SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 41 – 25/01/2026
3ª Domingo do Tempo Comum
Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia.13 Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia,14 no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15″Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos!16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17 Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 18 Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20 Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23 Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
Mt 4,12-23
“O Chamado e a Missão do Educador”
O Evangelho deste domingo narra o início da vida pública de Jesus e o chamado dos primeiros discípulos: os irmãos Pedro e André, e Tiago e João, todos pescadores simples da Galileia. Essa passagem é rica em significados, tanto para a vida cristã quanto para nossa missão como educadores.
Vemos, antes de tudo, a que Jesus não permaneceu parado; ao contrário. Ele saiu, caminhou, encontrou, anunciou. Jesus é o mestre itinerante, sempre em movimento, sempre a caminho. Seu gesto peregrino marca o início de um Reino que nasce nas margens, entre pessoas simples e de coração aberto.
Curiosamente, o convite de Jesus não é dirigido a intelectuais, sacerdotes ou pessoas de destaque, mas a trabalhadores comuns, homens acostumados à dureza do cotidiano. A esses Ele apenas disse: “Segue-me, e eu farei de vós pescadores de homens.” E eles, sem hesitar, deixaram suas redes, seus barcos e suas seguranças para, imediatamente, segui-Lo.
O convite de Jesus continua ecoando hoje. Ele nos chama à conversão, não apenas a uma mudança de aparência, mas a uma transformação verdadeira de mente e coração. Seguir Jesus é colocar-se à disposição, em movimento, com Ele e por Ele, para anunciar o Reino de Deus com gestos concertos de amor, paz e justiça.
Como educadores, também recebemos o chamado para sermos “pescadores de homens” e a lançar as redes todos os dias. Mas o que significa essa pesca? Não é conquistar seguidores ou convencer pela imposição de ideias. “Pescar homens”, à luz do Evangelho, é conduzir pessoas à plenitude, ajudá-las a encontrar sentido de vida, dignidade e esperança.
Cada aula, cada conversa, cada gesto dentro da escola é um lançar de redes. Quando ajudamos um aluno a sair das trevas da desesperança, quando despertamos nele o desejo de aprender, quando o ensinamos a sonhar, a ser gentil, a praticar a solidariedade, estamos pescando para o Reino de Deus.
Ensinar é muito mais do que transmitir conteúdo. É cuidar, formar e transformar. Quando ajudamos alguém a sair da escuridão da indiferença ou da violência, quando inspiramos esperança e fé, estamos anunciando o Reino de Deus e, portanto, participando da missão do próprio Cristo.
No entanto, para isso, é preciso antes ouvir o Mestre. Deixar que Suas palavras toquem o coração, renunciar ao medo e às inseguranças, e seguir os passos de Jesus com confiança e coragem.
Que nós, educadores, sejamos também discípulos missionários: corajosos, disponíveis, generosos e cheios de fé. Que possamos, com nossas palavras e atitudes, lançar as redes da educação e recolher frutos de humanidade, justiça e amor.
Que o Senhor nos conceda a graça de, como os primeiros apóstolos, abandonar o medo e seguir imediatamente o seu chamado, lançando as redes com fé e amor no mar da educação.
Para meditar ao longo da semana
1) “Segue-me” – o chamado pessoal de Jesus.
Reserve um tempo de silêncio para ouvir interiormente esse convite. O que Jesus está lhe pedindo neste momento da sua vida e missão como educador?
2) Disponibilidade e confiança.
Os discípulos deixaram tudo e confiaram. Como posso confiar mais em Deus e menos nas minhas seguranças? Quais “redes” preciso deixar para servir com mais liberdade e amor no ambiente escolar?
3) Jesus, o Mestre que caminha.
Ele não esperou que viessem até Ele, pois Ele que foi ao encontro. Como, neste novo ano, posso ser um educador mais próximo, que caminha com os alunos e colegas?
4) Educar é lançar redes.
O que significa, na prática, lançar minhas redes como educador cristão? O que desejo “pescar” através do meu trabalho com os estudantes?
5) Conversão e renovação de propósito.
Que atitudes ou hábitos preciso transformar antes do início das aulas para que minha presença seja mais leve, acolhedora e coerente com o Evangelho?
Vivências concretas para a semana
1) Tempo de oração pessoal.
Escolha um momento tranquilo do dia para meditar sobre o chamado de Jesus. Reze pedindo sabedoria e serenidade para iniciar o novo ano letivo.
2) Gratidão pelas redes de ensino e convivência.
Faça memória das pessoas (alunos, colegas, famílias) com quem partilhou o ano anterior. Agradeça por cada história e desafio vivido.
3) Contemplar a natureza.
Aproveite as férias para descansar em contato com o que é simples e belo. Jesus chamou os discípulos à beira do mar, talvez Ele também queira falar ao seu coração em meio ao silêncio e à criação.
4) Planejar com sentido.
Ao pensar nas próximas aulas, reserve um tempo para se perguntar: “O que quero despertar nos meus alunos além do conteúdo?” Deixe que essa pergunta oriente seu planejamento.
5) Partilha e comunhão.
Converse com outros educadores sobre o significado de “lançar as redes” neste novo tempo. Compartilhar fé e propósito fortalece a missão comum.