SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 35 – 14/12/2025
“Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, 3 para lhe perguntarem: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5 os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6 Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” 7 Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões, sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8 O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9 Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10 É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. 11 Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”
Mateus 11,2- 11
Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim
O povo judeu esperou (e ainda espera) por séculos a chegada do Messias. Mas, a imagem que eles tinham deste “ungido” era de um libertador político-militar, que livraria Israel dos opressores romanos, restituindo a condição de um reino independente e autônomo, regido por Deus. Jesus se apresenta como o Messias, mas nada tem desse imaginário que os judeus sustentam, a tal ponto que o próprio João Batista ficou em dúvida.
O Reino de Deus, que Jesus veio anunciar, é muito mais do que a simples reconstrução do reino de Israel. O sonho de Deus é muito maior: é um reino construído por irmãos que se amam entre si e amam a Deus como pai de todos; é um reino para toda a humanidade, não apenas para uma nação privilegiada. É um reino de justiça, paz, fraternidade, solidariedade para com os pequenos. É um reino onde o maior é servo de todos. É um reino onde “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”.
Como educadores cristãos, somos chamados a aderir a este mesmo Reino de Deus, no “estranho modelo” que Jesus veio anunciar e, como discípulos-missionários, devemos também anunciá-lo. Isso também nos escandaliza? Ou estamos em sintonia com o projeto do Reino de Deus segundo a intenção do próprio Deus?
Para meditar ao longo da semana
1) Tenho acolhido o Reino de Deus como ele é ou como eu gostaria que fosse? Reflita se suas expectativas humanas estão alinhadas ao projeto de Deus.
2) Meu jeito de educar revela o Reino de Jesus ou repete lógicas de poder e privilégio? Pergunte-se se sua prática pedagógica serve aos pequenos ou aos fortes.
3) Sou discípulo-missionário de um Reino de amor e serviço ou de prestígio e controle? Examine se sua missão educadora anuncia realmente Jesus ou apenas ideais humanos.
Vivência concreta
1) Dê voz e vez aos pequenos em sua sala de aula. Acolha e valorize especialmente os alunos mais esquecidos, inseguros ou marginalizados.
2) Promova a cultura da solidariedade e do serviço entre os estudantes. Incentive práticas que estimulem a empatia, o cuidado mútuo e a fraternidade.
3) Questione e reveja atitudes que reproduzam privilégios, favoritismos ou exclusões. Eduque com critérios do Reino de Deus, não com lógicas de poder.