No dia 03 de março de 2026, um importante passo foi dado rumo a uma Igreja mais acolhedora e sensível às realidades dos migrantes. Nas dependências da PUCPR, aconteceu o primeiro encontro da Escola Arquidiocesana da Pastoral do Migrante, reunindo agentes pastorais das Paróquias e Comunidades da Arquidiocese de Curitiba. O evento marcou o início de uma caminhada coletiva, guiada pelo compromisso de preparar corações e mãos para receber, com dignidade e amor, aqueles que buscam um novo começo.
Esta Escola é fruto de uma parceria entre a coordenação do Serviço Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Curitiba e a equipe do setor de Identidade que visa consolidar os valores cristãos maristas e Teologia da PUC/PR. Com o apoio de Dom Reginei, a iniciativa nasce do desejo de fortalecer a atuação daqueles que, nas Paróquias e comunidades, são porta de entrada para os migrantes e assim qualificar o acolhimento, promovendo uma cultura de cuidado fraterno, onde cada pessoa é respeitada na sua dignidade e história.
O encontro teve início com um café de acolhimento, que, num ambiente de afeto e escuta atenta, ajudou aproximar os participantes desde o primeiro momento. Em seguida, cada participante se apresentou, partilhando as experiências do seu “chão”: os trabalhos voluntários, as alegrias e também as angústias de quem está no serviço pastoral. Essa partilha revelou a diversidade de trajetórias, mas, principalmente, o desejo comum de servir e transformar.
Inspirando esse percurso, a mensagem do Papa Francisco ecoou entre os presentes. Os quatro verbos – acolher, proteger, promover e integrar – foram apresentados como pilares para a ação pastoral junto aos migrantes. Acolher significa abrir espaço e coração aos que chegam; proteger é garantir direitos, dar segurança; promover é criar oportunidades verdadeiras de desenvolvimento; integrar, é fazer com que cada migrante sinta-se parte da comunidade, não como estranho, mas como irmão. São atitudes que desafiam, diariamente, a romper muros, construir pontes e buscar a justiça social.
Os participantes foram convidados a se organizarem em grupos e refletir a mensagem do Papa Francisco para o dia do migrante e refugiado de 2018 e falar de seus contextos pastorais. Muitos desafios e inquietudes vieram à tona. Os agentes relataram dificuldades práticas, como a falta de recursos, barreiras culturais e resistência em parte da comunidade. Houve partilhas sobre o medo do diferente, o cansaço diante das burocracias e as dúvidas sobre como ir além da assistência material, alimentando também a esperança e a fé. Aconteceram relatos também de migrantes que falaram de suas dores, dos pré-conceitos e falta de se colocar no lugar do outro e da outra em determinados grupos e setores públicos. Essas questões revelam o quanto a missão pastoral exige formação, empatia e disposição para aprender continuamente.
O primeiro encontro da Escola Arquidiocesana da Pastoral do Migrante foi mais do que uma escola: foi um chamado ao compromisso coletivo. Em cada gesto, palavra e troca, brotou a certeza de que, juntos, é possível construir uma Igreja viva, samaritana, capaz de enxergar Cristo no migrante e, assim, ser sinal de esperança em meio às travessias. Que a inspiração do Papa Francisco e a força da comunidade sigam impulsionando cada agente pastoral nessa nobre missão.
Agradecemos todas as pessoas envolvidas nesta escola inspirada pelo amor, as pessoas que sonharam e engendraram essa escola e todos que se dispuseram a dar passos para tornar nossa comunidade, cidade, país num lugar de acolhimento, proteção, promoção e integração de todo migrante, refugiado e todas as pessoas que colocaram a mochila as costas e buscar novos horizontes.
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Por
Ivete Bussolo
Pastoral do Migrante | Comissão da Dimensão Sociotransformadora


