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O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 51 – 05/03/2026

SEMEADOR Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 51 – 05/04/2026 Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor Vicariato para

O SEMEADOR | Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 51 – 05/03/2026

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Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 2 – Número 51 – 05/04/2026

Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor

Vicariato para a Educação – Arquidiocese de Curitiba

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo.4 Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.5 Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.6 Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8 Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. 9 De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

João 20,1-9

 

Ele devia ressuscitar dos mortos

No Evangelho deste domingo de Páscoa, contemplamos Maria Madalena, Pedro e João, o discípulo amado, diante do túmulo vazio: um cenário de medo, surpresa, corrida, silêncio e, enfim, fé. Naquela madrugada, quando ainda estava escuro, não é apenas a noite do lado de fora que envolve os discípulos, mas também a escuridão interior de quem perdeu o Mestre e parece ter perdido, junto com Ele, o sentido da própria vida.

Maria Madalena, que tanto amou Jesus, vai cedo ao sepulcro para cumprir o gesto simples e amoroso de levar perfumes ao corpo do Senhor, como mandava o costume judaico. Ela não vai esperando um milagre; vai movida pelo amor fiel, aquele amor que permanece mesmo quando tudo parece acabado. É justamente essa fidelidade concreta que a coloca no lugar certo, na hora certa, para ser a primeira a ver o sinal do Ressuscitado.

Quando ela se depara com o túmulo aberto, o primeiro sentimento não é alegria, mas espanto e medo: “Levaram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Quantas vezes, também nós, ao contemplarmos os túmulos vazios de nossas expectativas, de nossos projetos, de nossas seguranças, reagimos com medo, com desconfiança, imaginando apenas perdas e roubos, sem conseguir enxergar ali um possível sinal de Deus.

A corrida de Pedro e João fala também das diferentes maneiras de viver a fé. João corre mais rápido, chega primeiro, vê o túmulo aberto, mas não entra; Pedro, que vem depois, entra sem medo, examina tudo, observa os panos no chão e, sobretudo, o sudário dobrado num lugar à parte. Há momentos em que somos como João: corremos, temos pressa, chegamos à frente, mas nos paralisamos diante do mistério; e há momentos em que somos como Pedro: caminhamos mais devagar, mas conseguimos atravessar a porta do medo e entrar no espaço da fé.

O Evangelho nos diz que “o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também; viu e creu”. João não vê Jesus ressuscitado; o que ele vê são sinais discretos: panos no chão, o sudário dobrado, o vazio onde antes jazia a morte. No entanto, esses pequenos sinais são suficientes para abrir nele o espaço da fé: ele compreende, pela fé, que aquele vazio não é ausência, mas presença nova; não é derrota, mas cumprimento da promessa.

A ressurreição não é descrita em detalhes pelo Evangelho; o que nos é mostrado é o caminho interior dos discípulos, passando do medo à fé, da incompreensão à confiança, da escuridão ao amanhecer da esperança. Isso nos ensina que a fé pascal nasce não apenas diante de grandes aparições extraordinárias, mas também na escuta humilde da Palavra, na leitura atenta dos sinais de Deus em nossa história, na coragem de entrar no “túmulo” de nossas dores para descobrir ali que a pedra já foi removida.

Este Evangelho toca profundamente os nossos medos, as nossas inseguranças e a nossa dificuldade de compreender o plano de Deus. Dizemos que amamos, dizemos que cremos, mas tantas vezes deixamos de acreditar que as promessas de Deus podem, de fato, se realizar em nossa história concreta, aqui e agora. Olhamos para o impossível apenas com olhos humanos, convencidos de que certos túmulos nunca se abrirão, de que certas pedras jamais serão removidas.

Contudo, Cristo é justamente o “impossível” de Deus realizado na história: Ele venceu a morte. Nele, aquilo que parecia definitivamente encerrado foi reaberto à vida; aquilo que parecia perda absoluta tornou-se fonte de uma esperança nova e invencível. Por isso, a nossa vida precisa ser guiada por essa esperança pascal: a certeza de que, em Cristo, as promessas de Deus sempre encontram o seu “sim”.

Deus não prometeu facilidade, mas plenitude. Não prometeu ausência de cruz, mas ressurreição; não prometeu ausência de lágrimas, mas consolação; não prometeu um caminho sem quedas, mas uma mão sempre estendida para nos levantar.

Que, nesta Páscoa possamos ouvir de novo, no íntimo do coração, o anúncio que atravessa os séculos: “Jesus de Nazaré, o Crucificado, ressuscitou”. Ele é o Cristo da vida, o Cristo que vence a morte, o Cristo que desafia as impossibilidades, o Cristo da luz, o Cristo do amor, o Cristo que nunca nos abandona. Nele, cada gesto, por menor que pareça, participa de uma obra muito maior: a construção de uma humanidade ressuscitada, reconciliada e em paz.

 

Para meditar ao longo da semana

1) Onde hoje eu “vou ao sepulcro ainda de madrugada”, isto é, sigo amando e servindo mesmo sem ver resultados?

2) Em que momentos sou mais parecido com João (corro, mas paro na porta)? Em que momentos ajo como Pedro (vou mais devagar, mas entro)?

3) Quais “panos dobrados” Deus tem deixado na minha vida e na escola: pequenos sinais de mudança, reconciliação, interesse, superação?

4) Em que situações eu corro o risco de cair na indiferença (rotular, desistir, “empurrar com a barriga”) e como a esperança pascal pode me recuperar por dentro?

5) Quais são hoje as minhas cruzes na escola (cansaço, conflitos, falta de recursos, críticas…) e como posso uni-las à cruz de Cristo, confiando na ressurreição?

6) Onde experimentei passagem da morte à vida (em mim, na escola, em algum aluno)?

 

Vivências concretas para a semana

1) Escolha, nesta semana, uma relação “ferida” (com aluno, colega, família) e dê um passo real de aproximação: uma conversa serena, um pedido de desculpas, uma escuta sem defensiva.

2) Reserve 10–15 minutos diante do Senhor, simplesmente “ficando” com Ele, como João diante do túmulo, até que o coração passe do ver ao crer.

3) Escolha uma atitude concreta para viver com mais coerência esta semana (pontualidade, respeito nas falas, escuta paciente, justiça nas correções) e a viva conscientemente como testemunho cristão.

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