SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 44 – 15/02/2026
6º Domingo do Tempo Comum
“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 17 “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18 Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19 Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. 20 Porque eu vos digo: Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21 Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. 22 Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno. 23 Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. 25 Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26 Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. 27 Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 30 Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. 31 Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. 32 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério. 33 Vós ouvistes também o que foi dito aos antigos: ‘Não jurarás falso’, mas ‘cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor’. 34 Eu, porém, vos digo: Não jureis de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; 35 nem pela terra, porque é o suporte onde apoia os seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. 36 Não jures tampouco pela tua cabeça, porque tu não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. 37 Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso ‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. Palavra da Salvação.
Mt 5, 17 – 37.
No Evangelho deste domingo, Jesus afirma que não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude. Ele aprofunda o sentido do mandamento, mostrando que a verdadeira fidelidade a Deus não está apenas no cumprimento exterior, mas na transformação do coração. Jesus vai além do “não matar” e revela que a raiva, a indiferença e a falta de reconciliação já são rupturas graves com o amor. Vai além do “não cometer adultério” e chama à pureza interior. Vai além da simples palavra jurada e convida à verdade transparente em todos os relacionamentos.
Essa passagem se torna especialmente significativa quando olhamos para a missão dos educadores. Como Jesus, o educador não trabalha apenas com normas, regras e conteúdos. Ele busca formar consciências, transformar interioridades, despertar sentido, responsabilidade e liberdade madura.
“Não abolir, mas cumprir”: o educador que dá sentido
Jesus ensina que a Lei não deve ser descartada; ela precisa ser compreendida em profundidade. Também o educador sabe que regras, rotinas e limites não são barreiras, mas caminhos de crescimento. A tarefa pedagógica é ajudar o estudante a entender o porquê das orientações, mostrando que o verdadeiro aprendizado nasce da adesão interior, não da simples obediência.
A ira e a reconciliação: educar para a cultura da paz
Quando Jesus pede reconciliação antes mesmo do culto, Ele nos lembra que a convivência humana é sagrada. O educador, em meio a tantas realidades de conflito, frustração e agressividade, é chamado a ser artesão de paz: mediando conflitos, incentivando o diálogo, fortalecendo a empatia e a escuta. Cada ambiente escolar que se torna lugar de reconciliação se aproxima mais do Reino.
Pureza de coração: educar o olhar
Quando Jesus fala sobre o olhar desejoso ou impuro, Ele indica que as intenções profundas também moldam nossas ações. No mundo atual, marcado por excessos, impulsos e estímulos desmedidos, o educador tem missão profética: ajudar os jovens a discernirem o que consome seus pensamentos, desejos e escolhas. Educar o olhar é educar para a responsabilidade, para o cuidado e para a dignidade do outro.
“Seja o vosso ‘sim’, sim”: a palavra verdadeira do educador
Jesus convida a uma palavra íntegra, transparente e confiável. Na vida educativa, a autoridade do professor não depende apenas de técnicas, mas da coerência: do que ele promete e cumpre, do que orienta e vive, da forma como fala e age. Um educador de palavra firma vínculos duradouros e transforma vidas por seu testemunho. Jesus mostra que o essencial não é o cumprimento frio da norma, mas a conversão do coração. O educador, à sua maneira, participa dessa mesma missão ao despertar consciências, formar para a responsabilidade, convidar à maturidade, cultivar relações marcadas pela verdade e pela paz…
Que este Evangelho inspire todos os educadores a viverem sua vocação com profundidade, ajudando seus estudantes a irem além do mínimo, a descobrirem o sentido da vida e a crescerem na plenitude do amor.