SEMEADOR
Semanário Bíblico-Pastoral – Ano 1 – Número 36 – 21/12/2025
“Naquele tempo, 2 João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, 3 para lhe perguntarem: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?” 4 Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5 os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6 Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” 7 Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões, sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8 O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9 Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10 É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. 11 Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”.
Mt 11, 2-11
O “Sim” abre as portas
O Evangelho mostra um Deus que quer entrar na nossa história, mas não arromba a porta: Ele pede licença. A promessa se cumpre porque José e Maria respondem com um “sim” que une a ação de Deus e a ação humana.
A vida de José e Maria não foi um conto de fadas. Foi tão cheia de Deus quanto cheia de dificuldades: gravidez incompreendida, medo do futuro, risco de julgamento da comunidade. José se vê diante de uma situação que não entende, mas escolhe a fé: supera dúvidas e medos, protege Maria, renuncia ao caminho mais fácil da lei que condenava para abrir-se ao modo de Deus. É um sim de fé, que aceita o desafio.
Também nós vivemos tensões, cansaço, incertezas sobre o futuro da escola, dos estudantes, da própria profissão. Às vezes parece que a promessa de um mundo melhor não combina com a realidade de uma escola. O Evangelho lembra: Deus continua batendo à porta da nossa história educativa e pede um sim realista: que enfrenta turmas difíceis, contextos familiares frágeis, estrutura limitada, sem desistir da missão.
O sim de José é aberto aos sinais de Deus. José aprende a ler o que acontece à sua volta como sinal: o sonho, a palavra do anjo, a própria gravidez de Maria. Deus continua falando hoje através de pequenos sinais no cotidiano escolar: um estudante que se abre à mudança, uma família que se aproxima, uma conversa no corredor, uma nova prática pedagógica que dá frutos. Se esperarmos apenas “grandes milagres”, corremos o risco de ignorar esses sinais discretos de cuidado de Deus na história de nossa vida de educadores.
Neste final de Advento, enquanto preparamos casa, ceia e presentes, convém preparar também o coração como lugar onde o Emanuel possa nascer de novo!
Para meditar ao longo da semana
1) Em que situações da minha vida de educador eu me identifico com José: confuso, cansado, tentado a “desistir silenciosamente”? Que passo de fé este Evangelho me convida a dar?
2) Sinto a necessidade de fazer alguma renúncia concreta que responde a minha vocação de educar?
3) Quais pequenos sinais de Deus têm aparecido na escola (ou em outro local) e que talvez eu não esteja percebendo com atenção?
Vivência concreta
1) Nas férias, reservar um momento de silêncio e escrever, num caderno ou diário, três decisões de cuidado para o novo ano: uma ligada à vida espiritual (ter um momento diário de oração?!), uma ao cuidado afetivo e relacional (com quem preciso me reconciliar ou me aproximar?) e uma ao descanso e ao uso do tempo.
2) Participar do encontros do Cuidando de quem cuida, promovido pelo Vicariato para a Educação, ou integrar um grupo de partilha (GEPE). São afirmações positivas de fé que abrem portas de cuidado e renovação para a sua vida. Procure informações em nossas redes sociais, aproxime-se dessas iniciativas e permita que elas façam parte da sua caminhada em 2026.