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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 40 – 18/01/2026

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 40 – 18/01/2026 2ª Domingo do Tempo Comum “Naquele tempo, 29 João

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SEMEADOR

Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 40 – 18/01/2026

2ª Domingo do Tempo Comum

“Naquele tempo, 29 João viu Jesus aproximar-se dele e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30 Dele é que eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim’. 31 Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel”. 32 E João deu testemunho, dizendo: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33 Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo’. 34 Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!” 

Jo 1, 29 – 34

Docência e profecia: o testemunho de João Batista como mediação da Verdade.

O Evangelho segundo João nos ensina que o testemunho nasce da experiência vivida. João Batista não fala de Jesus apenas porque ouviu dizer, mas porque viu o Espírito descer e permanecer sobre Ele. Seu testemunho brota do encontro, do reconhecimento de uma Presença que transforma o olhar e o coração. Ele mesmo afirma: “Eu vi e dou testemunho” (cf. Jo 1,34).

Esse “ver” não se limita aos olhos do corpo, mas envolve os olhos da fé. É um olhar atento, aberto e disponível à ação de Deus. João Batista testemunha porque reconhece que Deus está agindo ali, de modo novo e surpreendente. Antes mesmo de compreender tudo, ele se deixa conduzir pela experiência e confia no sinal recebido.

Para reconhecer a ação de Deus, é preciso aprender a olhar de outro modo. O poeta Manoel de Barros nos ajuda a compreender isso quando diz que não viu “uma garça à beira do rio”, mas “um rio à beira da garça”. Essa imagem simples nos recorda que a fé nos convida a olhar o mundo com os olhos do coração, valorizando o que é pequeno, escondido e cheio de sentido. Na vida cristã e na educação, muitas vezes somos tentados a olhar apenas para o que é útil, rápido ou visível. No entanto, Deus se revela no silêncio, no detalhe e no processo.

Quando aplicada à educação, essa atitude nos leva a compreender que educar não é apenas transmitir conteúdos, mas formar pessoas por inteiro. Educar é ajudar cada pessoa a descobrir quem é, qual é seu valor e qual é o sentido de sua vida. É um processo que envolve a mente, o coração e as ações. A educação, nesse horizonte, torna-se um verdadeiro espaço de encontro: consigo mesmo, com o outro e com Deus. Ela ajuda o educando a crescer em autonomia, responsabilidade e abertura ao bem. Não se trata apenas de preparar para o futuro, mas de ensinar a viver plenamente o presente.

Jesus diz a Nicodemos que é preciso “nascer de novo”. Essa palavra pode iluminar também a missão educativa. Educar é ajudar a pessoa a renovar o olhar, a rever atitudes, a recomeçar sempre. É um caminho contínuo de conversão e crescimento. Nesse sentido, a educação pode ser vista como um verdadeiro Pentecostes permanente, no qual o Espírito Santo continua a agir, abrindo corações, despertando dons e fortalecendo vínculos. Onde há escuta, diálogo e acolhida, o Espírito faz nascer algo novo.

A imagem de Michelangelo, que via a escultura escondida no bloco de mármore, ajuda a compreender a missão do educador cristão. O educador não cria o ser humano, mas ajuda a revelar aquilo que Deus já colocou em cada pessoa. Ele acredita no potencial do educando, mesmo quando este ainda não consegue vê-lo. Assim como João Batista apontou para Jesus, o educador aponta caminhos, ilumina possibilidades e acompanha processos. Ele não impõe, mas orienta; não controla, mas confia. Sua principal missão é testemunhar, com a própria vida, que cada pessoa é amada por Deus e chamada a crescer.

À semelhança de João Batista, o educador cristão é chamado a testemunhar uma Presença que o antecede: Deus já está agindo no coração de cada educando. Educar, portanto, é participar da obra de Deus, ajudando cada pessoa a reconhecer sua dignidade e a viver com sentido. Educar é, em última instância, revelar o humano ao próprio humano, à luz da fé, da esperança e do amor.

 

 

 

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