos mais belos nesta dinâmica pascal em que estamos mergulhados, a Ressurreição de Jesus aos Discípulos de Emaús. O que em muito nos toca, mediante o convite a misericóricordia desse 2º Domingo da Páscoa, e fala muito a nossa missão de educar, é a paciência de Jesus com os discípulos, sua pedagogia. Podemos nos perguntar assim como no Evangelho, o que estamos conversando pelo caminho? Que tal pensarmos um pouco, a medida de nossa misericórdia no exercício de nossa árdua missão?

Para meditar ao longo da semana

14ab “Do forte saiu a doçura!” (Jz 14, 14ab).

1) A partir do Evangelho desse domingo, a sentença bíblica que nos inspira é instigante, lacônica talvez, mas fundamental para pensarmos como João Batista de La Salle, que ao educador cabe: competência, ternura e vigor. Estamos a tratar do Livro dos Juízes que retrata o momento histórico da formação do Povo de Deus, pela busca em declarar posse sobre a terra prometida, conta-se que Deus terá chamado um homem de nome Sansão para libertar o povo de Israel, dominado pelos Filisteus. Sanção, é a figura de Israel, do Povo de Deus, que eleito pela graça do Senhor, em inúmeras vezes quebra essa aliança, pois o que é forte, é na verdade bem frágil assim como barro, quando diante dos dilemas e situações particulares à vida.  Portanto, no momento em que estamos, em nosso caminho, e por como discípulos que somos, o que vamos conversando pelo caminho: quais são nossas fragilidades e quais são os nossos limites?

2) “Do forte saiu a doçura”, isto é, daquele que julgando-se forte, consciente de suas qualidades, ao partir para os seus inúmeros limites (tudo que em si mesmo, ainda tem para trabalhar), vem a experimentar a grande Misericórdia de Deus, que é a doçura na vida da pessoa humana. Todavia, à mesma medida que somos amados por Deus, somos chamados a amar o mundo.

3) Na eminência de ainda celebrarmos a vida do nosso querido Santo Padre o Papa, Francisco, celebramos alguém que nos convidou a nunca temer a Misericórdia. Nós estamos acostumados a acentuar nossas fortalezas, mas para que a Misericórdia com que somos chamados a agir para com nossos educandos aconteça, primeiro é necessária a Misericórdia com nossas próprias fraquezas. Porém, quais fortalezas criadas por nós, falsas seguranças, que nos impedem de acessarmos nossas fraquezas e trabalharmos a nós mesmos?

Vivência concreta

1) Sim, de fato nos ocorre que “do forte saiu a doçura”, não de Sansão, ou do antigo Israel, mas de Deus mesmo, em Jesus Cristo. Quiséramos nós, também agir com esta mesma Misericórdia com que somos atendidos, eis o sentido da Páscoa, caro educador.

2) Quantas vezes temos de ser fortes em nossa missão educacional, que para a devida competência, em cumprimento da nossa missão, requer o vigor necessário de algumas medidas disciplinares, ou em nossas tratativas pedagógicas com os educandos. Porém, que isso nunca nos aplaque, ou tire a devida doçura, a Misericórdia, assim como a de Jesus Cristo. Não nos esqueçamos da humanidade com a qual devemos bem orientar nossos educandos. Todavia, se primeiro temos a nós mesmos, em nossas próprias mãos.

3) Além de sermos agentes de transformação, precisamos nos tornar agentes de Misericórdia em nossa jornada pela educação. É muito mais fácil trabalhar com um jovem para levá-lo a mudar o mundo, que o educador aceitar, a partir das próprias feridas, acompanhar alguém como um típico adolescente em sua versão mais desafiadora para nós, trazendo em si uma criança ferida. E, caro educador, ainda não nos esqueçamos, em como a nossa nobre missão, também é formar gente, e gente boa eu diria, para a vida, a sociedade e a história. Porém, o caminho é o amor, a ternura e a doçura do Coração de Jesus, ainda que nossa missão tanto nos exige a sermos fortes, quando feridos como os nossos educandos, estejamos também nós.

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