SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 28 – 26/10/2025
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
“Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.”
Lucas 18, 9-14.
As leituras deste domingo nos recordam que Deus vê o que está no coração e que Sua justiça se manifesta especialmente em favor dos pequenos, dos humildes e dos que sofrem. Ele não discrimina pessoas, mas ouve o clamor dos oprimidos e acolhe as preces sinceras daqueles que, mesmo feridos pela vida, não deixam de confiar em Sua infinita misericórdia.
O Livro do Eclesiástico descreve um Deus atento, que escuta a voz dos pobres e das viúvas, cuja oração “atravessa as nuvens”. Esse Deus não se deixa cegar por aparências, mas reconhece a verdade do coração. Por sua vez, o salmo canta essa mesma certeza afirmando que: “O pobre clama a Deus e ele escuta; o Senhor liberta a vida dos seus servos.” Ou seja, a fé dos simples chega até o coração de Deus.
No Evangelho, Jesus nos apresenta dois modos de rezar — e, por consequência, dois modos de viver. O fariseu se exalta, preso a si mesmo e à aparência de suas obras; o publicano, por sua vez, se reconhece necessitado de perdão e graça. São duas formas de nos apresentarmos diante do Senhor, cheios de méritos ou reconhecendo-nos necessitados de Deus. Porém, é a humildade, e não o orgulho, que abre o coração à salvação. E o que essa liturgia diz aos educadores? O professor vive constantemente a tensão entre o fazer muito e o ser em profundidade. É tentador buscar reconhecimento, medir o próprio valor pelos resultados. Mas o Evangelho lembra: não é a visibilidade do trabalho que agrada a Deus, mas a verdade do coração com que o realizamos. O educador cristão é chamado a servir com humildade, sabendo que o bem que faz muitas vezes não é visto, mas é ouvido por Deus, que “escuta o clamor dos seus servos”.
Ser educador é, também, viver a oração do publicano: reconhecer os próprios limites, pedir inspiração e força a cada dia, e deixar que Deus transforme as fragilidades em instrumentos de amor. É resistir à tentação de julgar ou desprezar os que precisam de mais atenção, ou aprendem mais lentamente, e acreditar, como o Senhor, que em cada aluno há uma centelha de graça e dignidade. O exemplo de Paulo inspira perseverança: combater o bom combate da educação com fé, mesmo quando faltam reconhecimento e apoio, confiando que o justo juiz conhece o esforço de cada um. A “coroa da justiça” prometida ao apóstolo também é promessa para todo aquele que ensina com amor e paciência, com entrega de coração.