SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 66 – 19/07/2026
16º Domingo do Tempo Comum
Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba
Naquele tempo: 24 Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26 Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27 Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’ 28 O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’ 29 O dono respondeu: ‘Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30 Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!'” 31 Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”. 33 Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. 36 Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!” 37 Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38 O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39 O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40 Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42 e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.
Mateus 13, 24-43
O trigo e o joio: a missão dos educadores como semeadores do bem
No Evangelho deste 16º Domingo do Tempo Comum, Jesus apresenta a parábola do trigo e do joio. Um homem semeia boa semente em seu campo, mas durante a noite o inimigo semeia joio entre o trigo. Quando os servos percebem a presença das ervas daninhas, desejam arrancá-las imediatamente. No entanto, o senhor do campo pede paciência: “Deixai crescer um e outro até a colheita” (Mt 13,30).
Essa parábola revela a realidade da vida humana. No mundo, convivem o bem e o mal, a virtude e a fragilidade, a fidelidade e o erro. Deus, em sua infinita sabedoria e misericórdia, não age com precipitação, mas oferece tempo para a conversão, o amadurecimento e o crescimento.
Ao refletirmos sobre a missão dos educadores, encontramos nessa passagem um profundo ensinamento. A escola, assim como o campo da parábola, é um espaço onde diferentes histórias, talentos, dificuldades e desafios convivem diariamente. O educador encontra alunos com potencialidades extraordinárias, mas também marcados por limitações, inseguranças, conflitos e dificuldades de aprendizagem.
A atitude dos servos, que desejam arrancar o joio imediatamente, pode representar a tentação de julgar rapidamente, rotular ou desistir daqueles que não apresentam resultados imediatos. Jesus, porém, ensina a paciência pedagógica e a confiança no processo de crescimento. Educar é acreditar que cada pessoa possui uma semente de bem plantada por Deus e que ela pode florescer quando recebe cuidado, atenção e oportunidades.
O educador cristão é chamado a ser semeador da boa semente do conhecimento, dos valores humanos e do Evangelho. Sua missão consiste em cultivar vidas, despertar potencialidades e ajudar cada estudante a descobrir sua dignidade e vocação. Muitas vezes, os frutos desse trabalho não aparecem imediatamente, mas amadurecem silenciosamente ao longo do tempo.
A parábola também recorda que ninguém é apenas trigo ou apenas joio. Todos somos marcados por luzes e sombras, virtudes e fragilidades. Por isso, os educadores são convidados a exercer sua missão com misericórdia, compreensão e esperança, reconhecendo que o crescimento humano é um caminho gradual.
Como o agricultor da parábola, o educador trabalha com perseverança, confiando que Deus continua agindo no coração de cada aluno. Mesmo diante das dificuldades, dos desafios da educação e das limitações do ambiente escolar, sua missão permanece essencial: semear o bem, cultivar a verdade e promover a vida.
Que a Palavra de Deus deste domingo fortaleça todos os educadores em sua nobre vocação. Inspirados por Cristo, Mestre e Educador por excelência, sejam homens e mulheres de esperança, capazes de enxergar além das aparências e de acreditar que cada estudante é um campo onde Deus continua realizando sua obra.
“Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13,43). Que os educadores saibam ouvir, acolher e acompanhar seus educandos, ajudando-os a crescer como trigo fecundo para a construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna.