SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 23 – 21/09/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Naquele tempo, Jesus dizia aos discípulos: “Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. Ele o chamou e lhe disse: ‘Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens’. O administrador então começou a refletir: ‘O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu patrão?’ Ele respondeu: ‘Cem barris de óleo!’ O administrador disse: ‘Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!’ Depois ele perguntou a outro: ‘E tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. O administrador disse: ‘Pega tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
Lucas 16, 1- 13
As leituras deste domingo nos colocam diante de uma questão central da vida de fé: quem ocupa o centro do nosso coração? O Senhor da vida ou as coisas da vida?
O profeta Amós denuncia com firmeza aqueles que exploram os pobres, adulteram medidas, lucram com a miséria e reduzem a vida a mercadoria. É uma denúncia que não envelhece, pois em todas as épocas corremos o risco de deixar que a ganância dite nossas escolhas. Por sua vez, o salmo proclama que Deus é aquele que se inclina da sua altura para erguer o indigente e colocá-lo entre os nobres. Onde o homem despreza, Deus exalta; onde o mundo descarta, Deus valoriza.
O apóstolo Paulo recorda que Deus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. A missão da comunidade cristã é orar, interceder e trabalhar por todos, sem distinção. Todos somos filhos e filhas amados do mesmo Deus.
Por fim, no Evangelho de Lucas, Jesus nos adverte: “Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro”. Os filhos da luz, diz Jesus, também precisam de inteligência, discernimento e coerência para viver no mundo sem se deixar escravizar por ele.
E o que isso diz aos educadores?
O educador é chamado diariamente a ser testemunha de justiça, equidade e verdade. A sala de aula pode se tornar tanto um espaço de opressão como de emancipação e redenção; depende de como olhamos e tratamos os que nos são confiados. O educar não pode ser reduzido a uma relação mercantil de contrato, trabalho e salário. Mais do que isso, é preciso transcender e alçar os objetivos mais elevados da nossa sociedade para fazer do gesto de educar um serviço à vida, ao desenvolvimento humano e ao bem comum.
O professor é convidado a não compactuar com uma lógica pragmática e produtivista, mas a valorizar cada aluno, sobretudo os mais frágeis; é chamado a ser sinal de que Deus “levanta da poeira o indigente”, dando oportunidades e acreditando nos que poucos acreditam. A sala de aula, a Educação, é espaço de inclusão, e a oração do educador que crê pode se traduzir em paciência, cuidado e dedicação.
Ser fiel nas pequenas coisas é olhar com amor e cuidado para aqueles que são vistos como não-lucrativos ou improdutivos. Ser educador é saber elevar, promover, desenvolver e ter gestos de incentivo. Isso é ser fiel ao Deus do evangelho.