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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 24 – 28/09/2025

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 24 – 28/09/2025 Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba Naquele

O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 24 – 28/09/2025

SEMEADOR

Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 24 – 28/09/2025

Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’. O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’ O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'”. 

Lc 16,19-31.

“Ignorar o sofrimento alheio nos traz consequências graves”

O Evangelho de hoje nos apresenta a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (Lc 16,19-31), e nos chama a atenção para a diferença entre os mundos dos ricos e dos pobres, não apenas materialmente, mas, sobretudo, espiritualmente.

O rico vivia na ostentação e no egoísmo, indiferente ao sofrimento do pobre Lázaro, que jazia à sua porta. Após a morte, suas posições se invertem: Lázaro encontra consolo ao lado de Abraão, enquanto o rico sofre tormentos, pois, durante a vida, desprezou o sofrimento do outro e nem soube partilhar suas bênçãos.

Esta parábola nos convida a refletir sobre como cada um administra os dons e recursos que possui, incluindo o tempo, a atenção e o cuidado com aqueles que nos cercam, especialmente os mais vulneráveis. Não basta possuir riquezas; é necessário ser administrador justo delas, cuidando dos necessitados e praticando a caridade como expressão de fé verdadeira (Tiago 2,15-17).

O Papa Francisco [1], ao refletir sobre este evangelho, ensinou que o primeiro convite que esta parábola nos faz é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom. Para o Pontífice, o homem rico, que segue vaidoso e soberbo mesmo após a morte, revela a personalidade de alguém que vive apenas aparências, com uma vida interior vazia e superficial. Este rico tinha apenas o dinheiro, que nada lhe serve na região dos mortos (Papa Francisco, mensagem para a Quaresma 2017). Enquanto estava vivo, não enxergou Lázaro; é no meio dos tormentos do Além que ele finalmente o vê, clamando para que Lázaro alivie seu sofrimento, gestos que ele mesmo nunca fez enquanto Lázaro sofria à sua porta.

Ainda nesta parábola, Lázaro pede que seus irmãos sejam avisados sobre os tormentos do Além, mas Abraão responde: “Eles já têm Moisés e os Profetas; que os escutem!” (Lc 16,29). Este é o verdadeiro problema do rico, lembra o Papa Francisco: não dar ouvidos à Palavra de Deus enquanto se pode! Deixando de amar a Deus, o rico fechou seu coração e passou a desprezar seu próximo, como se nada valesse (Mt 22,37-40).

Jesus, com esta parábola, nos ensinou que ignorar o sofrimento do outro traz consequências graves, porém, não devemos pensar apenas nas consequências após a morte. O desprezo pelo sofrimento alheio traz consequências reais e concretas em nosso dia a dia, porque o cristão verdadeiro não vive plenamente feliz e realizado sabendo que existem tantas injustiças no mundo. O cristão tem sede de justiça, não se alegra com o sofrimento, não torce por guerras e semeia a paz (Salmo 34,15; Mt 5,9).

Que este evangelho inspire nossa prática educativa, despertando em nós a consciência da responsabilidade social e da educação como instrumento para transformar vidas. Que possamos incentivar nossos alunos a serem atentos aos valores do amor e da partilha, promovendo ações concretas que valorizem a dignidade humana (1Co 13; Mt 25,35-40).

Para meditar ao longo da semana

1) Como tenho utilizado os bens e dons que recebo? Tenho sido solidário ou egoísta?

2) Tenho olhado com atenção e compaixão para as pessoas em situação de vulnerabilidade ao meu redor?

3) O que essa parábola me revela sobre minha fé e minha responsabilidade social como educador?

4) Estou aberto para mudar atitudes de indiferença e egoísmo?

5) Como educador, de que maneira posso ser um agente da justiça e do amor no meu meio?

Vivência concreta

1) Pratique uma ação solidária: ajude uma pessoa necessitada, seja com doação, voluntariado ou abraço fraterno.

2) Reflita diariamente sobre pequenas atitudes de generosidade que possam ser incorporadas na rotina.

3) Promova uma campanha ou atividade comunitária de apoio aos mais vulneráveis.

4) Cultive o hábito da oração pedindo a Deus luz para ver e atender às necessidades dos outros.

5) Compartilhe com familiares ou amigos a mensagem do Evangelho e incentive práticas de solidariedade.

Referência:

FRANCISCO, Papa. MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2017
. A Palavra é um dom. O outro é um dom. Vaticano, 18 de outubro – Festa do Evangelista São Lucas – de 2016.  Disponível em <https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/papa-francesco_20161018_messaggio-quaresima2017.html.

 

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