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“Todo Cristão deve lutar contra o racismo”: Podcast Voz da Igreja destaca o Dia da Consciência Negra

Neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra, o podcast Voz da Igreja, da Arquidiocese de Curitiba, trouxe uma reflexão

“Todo Cristão deve lutar contra o racismo”: Podcast Voz da Igreja destaca o Dia da Consciência Negra

Neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra, o podcast Voz da Igreja, da Arquidiocese de Curitiba, trouxe uma reflexão profunda e necessária sobre a data. Conduzido por Eduardo Filho, ativista social, gestor de OSC e fundador do Coral Negro de Curitiba, o programa recebeu Dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA) e referência nacional da Pastoral Afro-Brasileira.

Uma conversa sobre fé, história e compromisso cristão

Logo na abertura, Eduardo recordou a relevância da data, reforçando que o 20 de novembro não é apenas um feriado, mas um convite à reflexão sobre justiça, igualdade e acolhimento, especialmente no contexto da fé cristã. Inspirando-se em Santo Agostinho, destacou: “quanto mais conhecemos, mais amamos” — uma motivação para aprofundar a compreensão sobre a realidade da população negra no Brasil. O apresentador também resgatou a importância histórica da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, em Curitiba, espaço tradicional de acolhimento à população negra e imigrante. Escavações realizadas no local encontraram mais de 100 ossadas de pessoas escravizadas, um testemunho da memória que precisa ser preservada e reconhecida.

Dom Zanoni reforçou que o 20 de novembro marca a morte de Zumbi dos Palmares, símbolo maior da resistência negra no Brasil. Ele relembrou aspectos da vida de Zumbi e ressaltou como ações afirmativas, educação e formação podem transformar destinos e fortalecer identidades, afirmando que a luta de Palmares continua atual na defesa da vida, da cultura e da liberdade.

O arcebispo explicou que a data não é apenas um recorte histórico, mas um chamado espiritual e social: “O 20 de novembro nos lembra que a dignidade humana é sagrada e que não podemos compactuar com estruturas que negam essa dignidade.” Ele ainda destacou a necessidade de uma postura ativa diante da realidade brasileira, lembrando que “não basta lutar contra o racismo; é preciso ser antirracista”, sobretudo dentro das comunidades cristãs.

Pastoral Afro: evangelização que nasce do povo

Um dos pontos centrais do diálogo foi o papel da Pastoral Afro Brasileira. Dom Zanoni esclareceu que ela não atua como ONG, coletivo ou movimento político, mas como expressão da própria evangelização, fundamentada na Boa Nova e na missão de olhar a vida concreta das pessoas. “A pastoral nasce da realidade do povo. E se mais da metade do Brasil é formada por pessoas negras, evangelizar significa também escutar, compreender e valorizar essa história”, explicou.

Ele lembrou que a Pastoral Afro trabalha para fortalecer identidade, memória, espiritualidade e participação, sempre unindo fé e vida. Em Curitiba, a Pastoral Afro-Brasileira é coordenada pela Cristina Oliveira e os espectadores podem entrar em contato por telefone, no (41) 98806-3510 ou por e-mail, no [email protected]. A atuação da pastoral mantêm viva a reflexão sobre cultura, liturgia e cidadania.

Enfrentar o racismo é também missão da Igreja

Durante a entrevista, o arcebispo foi incisivo ao afirmar que ainda vivemos as consequências de mais de 300 anos de escravidão, presentes no racismo estrutural, na violência contra jovens negros e na desigualdade que marca especialmente os chamados “PPP”, pretos, pobres e periféricos. Para ele, a evangelização autêntica integra anúncio da fé com promoção humana, justiça social e defesa da vida. Dom Zanoni também lembrou que o próprio Papa Francisco frequentemente chama a Igreja a enfrentar desigualdades e discriminações. “Jesus veio para que todos tivessem vida, e vida em plenitude”, afirmou, destacando que o compromisso com a vida plena inclui combate ao preconceito, valorização cultural e acolhimento das pessoas que historicamente foram marginalizadas.

Olhar para o futuro: compromisso e participação

Ao final, o arcebispo anunciou que o 17º Encontro de Pastoral Afro Latino-Americana e Caribenha será sediado no Brasil, na Arquidiocese de Feira de Santana, em 2025. O evento reunirá representantes de diversos países e marcará um importante momento de unidade continental. Dom Zanoni convidou todos a acompanharem essa caminhada, reforçando que a construção de uma sociedade justa depende da participação ativa das comunidades.

Ele encerrou com uma mensagem de esperança e responsabilidade cristã: “Sejamos protagonistas da construção de um mundo de paz e justiça, sinal do Reino definitivo”, lembrando que a paz nasce do compromisso diário com a dignidade humana.

O episódio reforça que o Dia da Consciência Negra não é uma comemoração superficial, mas um apelo cristão à conversão, fraternidade e transformação social. A Arquidiocese de Curitiba agradeceu a presença de Dom Zanoni e convidou as comunidades a promoverem debates, formações e atitudes concretas contra o racismo. A bênção final do arcebispo encerrou o encontro, estendendo sobre todos os ouvintes um chamado constante à paz, ao amor e à responsabilidade.

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Por Luiz Fernando Hanysz
Setor de Comunicação da Arquidiocese de Curitiba

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