Sob o lema “Todas as formas de vida importam! Mas quem se importa?”, a 30ª Marcha dos Excluídos e Excluídas refletiu a rica identidade cultural de diversas comunidades.
Na manhã de 7 de setembro, o centro histórico de Curitiba foi o palco da 30ª Marcha dos Excluídos e Excluídas. Com o lema “Todas as formas de vida importam! Mas quem se importa?”, os manifestantes à frente da marcha exibiam com orgulho a identidade cultural de suas comunidades e carregavam faixas que defendem os direitos dos povos indígenas. Atrás deles, formava-se um grupo representativo das várias formas de resistência contra o preconceito e os estereótipos.
“O Grito nos ajudou a olhar todas as formas de vida, e que elas importam, independentemente da situação atual em que se encontra cada pessoa. Iniciativas como essa mostram que o papel de todo cristão e toda cristã é unir-se às dores e clamores do povo, propagando a Boa Nova de Jesus”, afirma Claudio Paulo Hernandes, 44, Articulador do Grito dos Excluídos. Para Hernandes, o clamor que ecoa nas ruas mostra que é possível lutar por justiça social e dignidade, assegurando os direitos das minorias, que, de acordo com o articulador, são constantemente violados. “Esperamos que esses gritos sejam ouvidos e se transformem em políticas públicas que respeitem, atendam e devolvam a cidadania das pessoas”, afirma Claudio, que também é membro da paróquia Nossa Senhora do Rosário de Belém, do bairro Cajuru.

Cada pessoa na marcha defendia uma causa específica, mas a diversidade dentro da unidade era evidente, com cada um trazendo sua própria perspectiva e vivência. A diversidade e a luta por justiça social estavam em destaque, incluindo pessoas de diferentes origens, pessoas negras, assentados e aqueles que vivem nas ruas, todos unidos na busca por moradia, alimentação e dignidade.
Vozes da Resistência
Entre os participantes, Hamilton Luiz Delmutti Manente, 71, interagia animadamente com todos ao seu redor. Com uma rica experiência em movimentos sociais e marchas, ele compartilhou memórias de como a colaboração e o coletivismo foram cruciais para enfrentar desafios e superar adversidades no passado. Hamilton, agora envolvido com o movimento Marmitas da Terra, reafirma sua crença na importância da solidariedade e na transformação coletiva. “Pessoas humildes, conscientes e solidárias, com ideal comunitário perfeito, tratam a terra como irmã, mãe, a grande responsável por sustentar a vida pela alimentação”, conta.
Comida para quem tem fome

O chef de cozinha Leonardo Ghisolfi, 26, começou sua atuação social durante a pandemia, ao aceitar o desafio de produzir grandes quantidades de marmitas solidárias. Para ele, a luta contra a fome e a promoção da soberania alimentar são essenciais, e ele vê uma conexão entre essas causas e a busca por uma forma de estado mais justa. “A Marcha dos Excluídos e Excluídas e o fim da fome estão conectados no sentido de vivenciarmos a falácia da falsa independência. Quando nos erguemos coletivamente como minoria, porém na condição de maioria, vejo uma prospecção de futuro”, desabafa.
Outro movimento que esteve presente no Grito dos Excluídos foi o coletivo Marmitas da Terra. Os membros da iniciativa exemplificam a diversidade e a solidariedade no enfrentamento da fome e da exclusão. Vanessa Dotto, professora e membro do coletivo, destacou a importância simbólica e prática de distribuir alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade, reforçando a necessidade de uma alimentação saudável e a luta pela independência alimentar. Ainda há muitas pessoas em situação de vulnerabilidade, nas ruas, e é aí que o coletivo entra. A luta é diária para que todos tenham direito a uma alimentação saudável e viver sua independência alimentar”, diz a professora. O evento, que começou na Praça Tiradentes, viu uma ampla distribuição de alimentos para aqueles que vivem nas ruas e para famílias em situação de necessidade. O envolvimento da comunidade na organização e limpeza do local demonstrou o espírito de colaboração e responsabilidade social que caracteriza a marcha.
O 30º Grito dos Excluídos e Excluídas foi uma poderosa expressão de resistência e solidariedade, reunindo pessoas de diversas origens e causas em uma luta comum por justiça e dignidade. O evento continuou a refletir o compromisso com uma sociedade mais justa, humana e solidária.
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Com informações de Jan Schoenfelder (Coletivo Marmitas da Terra) e Solange Engelmann