>
>
>
Muito Além da “Extrema-Unção”: Sacramento dos Enfermos é Encontro com a Vida e a Esperança

A iminência de uma cirurgia, o diagnóstico de uma enfermidade grave ou o declínio natural da saúde pela idade avançada

Muito Além da “Extrema-Unção”: Sacramento dos Enfermos é Encontro com a Vida e a Esperança

A iminência de uma cirurgia, o diagnóstico de uma enfermidade grave ou o declínio natural da saúde pela idade avançada costumam trazer, além do desgaste físico, um profundo desafio espiritual. É nesse cenário de fragilidade que a Igreja Católica oferece um de seus mais belos canais de graça: o Sacramento da Unção dos Enfermos. Contudo, essa prática ainda carrega o estigma do passado, sendo erroneamente associada por muitos fiéis como um “anúncio da morte”.

De acordo com o Padre Anderson Rosa, coordenador da Capelania Hospitalar da Arquidiocese de Curitiba, essa visão equivocada é uma herança histórica da antiga “Extrema-Unção”, que por muito tempo acabou sendo administrada apenas nos últimos momentos de vida do fiel. Ele explica que, após o Concílio Vaticano II, a Igreja resgatou o sentido original do sacramento, voltado para o cuidado, o consolo e o fortalecimento do enfermo ao longo de sua enfermidade, e não apenas na hora da morte.

Teologicamente, a Igreja — conforme expresso no Catecismo da Igreja Católica — ensina que a Unção dos Enfermos é um sacramento de vida, cura e esperança. Instituído por Cristo, o sacramento é inspirado de modo especial na Carta de São Tiago: “Alguém dentre vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja…” ($Tg\ 5,14-15$). O coordenador da capelania ressalta que a celebração não deve ser entendida como um “adeus”, mas sim como um encontro com a graça de Deus no momento da fragilidade humana, ajudando o cristão a viver a doença com fé, dignidade e esperança.

O momento certo para buscar o sacramento

Ao contrário do que o senso comum sugere, não é necessário esperar que o doente esteja em estado terminal para solicitar a presença do sacerdote. A recomendação da Igreja é que a Unção seja administrada a pessoas com doenças graves, antes de cirurgias importantes, a idosos com a saúde fragilizada — a partir dos 65 anos já é possível recebê-la — ou sempre que houver um agravamento perceptível do quadro clínico. Padre Anderson recorda o ensinamento do Papa Francisco, destacando que chamar o padre não é um sinal de “renúncia à esperança”, mas sim um ato de fé no amor de Deus.

Essa prática encontra sua raiz na própria tradição apostólica. O sacerdote explica que, desde o início, a Igreja compreendia que cuidar dos enfermos fazia parte de sua missão sacramental essencial. A experiência da doença costuma ser uma grande provação, momento em que os fiéis precisam renovar suas virtudes teologais.

A Unção dos Enfermos confere o consolo no Senhor sofredor e ressuscitado, convidando quem sofre a mergulhar no mistério da Paixão e Morte de Jesus. Os efeitos partem dessa profunda união: o doente se torna um consagrado para produzir frutos a partir do sofrimento redentor de Cristo, recebendo do Espírito Santo um dom particular de conforto, paz e coragem. A unção com o óleo santo, portanto, é a continuidade direta da ação dos apóstolos nos dias de hoje, especialmente dentro dos hospitais.

Graças integrais: corpo e alma

As graças espirituais oferecidas pela Unção dos Enfermos atuam de maneira integral no ser humano. O sacramento concede força para enfrentar a dor e o medo com serenidade, e ressignifica o sofrimento, que deixa de ser vazio. Além disso, há uma forte ligação com a Reconciliação: quando o enfermo está impossibilitado de se confessar, a Unção perdoa os pecados veniais e até os pecados graves, desde que haja um arrependimento sincero. Nos casos em que a doença é de fato terminal, ela atua como uma preparação espiritual para a passagem, gerando paz para o encontro com Deus.

Diante do frequente conflito familiar entre o desejo de recuperação e o medo de “chamar o padre cedo demais”, Padre Anderson esclarece que o sacramento também pode trazer a cura do corpo, embora isso não ocorra de forma automática ou mágica. Na teologia católica, a cura física acontece se for para o bem da salvação da alma. Deus pode conceder tanto a restauração da saúde quanto a graça de suportar a provação com dignidade, e ambas as respostas são formas de cura, pois visam o bem maior do fiel.

O sacerdote conclui alertando que reduzir a Unção dos Enfermos a um mero conforto psicológico é limitar sua grandeza. Ela é remédio espiritual, fortaleza na dor e presença real da graça divina que toca o ser humano por inteiro: alma e corpo.

⚠️ Orientações Práticas aos Fiéis da Arquidiocese

Como nem todos os hospitais de Curitiba e da Região Metropolitana dispõem de um serviço permanente de capelania, a coordenação da Capelania Hospitalar orienta os fiéis a seguirem os seguintes passos:

  • Casos Programados: Se você ou um familiar passará por um internamento ou cirurgia agendada, solicite o sacramento da Unção dos Enfermos na paróquia mais próxima de sua casa antes de se dirigir ao hospital.

  • Casos de Urgência: Sendo uma situação de emergência, procure informações na própria recepção ou no serviço social do hospital para verificar se a instituição conta com o serviço de capelania.

  • Ausência de Capelania: Se o hospital não dispuser desse atendimento, a família deve entrar em contato com a secretaria da paróquia à qual o paciente pertence, solicitando a visita do sacerdote de sua própria comunidade.

Compartilhe

Outras Notícias

Notícia da Comissão dos Movimentos Eclesiais e Novas Formas de Vida Cristã

Arquidiocese

Giro Paroquial

Notícias relacionadas

Continue navegando

Espiritualidade:

Sua experiência diária com a Palavra de Deus

Explore conteúdos que fortalecem sua caminhada e enriquecem
sua jornada de fé.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.